Ciencia Portugal , Castelo Branco, Martes, 12 de mayo de 2015 a las 14:52
INESPO II

Características de Covilhã permitem criar uma marca como cidade de montanha

Investigadores da Universidade da Beira Interior comparam as cidades dos Alpes com o núcleo urbano mais importante da Serra da Estrela para apresentar propostas para o desenvolvimento sustentável no futuro

José Pichel Andrés/DICYT Um estudo realizado pela Universidade da Beira Interior analisou as características de Covilhã como uma cidade única em Portugal por ser um núcleo urbano de montanha e com tradição industrial. Em comparação com as boas práticas identificadas em cidades dos Alpes, os autores do estudo, publicado na revista científica European Planning Studies, acreditam que Covilhã tem os elementos necessários para construir uma marca própria em sintonia com o ambiente natural da Serra da Estrela, o que se há de ter em conta para o seu desenvolvimento urbano, económico e social.

 

A investigação compara este enclave português com localidades dos Alpes porque a região alpina é “o paradigma da montanha europeia e as suas cidades geram fenómenos que se refletem em outras áreas montanhosas do continente”, explicam a DiCYT Domingos Vaz e Maria João Matos, os especialistas em sociologia e arquitetura que desenvolveram o trabalho.

 

Nos Alpes surgiram alguns fenómenos relacionados com o turismo e com as marcas que ligam a montanha com a sociedade de consumo, bem como as novas experiências no uso do espaço, e isto se estendeu para outras regiões de montanha. Portanto, os autores do estudo acreditam que a análise da área alpina é útil para estudar outras realidades, neste caso, as áreas urbanas, a sua evolução, a relação com o seu ambiente e a sustentabilidade. Covilhã, como cidade de dimensões médias e certa importância económica, administrativa e funcional na Serra da Estrela é o equivalente português às áreas urbanas de referência na zona alpina.

 

Os dois sítios partilham paradigmas dentro do contexto sociocultural europeu, como competitividade, consumo e estilos de vida. Paralelamente, o ecologismo ou a procura de identidade também são comuns. Em contrapartida, a zona alpina “tem exemplos muito positivos de sinergias entre o meio ambiente de montanha e o urbano, não identificados no contexto português”.

 

As intervenções no espaço urbano nem sempre consideram a relação com a natureza circundante, mas nas boas práticas identificadas há “um diálogo entre a cidade e as montanhas” em termos de paisagens e vistas ou ao criar áreas verdes tematicamente ligadas ao ambiente natural que envolve o núcleo urbano. No entanto, os projetos geralmente não dão grande ênfase à interação visual com a paisagem de montanha e, no caso de Portugal, “a dissociação é mais clamorosa porque não há instrumentos de planeamento urbano específicos voltados para o valor da paisagem”.

 

Ao longo de três séculos, Covilhã foi um centro de industrialização em pleno território de montanha, com uma especialização económica no setor têxtil incentivada por decisões governamentais, tais como a instalação na cidade da Real Fábrica de Panos no século XVIII. A sua história contrasta com a baixa industrialização de muitas outras áreas do país, o que deu à cidade um carácter particular, apesar de que o declínio da indústria da lã já deu lugar a uma economia mais baseada em serviços. A criação da Universidade da Beira Interior em 1986 faz parte desse novo contexto.

 

Tudo isto faz com que a cidade ganhe características únicas que podem contribuir para conseguir uma marca distintiva. Em primeiro lugar, Covilhã tem uma qualidade única no urbanismo português: é uma cidade de montanha, ao que deve ser adicionada a sua tradição industrial. “A identificação como região de montanha pode ser um ponto de partida para a criação de uma nova marca urbana”, afirmam os especialistas, mas para isso é preciso estimular o debate social, científico e técnico.

 

Em sua opinião, o ambiente natural deve promover um tipo de construção que forneça um ambiente urbano de elevada qualidade, que, por sua vez, favoreça atividades relacionadas com o conhecimento, como as desenvolvidas pela universidade, bem como o seu atrativo externo.

 

Cooperação regional

 

Segundo os autores, o estudo demonstra a necessidade de abordar as questões sociourbanísticas de uma maneira interdisciplinar e mostra também que a arquitetura contemporânea pode ser um veículo para promover as cidades. Para isso, é preciso desenvolver capacidades técnicas para interpretar as possíveis intervenções. Também seria importante promover a cooperação entre as localidades da Beira Interior, especialmente na atual situação económica, que exige racionalizar os recursos em áreas com baixa densidade populacional.

 

A análise baseia-se em estudos anteriores sobre Covilhã do ponto de vista da sociologia urbana e da arquitetura, bem como na pesquisa de informação estatística e do planeamento urbano. A partir daí, os autores realizaram uma reflexão crítica sobre o papel dos diferentes atores para alcançar no futuro uma cidade sustentável.

 

Até agora, o planeamento urbano tem acontecido sempre devagar, de maneira fragmentada e descontínua e a expansão urbana tem danificado o valor paisagístico; portanto, a respeito do núcleo urbano “somos favoráveis a uma aproximação entre a cidade e a montanha”, enfatizam os investigadores, enquanto a nível regional é necessária “uma reconstrução institucional na região da Beira Interior”, o que significa que as instituições deveriam criar redes de colaboração.

 

Referência bibliográfica 

 

Regional Polycentrism in a Mountainous Territory: The Case of Covilhã (Portugal) and Alpine Cities. Domingos Martins Vaz & Maria João Matos. European Planning Studies, Volume 23, Issue 2, 2015. DOI: 10.1080/09654313.2013.865711