Ciencia Portugal , Faro, Jueves, 05 de diciembre de 2013 a las 10:32

Novas biotecnologias para tratar águas residuais industriais

Inicia-se um projeto europeu coordenado pela Universidade de Salamanca com a participação de outros cientistas espanhóis, portugueses e franceses, e diversas pequenas e médias empresas

JPA/DICYT Ao longo dos próximos quatro anos o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Água (CIDTA) da Universidade de Salamanca coordenará o projeto europeu ‘BIOMETAL DEMOnstration plant for the biological rehabilitation of metal bearing-wastewaters’, que aplicará novas biotecnologias para o tratamento de águas residuais contaminadas com metais. Da iniciativa participam a Universidade Complutense de Madrid, o Centro de Ciências do Mar do Algarve (Portugal), a Escola de Minas de Alès (Francia) e várias pequenas e médias empresas. Para testar a viabilidade da proposta, serão construídas plantas piloto em Valladolid e na mina de urânio portuguesa de Urgeirica.

No dia 03 de dezembro foi realizado em Salamanca um encontro de todos os participantes para iniciar o projeto, inserido na última convocatória do VII Programa-Quadro da União Europeia e que contará com um orçamento de 4,33 milhões de euros. Manuel García Roig, diretor do CIDTA, explicou em declarações coleadas pela DiCYT que serão desenvolvidas duas metodologias, já experimentadas em laboratório: a bioprecipitação de metais e bioadsorção de metais.

Bioprecipitação por meio de microrganismos

Para conseguir a bioprecipitação de compostos químicos insolúveis, “existem determinadas bactérias e microrganismos que têm a capacidade de retirar metais da dissolução e precipita-los como resíduos sólidos, de modo que a água fica limpa”, explica o especialista. São tratamentos terciários, porque realizam-se como continuação dos tratamentos secundários de carácter físico-químico tradicionais que “não funcionam com os metais mais tóxicos”. Nestas águas contaminadas, “normalmente existem muitos sulfatos, as bactérias sulfato-redutoras os reduzem a sulfuretos e os sulfuretos, na presença de metais, precipitam automaticamente ao fundo do reator. O mesmo acontece com os fosfatos”, indica.

Bioadsorção com subprodutos agro-alimentícios

No caso da bioadsorção, o objetivo é utilizar subprodutos de outras industrias para que adsorvam os metais das águas contaminadas. Existem muitos exemplos e um deles procede da indústria da carne de porco. “Do porco se aproveita tudo exceto as patas e os pelos, que vão ao aterro. Contudo, contém uma proteína pura que é a mais abundante do planeta, a queratina, que tem a propriedade de adsorver metais destas água contaminadas”, afirma Manuel García Roig. A beterraba, um subproduto da indústria do açúcar, também serve para ‘bioadsorver’ os metais que estão em uma dissolução aquosa. Com estes procedimentos, a água fica limpa de metais, que se concentram nestes produtos, que despois são descartados “e, inclusive, podem ser reciclados, depositando os metais em um lugar adequado para reutilizar a biomassa”.

Para desenvolver os dois métodos é necessário construir reatores nos quais a água contaminada a ser depurada deve permanecer durante um determinado período. A água que sai deles deve estar suficientemente descontaminada para voltar aos leitos públicos e servir para a irrigação agrícola, por exemplo.

Plantas piloto

Os dois primeiros anos deste projeto serão dedicados à pesquisa básica destes bioprocessos. Nos dois últimos anos foram desenvolvidas as plantas piloto em duas indústrias representativas com efluentes metálicos. Uma delas é a mina de urânio de Urgeirica, situada cerca de Viseu (Portugal). Outra é a empresa de galvanoplastia Industrial Goñabe, de Valladolid.

 

Se os teste nas plantas piloto forem positivos, se passaria a realizar o projeto e construção das plantas reais comerciais para os setores industriais com efluentes metalizados. A principal contribuição do projeto será implementar de forma real estas tecnologias, desenvolvidas até agora a pequena escala nos laboratórios.

“Uma parte importante do projeto é a análise final de carácter econômico acerca do custo de depurar o metro cúbico de água real da indústria. Se a construção destas plantas for factível e economicamente sustentável, as empresas do setor da água poderiam fabricar plantas reais”, comenta o diretor do CIDTA.

O consórcio

O consórcio está constituído por quatro equipes de pesquisa, o CIDTA da Universidade de Salamanca (coordenador científico), o grupo de Metalurgia Extrativa/Biohidrometalurgia da Universidade Complutense, o grupo de pesquisa ambiental do Centro de Ciências do Mar do Algarve (Portugal) e o laboratório de Engenharia Ambiental da Escola de Minas de Alès (Francia), além das empresas Contactica S.L. (coordenadora), Industrial Goñabe, LCW Consult S.A., Serviecologia e Tratamento de Águas S.L. e Hydrolab S.L.