Ciencia España , Salamanca, Jueves, 07 de noviembre de 2013 a las 10:09

Especialistas pedem que se promova a participação cidadã e a atitude crítica perante a ciência

Encerramento do seminário sobre 'Indicadores de cultura científica e tecnológica' da Universidade de Salamanca

JPA/DICYT Carlos Vogt, especialista do Labjor, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade de Campinas (Brasil), realizou nesta tarde a palestra de encerramento do seminário internacional ‘Indicadores de cultura científica e tecnológica’, organizado pelo Instituto de Estudos da Ciência e da Tecnologia (eCyT) da Universidade de Salamanca. Um dos maiores especialistas em cultura científica da Ibero-América clamou hoje pelo acesso da população ao conhecimento científico como ferramenta de promoção da participação cidadã na tomada de decisões neste campo, bem como por uma atitude crítica perante a ciência.

 

O especialista brasileiro em cultura científica destaca, através de sua teoria da espiral da cultura científica, um modelo que explica a difusão do conhecimento científico em quatro momentos: a comunicação entre os cientistas especialistas em uma matéria, o ensino da ciência, a educação que desperta a vocação científica e, finalmente, a divulgação da ciência. Para esta análise, afirma, é fundamental estudar quais são os indicadores da cultura científica, tema debatido durante estes dias no encontro organizado pelo eCyT.

 

“A ideia da espiral é procurar uma representação da cultura científica na sociedade”, declarou a DiCYT. Essa representação abrange “desde o momento da produção do conhecimento pelos cientistas até a comunicação com a sociedade de uma maneira aberta”, e para descrever este processo é necessário possuir indicadores fiáveis em cada um dos quadrantes.

 

O seminário que Vogt encerrou hoje também serviu para apresentar resultados do projeto de indicadores de cultura científica liderado por Miguel Ángel Quintanilla, diretor do eCyT, uma iniciativa que o especialista  da Universidade de São Paulo considera “muito consistente” e “uma contribuição fantástica para o estudo dos indicadores”.


Assim como a Universidade de Salamanca, o Labjor também trabalha para melhorar a cultura científica na América Latina e, nesse sentido, “todos acreditamos que a educação científica é fundamental para criar uma visão não apenas informada da ciência, mas também crítica”, afirma. Consolidar a cultura científica na sociedade “parece fundamental para que as transformações que julgamos necessárias possam ocorrer, oferecendo condições de acesso ao conhecimento científico”, agrega.

 

Mario Albornoz


No programa desta segunda e última jornada do seminário destacou também a intervenção de Mario Albornoz, outro grande especialista Ibero-Americano, que há um mês atrás era o coordenador da Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia Ibero-Americana e Interamericana (RICYT), uma rede que nasceu em 1994 e está presente em todos os países da Ibero-América que produzem informação sobre a ciência e a tecnologia, sobre sua repercussão social, sobre o que a sociedade pensa sobre elas, sobre seu impacto em temas como a saúde, sua relação com a educação e, definitivamente, “tudo o que implique medir as atividades científicas e tecnológicas em relação com outras atividades sociais”.


Neste encontro Mario Albornoz enfatizou a cultura cidadã ao perguntar-se “quanta ciência o cidadão precisa conhecer para poder posicionar-se diante de questões relativas ao impacto da ciência na sociedade?”, por exemplo, diante de situações conflitivas como o impacto ambiental de determinadas práticas econômicas.


Na sua opinião, “estão em jogo valores que dependem mais de questões morais e vivenciais do que do conhecimento em si, porque existem comunidades indígenas na América Latina que reagem contra explorações mineiras e outros tipos de atividades que produzem impactos negativos em seu ambiente, e que com pouca informação científica podem adotar posições cidadãs interessantes”, ainda que, de modo geral, “seja necessário um conhecimento especializado para um juízo correto”.


Mario Albornoz também quis refletir sobre a relação existente entre o poder e a ciência, um poder que pode ser exercido pela sociedade e dentro do campo da própria ciência. “Estou interessado em saber se a ciência, diante da cultura cidadã, adota uma posição de poder, posicionando-se acima dela”, assegura.