Ciencia Portugal , Aveiro, Viernes, 29 de mayo de 2015 a las 14:08
INESPO II

Algas do litoral português têm grande valor nutritivo

Universidade de Aveiro realiza um estudo de algas marinhas, a fim de desenvolver novos alimentos funcionais

José Pichel Andrés/DICYT O Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa do Porto, estudou a composição química de várias espécies de algas marinhas comestíveis no litoral oeste de Portugal, um trabalho que revelou o seu alto valor nutritivo. Os resultados desta investigação podem ajudar a desenvolver novos alimentos funcionais, aqueles que contêm compostos específicos para melhorar a saúde ou reduzir o risco de doença.

 

“As algas marinhas fazem parte da dieta de muitas pessoas em várias partes do mundo e também estão a ganhar importância como alimento nos países ocidentais, onde começam a ter um interesse e aceitação crescentes pelas suas propriedades nutricionais e a possibilidade de usá-las para prevenir e combater doenças”, explica à DiCYT Dina Rodrigues, investigadora do CESAM e uma das responsáveis por este trabalho, publicado na revista científica Food Chemistry.

 

Em geral, as algas são baixas em calorias e ricas em proteínas, minerais, vitaminas e umas moléculas conhecidas como polissacáridos, que possuem propriedades biológicas anticoagulantes e contra o cancro, entre outras. Além disso, “são uma fonte de proteínas alternativa e de menor custo do que as de origem animal”, observa a cientista; por isso, potencialmente, têm um elevado valor acrescentado como recurso económico, por exemplo, ao utilizar extratos de algas como ingredientes funcionais.

 

No entanto, a variedade de espécies é tão grande que os cientistas têm muito trabalho a fazer para tentar compreender melhor este recurso marinho. Este estudo incidiu sobre seis espécies: Osmundea pinnatifida, Grateloupia turuturu, Gracilaria gracilis, Sargassum muticum, Saccorhiza polyschides e Codium tomentosum, todas apanhadas na praia de Buarcos, Figueira da Foz. O local selecionado tem a ver com a posição geográfica deste enclave: “Buarcos tem influências do norte e do sul, é uma zona de transição com algas de várias origens; há espécies típicas do Atlântico Norte, de águas temperadas-frias, e do norte da África e do Mediterrâneo, de águas temperadas-quentes”, comenta Dina Rodrigues.

 

Diferenças importantes

 

As macroalgas (termo usado para distinguir as algas multicelulares das microscópicas) são classificadas em três grupos de acordo com a sua pigmentação: Phaeophyceae (cor castanha ou parda), Rhodophyceae (algas vermelhas) e Chlorophyceae (algas verdes). A composição química de cada grupo é diferente, mas também varia com a espécie em particular, a localização geográfica, a época do ano ou as condições ambientais. Este estudo permitiu observar diferenças significativas no conteúdo de proteínas, açúcares e gorduras e verificar que alguns polissacáridos são específicos de determinadas espécies.

 

Assim, as espécies Sargassum muticum e Saccorhiza polyschides destacaram-se por conterem dois tipos de polissacáridos, alginatos e fucoidanos, enquanto Grateloupia turuturu, Gracilaria gracilis e Osmundea pinnatifida contêm outros dois, carragenina e agar. Apesar de todas as algas analisadas serem consideradas comestíveis antes deste estudo, não havia muita informação sobre a sua composição, especialmente no caso de Osmundea pinnatifida. Também sobressai, por exemplo, o elevado teor de ferro encontrado em Gracilaria gracilis, Grateloupia turuturu e Sacchorhiza polyschides e o de magnésio em Sargassum muticum.

 

“O principal objetivo da nossa pesquisa é o desenvolvimento de novos alimentos funcionais, através da adição de extratos ou de compostos associados com propriedades específicas”, explica a investigadora. Portanto, o seu grupo vai realizar novos estudos relacionados com a atividade biológica dos componentes das algas e sua possível incorporação aos alimentos. “As macroalgas são, sem dúvida, uma enorme fonte de novos ingredientes funcionais considerados benéficos para a saúde, de modo que podemos e devemos explorá-las”, conclui.

 

Referência bibliográfica 

 

Chemical composition of red, brown and green macroalgae from Buarcos bay in Central West Coast of Portugal. Dina Rodrigues, Ana C. Freitas, Leonel Pereira, Teresa A.P. Rocha-Santos, Marta W. Vasconcelos, Mariana Roriz, Luís M. Rodríguez-Alcalá, Ana M.P. Gomes, Armando C. Duarte. Food Chemistry, Volume 183, 15 September 2015, Pages 197–207. doi:10.1016/j.foodchem.2015.03.057