Ciencia México Cuernavaca, Morelos, Lunes, 30 de julio de 2012 a las 15:29

Doença da tireóide, um transtorno comum entre os mexicanos

Pode chegar a afetar cerca de 10% da população, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP)

AC/INSP/DICYT De acordo com especialistas do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), a doença da tireóide não diagnosticada, particularmente o hipotiroidismo subclínico, é uma condição que pode afetar cerca de 10% da população mexicana, e que pode desencadear riscos para a saúde se não for tratada adequadamente. Estas doenças  se apresentam quando no organismo humano há uma excesso ou insuficiência do denominado hormônio estimulante da tireóide (TSH), que é o responsável pela produção de hormônios tiroideais.

 

Para conhecer os níveis de hormônio estimulante da tireóide entre os mexicanos, o INSP mediu suas concentrações séricas em uma amostra representativa nacional de 807 crianças de 2 a 12 anos, em 231 adolescentes de 13 a 19 anos e em 781 adultos com mais de 20 anos, que participaram da Entrevista Nacional de Saúde e Nutrição (ENSANUT) 2006. Este é um dos primeiros estudos que documenta a prevalência da população mexicana com risco de padecer de alterações na tireóide. Os resultados mostraram que o hipotiroidismo subclínico (isso é, a presença de mais de 4,5 e menos de 10 microunidades de TSH por mililitro de sangue, e a deficiência de hormônios tiroideais livres ou biológicamente ativos) constitui um problema de saúde pouco detectado no México, que precisa ser atendido, de modo que é necessária mais pesquisa.

 

A Dra. Luz María Sánchez, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Nutrição e Saúde (CINyS) do INSP, afirma que a ENSANUT 2006 apresentou as prevalências de população com risco de possuir hipotiroidismo subclínico existentes nos distintos grupos de idade: 8,6% em pré-escolares, 10,3% em escolares, 7,7% em adolescentes e 8% em adultos. No caso deste último grupo, também apresentou importantes prevalências de hipertiroidismo: 4,6%.

 

No caso dos adolescentes e adultos, as pessoas com sobrepeso e/ou obesidade apresentaram níveis elevados de TSH (mais de 4,5 de TSH por mililitro de sangue), diferentemente do que acontece com pré-escolares e escolares, em que os maiores níveis foram apresentados em crianças com peso normal.

 

Por outro lado, a Dra. Sara Arellano, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Geral do México, deu uma explicação muito clara, detalhada e precisa do que são os hormônios e transtornos da tireóide, suas causas e sintomas e, sobretudo, a forma de diagnosticá-los e tratá-los.

 

Afirma que os hormônios tiroideais são as denominadas T3 (triiodotironina ou triiodotiroxina) e T4 ( tiroxina ou tetraiodotironina), que, dentre outras funções, contribuem ao desenvolvimento, crescimento e fluxo sangüíneo do sistema nervoso central; o metabolismo de enzimas e colesterol do tubo digestivo; ao tônus, crescimento e desenvolvimento dos músculos; ao amadurecimento ósseo do esqueleto; à produção hormonal e amadurecimento das gônadas; à temperatura e textura da pele; ao crescimento do cabelo; ao fluxo sangüíneo do rim e ao metabolismo energético.

 

Em relação aos transtornos tireóideos, definiu o hipertiroidismo como a hiperprodução de hormônios tiroideais pela glândula tireóide, ocasionada geralmente pela denominada doença de Graves, doença autoimune; e, ao hipotiroidismo, como a expressão clínica de qualquer grau de deficiência de hormônios tiroideais.

 

Dentre os sintomas do primeiro destaca os seguintes: nervosismo, fadiga, perda de peso, debilidade, intolerância ao calor, angústia, insônia, palpitações, diarréia, queda de cabelo, alterações menstruais, pele úmida, taquicardia, bócio, inflamação da glândula lacrimal, visão turva, paralisia ocular, dor ocular, alteração da visão de cores e diminuição da acuidade visual.

