Ciencia Chile , Chile, Viernes, 05 de febrero de 2010 a las 12:52

Astrônomos descobrem uma supernova que viaja na velocidade da luz

Participam a Universidade Andrés Bello e a Universidade do Chile

UAB/DICYT O acadêmico e pesquisador da Universidade Andrés Bello, Giuliano Pignata, é um dos co-autores do estudo publicado em 28 de janeiro de 2010 na revista Nature. Trata-se da supernova 2009bb, situada no exclusivo clube das estrelas que explodem deixando para trás material em forma de jets na velocidade da luz. O objeto de estudo dos doutores Giuliano Pignata (Universidade Andrés Bello), Mario Hamuy (Universidade do Chile) e investigadores do Núcleo Milênio de Estudos de Supernovas (MCSS) não se trata, no entanto, de uma explosão qualquer de uma supernova, mas de uma gigantesca explosão que desafia as teorias de comportamento das clássicas supernovas já encontradas.

 

Esta supernova, protagonista do estudo publicado na última edição da revista Nature, expulsa materiais em forma de jets (jatos violentos de partículas), que se movem na velocidade da luz. Isto é, quatro vezes superior à velocidade em que viajam as supernovas anteriormente descobertas.

 

De acordo com o astrônomo Giuliano Pignata, trata-se de uma explosão de altíssima concentração de energia detectada por uma inovadora técnica de busca utilizada na pesquisa. “Foi possível determinar, num período de dois dias, quando nasceu a supernova. Geralmente isso se mede em um lapso de tempo de 5 a 10 dias”, explica Pignata, acadêmico da faculdade de Astronomia da Universidade Andrés Bello e integrante do Núcleo Milênio de Estudos de Supernovas (MCSS).

 

Outra particularidade da supernova estudada (denominada 2009bb) é o ambiente no qual se originou. A SN 2009bb explodiu em um ambiente de alta metalicidade, o que desafia os paradigmas teóricos legitimados pelas observações acumuladas até então. Até agora somente se havia visto nascer supernovas jets em estrelas de baixa metalicidade, que é a proporção entre hidrogênio (o elemento mais abundante nas estrelas) e o resto dos elementos (ferro, oxigênio, carbono, níquel, etc.).

 

História do descobrimento

 

Em 21 de março de 2009 os caçadores de supernova do MCSS encontraram um novo objeto brilhante onde dois dias antes não se via nada. Era o brilho de uma estrela no momento de sua morte devido a uma das mais violentas explosões cósmicas que originou a SN 2009bb.

 

Alicia Soderberg, do Centro Harvard Smithsonian de Astrofísica, soube da descoberta e entrou em contato com o MCSS para trabalhar em conjunto. Enquanto a equipe chilena descobriu e estudou a SN 2009bb no âmbito ótico, ela utilizou as rádio antenas do Very Large Array, no Novo México, para procurar sinais de rádio.

 

As observações da doutora Soderberg revelaram que se tratava da supernova de tipo Ic mais luminosa de sua amostra. Isso significa que o material se deslocava a velocidades próximas à da luz: quatro vezes superiores à velocidade que viajam as supernovas anteriormente encontradas.

 

Isso somente havia sido observado no exclusivo clube das supernovas Ic associadas a enigmáticas emanações de raios gama (GRB o Gamma Ray Burst): emissão intensa de poucos segundos de duração que origina um jato expulso, praticamente, na velocidade da luz, a partir de um buraco negro recém formado no cento de estrelas massivas.

 

No caso da SN 2009bb foram detectados jatos de material (jet) deslocando-se a velocidades próximas à da luz, mas não foram detectados raios gama, que normalmente se encontram em outras supernovas. Por isso os investigadores chilenos continuam as observações da SN 2009bb a fim de investigar os motivos pelos quais não se detectou este tipo de emissão de luz. Este trabalho está sendo preparado para a prestigiada revista The Astrophysical Journal.