Social Sciences Portugal , Oporto, Thursday, September 19 of 2019, 13:23

Infertilidade: Mulheres com mais stress correm maior risco de depressão a longo prazo

As mulheres com mais stress relacionado com problemas de infertilidade têm o dobro do risco de receberem prescrição de antidepressivos nos 10 anos após o inicio do tratamento

UP/DICYT Um estudo realizado por Juliana Pedro, estudante de Doutoramento em Psicologia da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e investigadora do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP), concluiu que as mulheres que apresentam elevados níveis de stress relacionado com a infertilidade apresentam um risco acrescido de receberem uma prescrição de antidepressivos, dez anos após os tratamentos de infertilidade a que foram sujeitas.

 

O trabalho, publicado recentemente na revista “Human Reproduction”, foi desenvolvido no âmbito do programa de mobilidade que Juliana Pedro realizou na Dinamarca, entre abril e junho de 2018.

 

Desenvolvido sob orientação científica das professoras Mariana Veloso Martins (FPCEUP) Lone Schmidt (Universidade de Copenhaga), o estudo teve como objetivo perceber o impacto do stress geral e stress específico relacionado com a infertilidade no início dos tratamentos na saúde mental a longo prazo. Para isso, os investigadores recorreram a duas bases de dados da Dinamarca: um registo nacional de todos os tratamentos realizados entre janeiro de 2004 e setembro de 2009 (DANAC I) e uma base de dados resultante do COMPI Research Programme (Copenhagen Cohort Multi-centre Psychosocial Infertility), um estudo que procurou investigar as questões psicossociais da infertilidade e tratamentos.

 

Os dados foram cruzados com o registo nacional de prescrição médica e os participantes foram seguidos até à primeira prescrição ou dezembro de 2009. No total, o estudo envolveu 1009 mulheres com idade média de 32 anos e atentar engravidar há cerca de 3.5 anos.

 

Verificou-se que as mulheres que apresentavam elevados níveis stress relacionados com a infertilidade, nas componentes pessoal e marital, tinham maior probabilidade de receber uma prescrição de antidepressivos nos dez anos seguintes. Os resultados mostraram ainda que, apesar de este risco ser maior para aquelas que não tinham conseguido alcançar o objetivo de ser mães, o risco mantém-se mesmo para aquelas que tiveram filhos durante este período de 10 anos.

 

De acordo com Juliana Pedro, “estes resultados reforçam a importância do screening e avaliação antes da realização de tratamentos de infertilidade, e da presença de profissionais de saúde mental nos cuidados de saúde reprodutiva e procriação medicamente assistida”. Por outro lado, “o impacto psicológico da infertilidade poderia ser alvo de intervenção de forma a prevenir situações de risco psicológico e necessidade de medicação antidepressiva”, completa a investigadora.

 

O estudo recebeu destaque na impressa internacional, nomeadamente nas revistas Focus on Reproduction, da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, e BioNews.