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Ciencia España
Burgos, Lunes, 12 de septiembre de 2011 a las 11:41

Hominídeos de 800.000 anos atrás planejavam a aquisição, transporte e preparação de peças de caça

Artigo publicado na revista Journal Human Evolution revela a complexa organização social destes habitantes da jazida de Atapuerca
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Rubén Arranz/DICYT Os hominídeos que viviam em Atapuerca há 800.000 anos utilizavam distintas estratégias para caçar, iam em grupos com um número variável de membros e transportavam as peças até sua caverna de forma distinta. Estes fatos, deduzidos através de diferentes restos de animais encontrados nos últimos anos nesta jazida de Burgos, demonstram que estes Homo antecessor tinham uma “grande complexidade social” e “capacidade para organizar-se”. Assim revela um artigo do Instituto Catalão de Paleontologia Humana e Evolução Social (IPHES) publicado na revista científica Journal Human Evolution.

 

Dependendo de suas necessidades, do número de participantes na caça ou da distância de seu lar, entre outros fatores, estes humanos primitivos transportavam a peça inteira até a base ou extraíam as partes que consideravam mais valiosas e abandonavam as menos úteis no lugar da caça, explicou a DiCYT a pesquisadora principal do artigo, Palmira Saladié.

 

Normalmente, se as peças obtidas eram pequenas, eles ficavam com toda a carcaça, mas, no entanto, se eram grandes faziam uma seleção. “Se era possível esquartejá-las no lugar da matança, transportavam-nas cortadas em pequenas partes (até a caverna) e, uma vez ali, cortavam-nas em partes ainda mais pequenas para manipulá-las e compartilhar a carne e outros nutrientes com o resto do grupo, tivesse ou não participado da caça”, ressaltou a pesquisadora, que por sua vez afirmou que se deve saber que, neste sentido, poderiam influenciar nestas determinações a hora do dia, a distância até a base ou a presença de outros carnívoros no ambiente.

 

Conhecidos estes comportamentos, a pesquisa concluiu que nem sempre executavam as mesmas estratégias, mas variavam dependendo de suas necessidades. “Nem sempre todos saiam à caça ou nem sempre saíam juntos, de modo que provavelmente transportavam o animal caçado à caverna para poder compartilhar com outros hominídeos”, ao invés de comer a carne, as vísceras e a gordura extraídas no lugar em que o animal havia sido abatido, explica a especialista. Isso também poderia indicar que entre os habitantes da jazida de Gran Dolina, na Atapuerca do Paleolítico médio, havia uma repartição de tarefas.

 

Mais de 4.000 restos analisados

 

O estudo destes pesquisadores fundamenta-se na análise de 4.411 restos de fauna (cervos, cavalos, grandes bovinos, rinocerontes, ursos, bisões) encontrados nos últimos anos, assim como de 163 restos de Homo antecessor. A este respeito Saladié afirma que eram canibais, de maneira que o estudo destes restos, que também levavam à caverna provavelmente com a carcaça inteira, aportou informação ao estudo.

 

Iniciado em 1999 com material encontrado em escavações realizadas entre 1994 e 1996, um dos principais dilemas que enfrentaram os pesquisadores participantes deste trabalho referia-se à dúvida de estes hominídeos realmente serem capazes de caçar grandes peças ou, do contrário, limparem as peças previamente devoradas por outros carnívoros.

 

A presença de marcas de corte realizadas com facas de pedra nestes animais foi determinante para que os pesquisadores concluíssem que o próprio Homo antecessor matava estes animais. “Se esse animal tivesse sido atacado primeiro por um leão ou uma hiena, não encontraríamos as costelas, pois costumam destroçar a caixa torácica. Em caso de encontrar algum fragmento não haveria marcas de corte porque não teriam deixado carne. E o que estamos vendo é que tiveram acesso a todos os recursos oferecidos por uma carcaça grande”, expôs.

 

Neste processo, os humanos extraíam as vísceras, o cérebro, toda a carne e quebravam os ossos para retirar as vísceras. Se um carnívoro houvesse tido acesso antes a esta peça, os hominídeos não poderiam disfrutar de todos estes recursos, agregou. No entanto, afirma que em alguns ossos foram encontradas marcas de dente de carnívoros, mas estas tinham sido produzidas depois de que estes homens primitivos tivessem usufruído das carcaças.

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