Ciencia Portugal , Aveiro, Lunes, 28 de abril de 2014 a las 09:51

Bióloga descobre nova espécie de escaravelho no maior abismo da Terra

Investigação de Ana Sofia Reboleira, bióloga no Departamento de Biologia e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar

UA/DICYT Uma nova espécie de escaravelho sem asas e sem olhos viáveis foi descoberto por Ana Sofia Reboleira, bióloga da Universidade de Aveiro (UA). A nova espécie foi encontrada na gruta Krubera-Vorónia, localizada na Abecássia, perto do Mar Negro, considerada o maior abismo da terra, onde o inseto vive em total escuridão. De acordo com a bióloga, trata-se de "um escaravelho carabídeo desprovido de asas e de olhos viáveis" que desenvolveu características de "adaptação à vida sem luz e às condições inóspitas" de uma gruta que atinge os 2197 metros de profundidade.

 

“É um escaravelho cavernícola da família Carabidae. Tem adaptações específicas à vida subterrânea, é despigmentado, desprovido de asas e de estruturas oculares completas”, descreve Ana Sofia Reboleira cujo trabalho se tem centrado nos últimos anos na área da Biologia Subterrânea. “Com cerca de 6 milímetros, é um escaravelho predador que se alimenta de animais mais pequenos que habitam a cavidade mais profunda do planeta”, adianta a investigadora de pós-doutoramento no Departamento de Biologia e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da academia de Aveiro.

 

A nova espécie de inseto, descrita recentemente na revista científica Zootaxa, em colaboração com Vicente Ortuño, da Universidade de Alcalá, foi recolhida durante os trabalhos bioespeleológicos coordenados por Ana Sofia Reboleira e por Alberto Sendra, do Museu Valenciano de História Natural. As pesquisas na gruta mais profunda do mundo foram realizadas durante as expedições Ibero-Russas do Cavex Team -- International Cave Exploration Team, em 2010 e 2013.

 

Esta descoberta vem juntar-se a outras cinco espécies novas encontradas na mesma gruta por Ana Sofia Reboleira, "a única caverna do mundo que ultrapassa os dois quilómetros de profundidade, sendo considerada uma das últimas fronteiras da exploração biológica na terra e apelidada por alguns como o 7.º continente".

 

Nas grutas onde a temperatura ambiente "é inferior a 5º C" a prospeção biológica exige, segundo Sofia Reboleira, "uma grande preparação técnica e física e uma grande resistência psicológica", sendo necessário permanecer "vários dias no interior da Terra" para onde "todo o equipamento é transportado pelos expedicionários ao longo dos seus mais de dois quilómetros de profundidade".

 

A bióloga e espeleóloga, Sofia Reboleira já tinha igualmente no currículo a descoberta em grutas portuguesas de quinze novas espécies.