Ciencia España , Salamanca, Jueves, 15 de diciembre de 2011 a las 14:53

Fungo melhora o desenvolvimento de tomates e pepinos

Cientistas do Centro Hispano-Luso de Investigações Agrárias (Ciale) pesquisam a possibilidade de utilizar a biotecnologia em cultivos de interesse agronômico

José Pichel Andrés/DICYT Um grupo de cientistas do Centro Hispano-Luso de Investigações Agrárias (Ciale) da Universidade de Salamanca está trabalhando com o gênero de fungos denominado “Trichoderma”, que defende muitas plantas de inúmeros organismos patogênicos e que, segundo pesquisas recentes, também tem uma influência positiva no crescimento de cultivos de interesse agronômico como o tomate e o pepino. Concretamente, os pesquisadores determinaram que uma proteína deste fungo estimula o crescimento das raízes e, portanto, aumenta o aporte de nutrientes aos cultivos.

 

Encontramos uma proteína de “Trichoderma” que intervém na produção de “pêlos” nas raízes laterais do tomate e do pepino”, explica a DiCYT Enrique Monte, pesquisador do Ciale que lidera o grupo. “Trichoderma” tem um “efeito auxina”, hormônio vegetal que permite o desenvolvimento de raízes laterais nas plantas. Quando o fungo coloniza uma planta, interessa-se por mais raízes para ter uma maior superfície de atuação. O “Trichoderma” estimula a planta por meio das auxinas, de modo que a raiz é maior e mais densa e o fungo, por sua vez, dispõe de uma superfície maior para crescer.

 

A grande novidade das últimas pesquisas da equipe do Ciale está na descoberta de que o “Trichoderma” produz “pêlos que aumentam a capacidade de captação de nutrientes nas raízes”. Cada raiz lateral tem pêlos que aumentam a superfície de absorção de nutrientes e isso implica maior crescimento”, afirma o pesquisador.

 

Para comprová-lo, os cientistas trabalharam com três experimentos simultâneos. Em primeiro lugar, utilizaram uma cepa silvestre de “Trichoderma”, isso é, em seu estado natural; em segundo lugar, uma cepa com o gene que produz a proteína em questão sobre-expresso, de modo que gera mais proteínas que o habitual; e finalmente, outra cepa também modificada geneticamente para que produza estas proteínas.

 

Quando cada uma das três cepas do fundo põe-se em contato com o tomate e com o pepino, os cientistas analisam se produzem mais “pêlos” nas raízes, ao mesmo tempo em que medem o conteúdo de nutrientes das plantas. Assim comprovaram que possuem mais nutrientes as plantas colocadas em contato com as cepas que têm o gene sobre-expresso, seguidas pelas que estiveram em contato com a cepa silvestre e, em último lugar, as que não produzem a proteína.

 

Em qualquer caso, o mais importante para a aplicação prática desta descoberta são os resultados obtidos em cultivos de tomate e pepino. Os efeitos do “Trichoderma” parecem claros: as plantas são “mais precoces, estimula-se a germinação das sementes e apresentam maior resistência a estresses ambientais como secas, ou a altas e baixas temperaturas”, afirma o pesquisador.

 

Mecanismos de defesa

 

Do ponto de vista técnico, os mecanismos pelos quais o fungo atua, especialmente para defender a planta de ameaças, são bem conhecidos pelos cientistas. O “Trichoderma” ativa a rota de sinalização do ácido jasmônico, o que se chama defesa ISR (sigla em inglês para Resistência Sistêmica Induzida). Ademais, no primeiro contato com o “Trichoderma” aumentam os níveis do ácido salicílico da planta, ao que se dá o nome de defesa SAR (Resistência Sistêmica Adquirida).

 

Enrique Monte explica que o fungo atua de modo muito semelhante a uma vacina. “Em um primeiro momento, a planta reconhece o “Trichoderma” como um patógeno, mas após verificar o que é, deixa-o passar. O fungo estimula uma espécie de vacinação, porque em contato com a raiz estimula o ácido jasmônico. Se chega um patógeno pela via aérea, como um inseto, a planta se defende melhor. Nestes processos também o etileno tem um papel importante, bem como o ácido abscísico (ABA). Os cientistas do Ciale conseguiram explicar a relação entre todos estes elementos induzida graças ao fungo e que, definitivamente, contribuem para defesa e o desenvolvimento das plantas.