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Ciencia España
León, Lunes, 15 de febrero de 2010 a las 16:33

Identificada na Espanha a presença do parasita responsável pela Leishmaniose em gatos

O pesquisador da Universidade de León, Miguel Ángel Tesouro, colabora com a pesquisa
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AMR/DICYT Um grupo de pesquisadores das universidades Complutense de Madri e de León identificaram pela primeira vez através de métodos moleculares na Espanha central a presença de Leishmania infantum em gatos. Este protozoário é responsável pela doença conhecida como leishmaniose, que acomete 12 milhões de pessoas em todo o planeta. Através de métodos moleculares, os cientistas demonstraram a existência de gatos infectados com o parasita da espécie Leishmania que se desenvolve na zona mediterrânea, na Comunidade Autônoma de Madri. Além do homem, a principal vítima deste protista são os cachorros, razão pela qual a descoberta permitirá um aprofundamento do conhecimento sobre a expansão deste patógeno a outras espécies.

 

A pesquisa faz parte da tese doutoral de Tânia Ayllón, da Complutense, dirigida por Ángel Sainz, e nela colaborarou o vice-reitor da Faculdade de Veterinária Miguel Ángel Tesouro. “É muito importante encontrar a soroprevalência destes agentes não habituais em novos portadores, para controlar os diferentes fatores desta doença”, explicou a DiCYT o pesquisador. O rastro da Leishmania infantum foi encontrado através da detecção de anticorpos no organismo de gatos, isto é, o sistema imunológico destes animais tinha desenvolvido um sistema de defesa depois de receber a visita dos agentes patógenos. Para conseguir este resultado os cientistas analisaram a soro-reatividade deste organismo junto a outros causadores de doenças animais nestes animais domésticos, mediante técnicas de PCR.

 

A detecção dos anticorpos foi mais comum em gatos mais velhos, assim como em animais positivos ao vírus da imunodeficiência felina. Em todos os casos, a soropositividade foi inferior à encontrada em cachorros do mesmo entorno, segundo dados da tese doutoral. Os gatos soropositivos apresentavam incômodos estomacais ou quadros de tipo cutâneo e, a nível molecular, uma linfocitose relativa, entre outros sinais. Junto a este protozoário, os cientistas analisaram também a presença de outros agentes: entre eles as bactérias Ehrlichia canis e Anaplasma phagocytophilum. Cerca de 10% dos gatos analisados eram soropositivos em erliquiose, enquanto uma porcentagem um pouco menor (8,4% aproximadamente) possuíam anticorpos de anaplasmose. No caso da erliquiose, doença animal que não atinge o ser humano, “existem poucos casos descritos em gatos”, afirma Tesouro, catedrático de Medicina e Cirurgia Animal da Universidade de León e precursor dos estudos de leishmaniose na Espanha desde 1980. De todos os agentes analisados, Leishmania infantum é o único que não se relaciona sorologicamente com o resto. Neste trabalho científico foram analisados mais de 500 gatos domésticos.

 

Leishmaniose

 

Nos seres humanos, o protozoário Leishmania causa complicações orgânicas múltiples, especialmente viscerais ou cutâneas, como escamações ou úlceras. Segundo explica Tesouro, uma vez dentro do organismo, o agente ataca os macrófagos, células do sistema imunitário que ingerem células mortas ou partículas estranhas, destruindo-as e reproduzindo-se a partir das mesmas. A importância no avanço da pesquisa desta doença está, segundo indica o pesquisador, “em que o tratamento não alcança nenhum tipo de cura”. A espécie encontrada na Espanha, Leishmania infantum, produz tanto manifestações cutâneas (espinhas que demoram meses para sumir e podem deixar cicatrizes), quanto viscerais (no baço, fígado e medula óssea). Existem, ademais, outras espécies mais agressivas na Índia, norte da África e América do Sul.

 

O vetor da doença é a mosca da areia ou borrachudo (gênero Phlebotomus), que é quem determina áreas endêmicas. No caso da Espanha, em relação à leishmaniose (também conhecida tradicionalmente como Kala-Azar), as zonas em que se encontra este inseto ampliaram-se no último século. No inicio do século passado, eram encontrados no arco mediterrâneo. Nos anos 30 e 40 começaram a detectar-se em Madrid, Zaragoza e zonas da Extremadura. Nesta última década, passou a ser observado no interior de Orense e na comarca de El Bierzo.

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