Ciencia Ecuador , Ecuador, Miércoles, 09 de enero de 2013 a las 12:13

O uso de “códigos de barras” genéticos revela que a diversidade de aves na Amazônia está subestimada

De acordo com um estudo internacional, liderado pelo Museo Nacional de Ciências Naturais (CSIC), as aves florestais amazônicas mostram uma grande diversidade de linhagens genéticas em seu DNA mitocondrial

MNCN/DICYT A avifauna da Amazônia está pouco explorada, motivo pelo qual sua riqueza de espécies esta subestimada, o que também ocorre em outras regiões tropicais. A maioria das espécies de aves amazônicas foram descritas no século XIX e desde então a exploração taxonômica avançou a conta-gotas.

 

Conhecer a diversidade tropical requer informação precisa sobre a variação geográfica das espécies, e a delimitação clara dos táxons exige amostras intensivas em áreas muito amplas e análises exaustivas de dados fenotípicos e moleculares. É assim que podemos apreciar a dificuldade do objetivo, já que apenas existem estudos filogeográficos de 1% das mais de 1.000 espécies de aves.

 

Um instrumento eficaz para abordar esta ingente tarefa é proporcionado pela biologia molecular. Através do uso de marcadores de DNA mitocondrial é possível descrever os padrões genéticos das espécies capazes de revelar linhagens divergentes, os quais podem indicar a existência de espécies novas. Ainda que os dados moleculares não sejam suficientes para designar espécies, quando combinados com dados fenotípicos, como a coloração da plumagem, o canto ou o comportamento, constituem uma boa ferramenta para identificá-las.

 

Um estudo em que participaram o Museu Nacional de Ciências Naturais, o Museu Real de Ontario (Canadá), e as Universidades da Califórnia e Tulane (EUA), rastreou a variação do gene mitocondrial COI em 41 espécies de aves de bosques neotropicais do Equador e da Guiana Francesa. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista PLos ONE.

 

Um estudo demonstra que na Amazônia, no entanto, existem muitas linhagens intra-específicas diferenciadas tanto genética, quanto fenotipicamente, o que sugere a existência de espécies que ainda não foram descritas. Do mesmo modo, não se pode descartar a possibilidade de que as linhagens intra-específicas sejam mais antigas no trópico, já que pode ser que as taxas de especiação sejam mais rápidas nas áreas de clima temperado do que nas regiões tropicais.

 

“Estes resultados podem ter importantes repercussões para o estudo e a conservação da diversidade tropical. Na Amazônia o grupo de aves foi considerado sempre como um dos mais bem descritos, mas analisando a superfície vemos que ainda faltam muitas espécies a serem descritas. Combinar os dados de marcadores moleculares com os traços fenotípicos é essencial para estabelecer limites entre espécies e contribuir de forma efetiva ao progresso taxonômico. Do mesmo modo, determinar o número exato de espécies é fundamental para estimar a diversidade tropical, entender os processos evolutivos que a criam, e conservá-la de forma eficaz”, explica Borja Milá, pesquisador do MNCN.