José Pichel Andrés/DICYT Os especialistas que compareceram nesta tarde no encontro Universidades 2020 apostaram por reforçar o papel da Educação Superior na sociedade e na economia européia. Este encontro, celebrado em Salamanca hoje e amanhã, é o último encontro sobre educação da Presidência Espanhola da União Européia. Nesta primeira jornada foram apresentados três relatórios sobre as universidades, a pesquisa e a inovação, bem como sobre as atividades relativas à educação incentivadas nos últimos seis meses, desde o inicio da presidência.
Neste sentido, Luis Delgado, subdiretor geral de Modernização e Promoção da Pesquisa Universitária, apresentou o Relatório de atividades da Presidência Espanhola da UE sobre Universidades e assegurou que o grande objetivo era que “a educação estivesse no coração da nova Estratégia Europa 2020”, o que foi conquistado, segundo declarações colhidas pela DiCYT. Assim, os países europeus acordaram reduzir o abandono escolar em 10%, aumentar a população com estudos superiores e que o gasto em P&D&i chegue a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), prestando especial interesse à inovação.
Para tanto, dever-se-ia potencializar a responsabilidade social da Universidade, “garantindo equidade e qualidade”, internacionalizar a educação superior e estabelecer o papel que possuirão as universidades no desenvolvimento de uma economia sustentável, já que são “entidades geradoras e transmissoras do conhecimento à sociedade e às empresas”, afirma.
Do mesmo modo, apresentou-se o Relatório sobre a Visão para a Pesquisa e a Inovação em 2020, a cargo da belga Erika Widegreen, responsável pela Atomium Culture, uma plataforma européia que integra estudantes, universidades, empresas e meios de comunicação (pela Espanha participam, por exemplo, Telefônica e El País). Em sua opinião, este documento é “uma chamada à ação”. Por isso, propõe “estudar o que funcionou e não funcionou até agora, para estabelecer linhas de melhora. Ademais, considera que “deve-se mudar a relação entre a Ciência e a sociedade, salvar o espaço que existe entre elas e transformar a comunicação em ação”.
Ações comuns, competição e autonomia
Por último, o holandês Joost Van Iersel apresentou o relatório sobre Universidades do Comitê Econômico e Social Europeu, órgão consultor da União Européia. “Como representantes da sociedade civil queremos melhor a qualidade da educação e para isso é necessário melhorar as universidades”, indica, apelando à desigualdade existente entre distintos países e reclamando uma “ação comum para todas”. Segundo explicou, as universidades são chaves “no triangulo do conhecimento, formado pela educação, a pesquisa e a inovação”.
Neste sentido, afirma que as universidades podem ter um papel na superação da atual crise econômica, ainda que “o mais provável é que os governos reduzam gastos, precisamente, das universidades, quando não deveriam”, adverte. Iersel considera que é necessário um acordo europeu para medir a qualidade das instituições acadêmicas, de maneira que exista um ranking comum para promover a competição entre elas e assim afrontar o desafio que representam países como os Estados Unidos juntamente a outros emergentes: Índia, China, Rússia ou Brasil, citou. Para melhorar a situação das instituições acadêmicas é necessário que estas disponham de mais independência e autonomia, que adquiram mais competitividade e sejam mais transparentes, afirmou.