| Era 1988, e Mark Weiser, então chefe do setor de tecnologia da Xerox, previa que uma miríade de sistemas tecnológicos perpassaria nossos ambientes físicos e biológicos. Um mundo repleto de máquinas, computadores e sistemas que se comunicariam entre si e agiriam e tomariam decisões pelos seres humanos. E a história da relação entre o humano e o computador poderia ser dividida em três fases: muitas pessoas operando uma máquina (mainframe); uma pessoa, uma máquina (computação pessoal); muitas máquinas por pessoa (computação ubíqua). |
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Há um conjunto heterogêneo de grupos que vêm defendendo e postulando os benefícios de melhoramentos científico-tecnológicos do corpo humano, reunidos sob o chapéu do transhumanismo. Dentre eles, um em particular chama a atenção por dois motivos: o espaço que vem conseguindo nos últimos tempos na mídia mundial; e as suas conexões com as indústrias de tecnologia do Vale do Silício, que gozam, na atualidade, de poder político, econômico e forte influência intelectual. |
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Tecnologia e contemporaneidade são nomes cujo modo de significação tem várias características comuns, entre elas a da coexistência conceitual e prática num mundo que sem elas não existiria para nossa compreensão e cuja existência só se compreende por sua relação. |
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Um dos mais conhecidos pensadores da cibercultura, o filósofo Pierre Lévy falou sobre conhecimento e interação com as tecnologias de informação e comunicação, em entrevista coletiva no Auditório da Coordenadoria de Tecnologia da Informação da Universidade de São Paulo. Para ele, as tecnologias de comunicação, mesmo as mais avançadas, não são capazes de construir por si próprias novas formas de saber e de inteligência. Isso porque, seu impacto sobre as existências individuais e coletivas depende diretamente da habilidade das pessoas que as utilizam. |
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Em geral, quando adquirirmos um novo produto, não imaginamos a complexidade de sua produção, pois o mesmo chega às mãos do consumidor mostrando apenas facilidades, conforto e a simplicidade de seu uso. Dentre as várias relações que acontecem no desenvolvimento de novos produtos ou no melhoramento daqueles já existentes, estão complexas formas de conexão entre tecnologia e trabalho, que geram polêmicas entre aqueles que as estudam ou que convivem diretamente com elas. |
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O Departamento de Segurança Interna dos EUA acaba de lançar uma nova rodada de vídeos, anúncios em rádio e na mídia impressa da campanha “If You See Something, Say Something” (Se você vir algo, diga algo). O vídeo oficial da nova fase da campanha mostra situações suspeitas em estacionamentos, lojas, ruas, aeroportos, shopping centers, parques públicos, hospitais, estações de ônibus e metrôs, laboratórios de pesquisa etc, ou seja, é transmitida a ideia de que o perigo pode estar em qualquer lugar. A certa altura, o narrador adverte que a vigilância e as denúncias não devem se basear em raça, religião ou gênero, mas sim em comportamentos considerados suspeitos ou fora do comum pelos observadores. |
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Aves que ficaram isoladas dentro de pedaços de floresta fragmentada desapareceram e voltaram a aparecer em um processo de aparente extinção e posterior recolonização cuja detecção foi possível graças a um estudo realizado a longo prazo Amazônia brasileira. Os resultados do estudo, publicados em junho na PLoS One, demonstram que parte da biodiversidade de uma floresta fragmentada pode ser recuperada se esta porção encontra-se dentro de uma área capaz de reconstituir sua vegetação, depois de explorada por atividades humanas. |
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Eles foram assunto de muitas matérias no primeiro semestre de 2011, ainda que nem todo mundo compreendesse ao certo quem eram ou por quais motivos estavam agindo. Conhecidos no meio digital pela alcunha genérica de hackers, eles se juntaram em agremiações digitais e apontaram seus canhões virtuais para os alvos que melhor lhes convinham, dando muita dor de cabeça para administradores de redes de grandes empresas e de entidades governamentais. Além disso, muita gente engajada digitalmente e com conhecimentos técnicos resolveu solucionar, com linhas de programação, os problemas que encontrava nas publicações de dados oficiais, como é o caso do grupo Transparência Hacker. Outros ativistas, com um bocado de mobilização via redes sociais, impulsionaram levantes como a Primavera Árabe, entre outros protestos. |