 

No quadro clínico do segundo incluiu a fadiga, o ganho de peso por retenção de líquidos e infiltração de tecidos, pele seca, perda de cabelo, unhas quebradiças, palidez, perda de suor, hipotermia, intolerância ao frio, insuficiência cardíaca, constipação, transtornos menstruais, entre outros.

 

Para diagnosticar a doença tiroideia, explicou a especialista, basta fazer um exame do perfil tiroideio, que inclua hormônios T4 livres e TSH. Sugere avaliar principalmente mulheres com mais de 50 anos, idosos e pessoas que tenham diabete mellitus, qualquer cardiopatia ou os sintomas sugestivos acima mencionados.

 

Hipotiroidismo subclínico

 

Sobre o hipotiroidismo subclínico afirma que seus sintomas são mínimos ou nulos, e apresenta hormônios tiroideais normais, bem como uma possível presença de anticorpos positivos, mas sobretudo um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como arteriosclerose aórtica, infarto do miocardio, e doença arterial periférica. A este transtorno estão associadas a hipertensão arterial, a diabete mellitus I e II, a vasoconstrição, dislipidemias, ganho de peso por falta de dissipação de energia e falta de oxidação do colesterol de baixa densidade (LDL), bem como redução do de alta densidade (HDL).

 

O Dr. Juan Antonio Peralta Calcáneo, também do serviço de Endocrinologia do Hospital Geral do México, explicou a fisiologia e principais funções da TSH, que incluem o controle da função dos hormônios T3 e T4, o crescimento e as funções de vários órgãos.

 

Em relação às crianças, o Dr. Simón Barquera, diretor da Área de Pesquisa em Políticas e Programas de Nutrição do CINyS do INSP, disse que, de acordo com os resultados obtidos através da ENSANUT 2006, aproximadamente 2,5 milhões deles possuem hipotiroidismo subclínico, com níveis médios de TSH de 2,5 microunidades por milímetro de sangue, contra apenas 0,13% que possuem hipertiroidismo. Nos adolescentes, menciona que a média de níveis de TSH foi de 2,2 microunidades por mililitro, ainda que 4,1% de mulheres tenha apresentado níveis de menos de 0,45 microunidades.

 

No que diz respeito aos adultos, aproximadamente 4.786.000 foram classificados com alguma forma de hipotiroidismo clínico ou subclínico. Os níveis médios de TSH neste grupo de idade foram de 2,4 µU/ml (microunidades), com uma concentração média maior em mulheres. No entanto, o Dr. Barquera adverte que outros estudos mostram menores prevalências de hipotiroidismo, bem como uma relação direta entre a concentração de TSH e a idade, a qual não foi observada no estudo realizado pelos pesquisadores do INSP, de modo que será preciso leva-la aos especialistas para criar hipóteses e explorar mais a fundo este tema.

 

Do mesmo modo, enfatizou as condições clínica associadas às formas subclínicas tanto do hipertiroidismo, quanto do hipotiroidismo, como: fibrilação auricular, diminuição da densidade óssea e aumento da mortalidade por causa cardiovascular, no primeiro caso; e progressão ao hipotiroidismo clínico, alterações neurológicas no feto, níveis elevados de colesterol de baixa densidade (LDL), risco de arteriosclerose, eventos cardiovasculares e maior mortandade em adultos maiores de 60 anos, no segundo.

 

Para concluir sua participação, o Dr. Barquera afirma que as formas subclínica das doenças tiroideais constituem um problema de saúde pouco estudado na população do México, e que a medição do TSH é o método mais efetivo para descartar alterações tiroideais de forma prematura, de modo que são necessárias ações em ambos sentidos. Assim, menciona a controvérsia existente em torno das indicações de tratamento farmacológico em pacientes em etapas subclínicas da doença.