Technology Mexico Monterrey, Nuevo León, Friday, April 20 of 2012, 11:21

Cria-se tecnologia para capacitação com realidade aumentada

Uma das vantagens desta tecnologia será a redução de até 40% do tempo de capacitação

JST-Tec de Monterrey/DICYT Do mesmo modo que um piloto de avião treina para aprender em um simulador de vôo, técnicos de turbinas aeroespaciais e de profissões semelhantes treinarão com realidade aumentada para fazer seu trabalho graças a uma nova tecnologia criada pelos pesquisadores Eduardo González Mendívil e Fernando Suárez Warden.

 

“Esta tecnologia revolucionará os manuais escritos e as instruções em vídeo ou em Power Point, pois através de uma tela ou lentes interativas (googles), os técnicos poderão aumentar os objetos e as instruções que devem seguir para poder arrumar as máquinas”, explica o doutor González Mendívil.

 

Pretende-se aplicar a realidade aumentada para capacitar os técnicos que consertaram as turbinas dos aviões. No entanto, as aplicações desta tecnologia são numerosas.

 

“Trata-se de um ambiente multimídia com modelos 3D, vídeo, instruções de texto e som. Aparece para o técnico na tela a ação de arrumar uma peça e se ele pergunta qual, colore-se a peça específica dentro da tela para mostrar o objeto a ser arrumado. Ademais, é uma tecnologia muito amigável, porque representa uma maneira intuitiva de realizar o procedimento. “É como se alguém mais o estivesse fazendo diante dele”, menciona González Mendívil.


Esta tecnologia apresente muitas vantagens, como a redução de até 40% do tempo de capacitação. Além disso, prevê-se que no futuro os técnicos não poderão consertar aviões sem ter realizado previamente algumas horas determinadas no simulador de reparação de turbinas, já que é uma industria de alta segurança.

 

“Os programas de capacitação existem, mas estão evoluindo com a chegada desta tecnologia. Antes vinham com um manual e instruções por escrito, no máximo com um vídeo ou uma boa apresentação de Power Point. Com a realidade aumentada, os técnicos tem a oportunidade de aprender hands on, pois cria-se uma realidade virtual na qual se aprende com o simulador de reparação”, afirma o pesquisador.

 

A realidade aumentada (RA) é uma tecnologia que combina ambientes reais com elementos virtuais, para criar uma experiência mista na qual os objetos virtuais são sobrepostos em um meio real.

 

Diferentemente da realidade virtual, a RA não substitui a realidade física, mas mistura os elementos reais e virtuais, como o 3D, e a transforma em uma ferramenta interativa em tempo real, que pode ter muitas aplicações úteis. Vários dispositivos atuais, de computadores a aparelhos de celular (smartphones ou tablets) já estão implementando esta tecnologia.

 

Ainda que a realidade aumentada seja aplicável em muitas especialidades, a célula de incubação AMANTEC a direcionou a processos complexos, como o conserto de turbinas aeroespaciais e o ensamblado de estruturas tecnológicas, processos que representam um verdadeiro objetivo.

 

Treinamento multidisciplinar

 

O foco está dirigido às aeronaves porque a empresa ganhou um fundo internacional chamado projeto SEMARA (Sistema de Treinamento para Manutenção Aeronáutica com Realidade Aumentada).

 

“O projeto SEMARA transcendeu tanto que conseguiu formar um consórcio de pesquisa integrado pelas empresas Aeroméxico, Air Nostrum, o Instituto Politécnico de Valencia e o Tecnológico de Monterrey, com os quais está desenvolvendo o sistema de purgado de ar das turbinas 737”, indica o pesquisador.

 

No entanto, como a realidade aumentada é uma tecnologia aplicável em muitas áreas, AMANTEC também trabalha em conjunto com a empresa BIENETEC, que se encarrega de reabilitar as pessoas que não tem mobilidade nos braços devido a cirurgias ou acidentes.

 

“A realidade aumentada ajuda a ter imagens e manequins sobre os quais planejar ou praticar uma cirurgia. As possibilidades de ser criativo dentro desta tecnologia são infinitas. Por exemplo, os astronautas podem fazer operações de emergência nas estações espaciais, mas também têm aplicações na educação e na publicidade”, afirma Eduardo González.