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Ciencia Brasil
Brasil, Lunes, 25 de abril de 2011 a las 14:40

Fibras de abacaxi e coco para fabricar automóveis mais leves e econômicos

Desafio dos pesquisadores é fazer sustentável uma indústria poluidora que fabrica milhões de automóveis ao ano
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Eva Aguilar/DICYT Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu uma técnica para incorporar fibras provenientes de diversas frutas na fabricação de partes de automóveis, criando uma nova geração de plásticos mais leves, resistentes e em maior sintonia com o meio ambiente. De acordo com os autores do estudo, fabricantes de automóveis já estão a ponto de provar plásticos reforçados com fibras de nanocelulose e é possível que comecem a ser utilizados dentro de dois anos.

 

A celulose é a biomolécula mais abundante da Terra, já que constitui o principal composto dos troncos e outras partes das plantas. Sua estrutura é fibrosa e devido a suas propriedades foi utilizada por séculos para fabricar papel. Recentemente, cientistas descobriram que depois de processar a madeira de forma intensiva são obtidas fibras de celulose muito finas ou, como são chamadas, fibras de nanocelulose. Estas são tão finas que 50 mil delas equivalem em largura a um fio de cabelo humano. Como acontece com as fibras feitas de vidro ou carbono, as fibras de nanocelulose podem ser adicionadas a outro tipo de matéria prima para fazer plásticos, gerando materiais fortes e duráveis.

 

Alcides Leão, da Universidade de São Paulo e líder da equipe que desenvolve os experimentos, explicou a DiCYT que, no caso do prolífico mercado de automóveis, seria impossível produzir suficiente nanocelulose para utilizá-la como único componente de peças como o painel de instrumentos ou o pára-choque.

 

“No entanto, utilizando entre 0,2% e 1,2% de nanocelulose na mistura de polímeros para reforçar os plásticos usados na produção, já é suficiente para diminuir o peso de cada automóvel e, conseqüentemente, reduzir as emissões de dióxido de carbono”, assinalou Leão.

 

Como vantagens adicionais dos plásticos fabricados com nanocelulose, os pesquisadores notaram suas resistência ao calor, à água e às filtrações de gasolina.

 

Leão, que apresentou os detalhes do estudo na reunião nacional da American Chemical Society no fim do mês passado (27-31 de março) na Califórnia, diz que algumas companhias de automóveis já contam com a tecnologia necessária para incluir a nanocelulose em seus processos de fabricação. O único assunto que ainda está por resolver, adiciona, é como incorporá-la à produção em grande escala de partes de automóveis. Ainda assim, a previsão é que os protótipos estejam prontos em pouco tempo.

 

“Sem dúvida nenhuma, em dois anos; e quem sabe inclusive em 2012 porque em um ano seremos capazes de incluir a nanocelulose nas peças (dos automóveis) disponíveis hoje em dia”.

 

Abacaxi e companhia, as frutas favoritas

 

Para a produção de fibras de nanocelulose os pesquisadores brasileiros estão utilizando as folhas e o talo do abacaxi e de outras plantas da mesma família, como o sisal ou o curauá, apesar de terem identificado matéria-prima de grande utilidade também na banana e no coco. No laboratório, folhas e talos são colocados em uma espécie de panela de pressão e se adicionam produtos químicos. A mistura é aquecida durante os vários ciclos que dura o processo e finalmente se obtêm um material muito fino que se parece ao talco. Os pesquisadores asseguram que uma libra (0,45 quilos) de nanocelulose é suficiente para produzir 100 libras de plástico forte e ao mesmo tempo leve.

 

No entanto, produzir nanocelulose é caro. Alcides Leão explica que isso é porque o processo que está sendo utilizado não foi desenhado para produzir fibras de nanocelulose, mas papel Kraft, de maneira que seria necessário submetê-lo a uma série de adaptações que elevariam seu custo.

 

No entanto, Leão diz que os automóveis fabricados com estes materiais naturais não deveriam ser mais caros pelo fato de que a ele são agregados materiais novos ao produto final.

 

“Não podemos trabalhar nessa direção, isso mataria toda a idéia. Temos que trabalhar com base no conceito de que o preço será o mesmo e que inclusive poderemos economizar”, afirma o pesquisador. “Provavelmente o preço do material será um pouco mais elevado, mas o peso das peças e o custo de sua produção serão menores. Portanto, se paga mais pela matéria prima, mas menos pelo seu uso”.

 

Por outro lado, Leão tampouco pensa que o uso dos produtos alimentares como as frutas gerarão a mesma controvérsia produzida pelo uso de cultivos para a produção de biocombustíveis.

 

“Não deveríamos chegar ao ponto de competir com a alimentação. Nosso compromisso é trabalhar com material agrícola residual, com o qual agregamos valor a toneladas de biomassa que também seria descartada”.

Leão e seu grupo também estão trabalhando para incluir nanocelulose na fabricação de instrumentos para biomedicina e odontologia, áreas nas quais, assegura, 100% da matéria-prima poderia vir de compostos naturais.

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