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A ciência química permite ao homem realizar transformações íntimas na estrutura da matéria. O seu desenvolvimento e industrialização, a partir do século XVIII, significou que essas transformações passaram a se realizar em um escala massiva, tendo efeitos mais e mais abrangentes. A cada vez que inovações mudavam a base tecnológica dessa indústria, produtos e serviços inéditos chegavam à sociedade, assim como surgiam problemas ambientais novos e complexos. Chuva ácida, redução da camada de ozônio, aumento da incidência de câncer, resíduos de plásticos nos mares, toneladas de resíduos sólidos perigosos geradas diariamente, todos foram desafios com que a indústria e a sociedade tiveram que aprender a lidar e que tiveram até agora resultados com grau variado de eficácia. Neste artigo, buscaremos identificar essas principais mudanças tecnológicas e desafios ambientais relacionados à evolução do setor químico, assim como discutir se uma indústria química “verde”, com impactos nulos ou mínimos poderia surgir a partir de novas tecnologias. |
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A celebração do Ano Internacional da Química visa construir uma nova imagem da química junto à população que a traduz como uma ciência para iniciados, a qual está associada a materiais tóxicos, responsáveis pela poluição e por grandes desastres ambientais. Neste ano, os químicos do mundo inteiro estão desenvolvendo ações para demonstrar como o seu trabalho tem contribuído para a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico e a redução de problemas ambientais. Essa preocupação tem sido compartilhada pelos educadores químicos que, nos últimos cinquenta anos, têm desenvolvido pesquisas em educação química, buscando desmistificá-la como ciência inacessível e popularizando o seu conhecimento para um uma vida melhor. |
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Aves que quedaron aisladas dentro de pedazos de bosque fragmentado, desaparecieron y volvieron a aparecer en un proceso de aparente extinción y posterior recolonización que ha sido posible detectar gracias a un estudio a largo plazo llevado a cabo en la selva amazónica brasileña. Los resultados del estudio, publicados el pasado mes de junio en PLoS One, demuestran que parte de la biodiversidad de un bosque fragmentado puede recuperarse si dicha porción se encuentra dentro de un área a la que se le da la oportunidad de recobrar su vegetación, después de haber sido explotada por actividades humanas. |
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Sabemos que a interferência humana levou à extinção milhares de espécies na última centena de anos. A escala da redução de populações de espécies é generalizada e muito grande, chegando a atingir cerca de vinte milhões de animais selvagens mortos por ano, apenas em regiões como a África Central. Ao que tudo indica, as principais causas de risco são a perda ou a fragmentação dos habitats, sendo que a caça também é um grande contribuidor, uma vez que a abundância das populações é em torno de trinta vezes menor nessas áreas do que em áreas de preservação. Esse panorama leva à pergunta “a interferência humana atual culminará no sexto evento de extinção em massa?” discutida no artigo intitulado “A sexta extinção em massa já começou?” na revista Nature (471, 51-57). |
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Nasci em Sales Oliveira, pequena e nada próspera cidade da velha Mogiana (com-g-, que era assim que os trens e vagões traziam grafados o nome da companhia e levavam nossos sonhos de conhecer mundos e vir para a capital). Mojiana (com -j-) era também o apelido de um velho mendigo ranzinza que na juventude teria apostado muitas corridas com trens de carga e de passageiros ganhando todas elas, não só na velocidade mas também na altura do apito que seu peito soltava mais forte do que o de vapor das máquinas. |
