Science Mexico México, Tuesday, February 07 of 2012, 14:34

Fungos atacados com sais minerais

Especialista do Centro de Investigação e Desenvolvimento pretendem criar um produto de origem vegetal ou microbiológica

Agência ID/DICYT Especialistas do Centro de Investigação em Alimentação e Desenvolvimento (CIAD A.C.), Unidade Culiacán, desenvolveram um fungicida a partir de silicato de potássio capaz de controlar o oídio das cucurbitáceas (pepino, abóbora, melão e melancia, dentre outras culturas).

 

Esta doença é provocada pelo fungo Sphaerotheca fuliginea (Podosphera xantii), que faz com que as folhas da planta adquiram um aspecto de pó, como o talco. Quando as folhas estão completamente cobertas, são incapazes de realizar a fotossíntese, de modo que tendem a secar antecipadamente, o que faz com que os frutos amadureçam antes do tempo e com má qualidade.

 

De acordo com o doutor Raymundo S. García Estrada, pesquisador do CIAD, o Sphaerotheca fuliginea desenvolveu resistência aos fungicidas químicos seletivos freqüentemente utilizados, o que forçou a busca por um produto de origem vegetal ou microbiológica.

 

Para tanto, o pesquisador utilizou diferentes materiais como óleos de cártamo, girasol, oliva e neem, bicarbonato de potássio, silicato de potássio e fosfato monobásico de potássio, além de extrato de plantas.

 

García Estrada avaliou o feito destes materiais nos últimos seis anos em cultivos de pepino de mesa e europeus, com duas concentrações de silicato de potássio diluídas em água, às quais se agregou óleo hidrogenado poliglicolisado como dispersante, além de emulsificantes.

 

Uma vez realizados os estudos, o especialista deste Centro Público de Pesquisa, Conacyt, determinou que o silicato de potássio é a melhor opção para controlar o fungo, além de não produzir efeitos fitotóxicos.

 

O pesquisador do CIAD afirma que o fungicida elaborado a partir deste sal mineral deve ser aplicado nas folhas da planta quando apareçam as primeiras evidência do oídio; no entanto, as doses são ajustadas de acordo com a idade das plantas e a quantidade de folhas.

 

Na continuação dos estudos, García Estrada descobriu que o silicato de potássio também é um excelente fertilizante, pois beneficia a produtividade e a qualidade da planta, além de protegê-la do estresse que ocasionam as baixas temperaturas.

 

Apesar da maior parte dos testes terem sido realizados nas estufas deste centro de pesquisa, García Estrada assegurou que esteve em contato com produtores agrícolas que permitiram que avaliasse a eficácia do produto em seus campos de cucurbitáceas.

 

Do mesmo modo, explicou que estabeleceu contato com uma companhia de Culiacán que deseja comercializar o produto, de modo que iniciaram os trâmites para patentear o fungicidade do silicato de potássio.

 

Ainda que esta pesquisa tenha começado há seis anos, García Estrada e seus colaboradores continuam colhendo frutos, pois não apenas contam com uma publicação na Revista Mexicana de Fitopatologia, como também descobriram que o silicato de potássio pode controlar outras doenças das hortaliças.

 

Importante notar que este projeto de pesquisa é financiado pela Fundação Produz de Sinaloa, bem como pelos Fundos Mistos do governo do estado de Sinaloa e do Conacyt.