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Se o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação fosse uma grande família composta por ministérios, agências e universidades, as fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) seriam as filhas caçulas. Isso porque a maior parte das 25 FAPs hoje existentes foram criadas nos últimos 10 anos com a missão de fomentar a CT&I nos estados. Apesar da história recente, sua importância é grande: as FAPs contribuem para a descentralização de recursos e atendimento a demandas regionais, além de atrair investimentos para os estados. Essas fundações se reúnem no Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), atualmente presidido pelo engenheiro Mario Neto Borges, também presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Entre as bandeiras defendidas pelo Confap estão um sistema nacional de CT&I integrado e articulado, a adequação do arcabouço legal, a popularização da ciência e a busca de mais recursos para a área. Nesta entrevista, Borges indica como isso pode ser feito. |
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As fundações de amparo à pesquisa (FAPs) têm ganhado muita força nos últimos anos. Não só porque a maioria dos estados brasileiros já tem a sua própria fundação – apenas Rondônia e Roraima não contam ainda com uma fundação –, mas também porque essas agências recebem a cada ano mais recursos. Com isso, têm aumentado o seu campo de ação. Em 2009, o orçamento executado pelo conjunto das FAPs foi de aproximadamente R$ 1,72 bilhão, e em 2011 o previsto é que seja de R$1,95 bilhão, de acordo com a estimativa do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O valor esperado para a arrecadação das FAPs neste ano é superior ao que é previsto para o CNPq, de R$1,18 bilhão. |
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Há um consenso sobre a importância estratégica da presença de doutores titulados para o desenvolvimento científico e tecnológico de uma região. “Os recursos humanos são fundamentais para a inovação e a competitividade. Doutorados e os detentores de qualificação não são apenas pessoas mais qualificadas, em termos educacionais, mas também são os únicos treinados especificamente para a pesquisa”, diz um estudo estatístico europeu, “Doctorate holders – statistics in focus” (Eurostat), de 2007. A formação brasileira nesse segmento profissional está ainda aquém da expectativa. Porém, a sociedade brasileira tem avançado de forma sistemática na implementação de infraestrutura e recursos humanos para reverter essa condição. |
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Os ouriços da castanha do Pará estão sendo transformados em cerâmica vegetal e gerando emprego e renda na interior amazonense. O empreendedorismo por trás disso tem sua origem na pesquisa acadêmica e foi viabilizado graças ao apoio de uma das fundações de amparo à pesquisa (FAPs) do país. Os ouriços – cuja aparência lembra a do coco e que, no seu interior, guardam as amêndoas conhecidas como castanha do Pará – são frutos da castanheira do Brasil (Berthollettia excelsa). Com seus quase 50 metros de altura, essa árvore ganha apropriadamente o título de uma das maiores da Amazônia. Do chão das florestas onde são encontrados em abundância, os ouriços são colhidos para serem triturados e transformados em pastilhas que, por sua vez, formam peças apropriadas especialmente para revestir e decorar ambientes internos. |
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Michel Beard, protagonista do romance Solar, é um físico inglês de renome internacional, ganhador do prêmio Nobel e uma celebridade do mundo científico. Acontece que ele também é humano, demasiado humano: infiel contumaz, auto-indulgente, viciado em whisky e qualquer tipo de comida, desonesto e absolutamente entediado com sua vida profissional. Tendo feito sua principal descoberta – a Conflação de Beard-Einstein – há mais de vinte anos, se interessa menos pela ciência do que pelas fofocas do mundo acadêmico ou pelo montante de dinheiro e poder que ainda pode acumular com sua fama. |
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Instrumentos variados, às vezes conflitantes e pouco específicos. De acordo com os gestores da área de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), encontrar o caminho correto por entre o emaranhado de leis, normas e decretos que regulam as atividades da área se tornou uma tarefa difícil e arriscada. Isso porque os instrumentos utilizados para o controle e fiscalização não levam em conta as peculiaridades do trabalho científico, e o resultado são prestações de contas glosadas, multas e autuações. |