Ciencia Costa Rica , Costa Rica, Viernes, 27 de junio de 2014 a las 11:24

Os aspectos psicológicos que influem no rendimento dos futebolistas da Costa Rica

Um estudo com desportistas de elite da Costa Rica, em sua maioria jogadores de futebol, evidencia a importância de se levar em conta fatores psicológicos e sociais na hora de planejar os treinamentos

José Pichel Andrés/DICYT Milhões de pessoas estão de olho nos jogadores de futebol que participam do Mundial do Brasil nestes dias. São jogadores com grande talento e qualidades físicas, mas seu êxito depende, em grande parte, de que possam alcançar o melhor rendimento possível. Sem dúvida, a Costa Rica é uma das seleções que está conseguindo isso, porque na classificação da FIFA aparece em uma modesta colocação 34, mas está sendo a grande revelação do campeonato ao obter o primeiro lugar de um grupo no qual teve que enfrentar o Uruguai, a Itália e a Inglaterra, três países campeões do mundo. Antes do início do Mundial, dez jogadores da seleção costarriquense participaram, junto a muitos outros desportistas de elite, de uma ampla pesquisa sobre os aspectos que estão relacionados com o rendimento e com a recuperação, uma pesquisa que demostrou que não somente as questões físicas são importantes, mas também as psicológicas.

O responsável pelo estudo é Braulio Sánchez Ureña, pesquisador da Escola de Ciências do Movimento Humano e Qualidade de Vida da Universidade Nacional da Costa Rica, que se dedica a analisar os processos psicofisiológicos associados à recuperação do desportista. A revista científica Cuadernos de Psicología del Deporte publicou um artigo que explica este trabalho, do qual participaram desportistas costarriquenses de elite, entre eles, 10 dos jogadores que nestes dias estão defendendo com tanto êxito a camiseta costarriquense no Brasil. Suas conclusões podem influir no planejamento dos treinamentos, que deveriam levar em conta não somente os fatores biológicos.

Do estudo participaram 239 homens com vários anos de experiência na categoria máxima de sua disciplina desportiva, a maioria futebolistas (189), mas também jogadores de basquete e de futebol de praia, a quem foi aplicado um conhecido questionário de estresse-recuperação para desportistas (RESTQ-SPORT). A ideia era “avaliar um estado subjetivo que está relacionado com a percepção pessoal sobre os estímulos tanto do treinamento como da vida cotidiana que favorecem a recuperação ou precipitam o estresse”, explica o especialista à DiCYT.

Da pesquisa pode-se concluir que a preparação não deve levar em conta exclusivamente as cargas de treinamento, porque além da forma física, outros fatores à margem da atividade desportiva podem influir, como a qualidade do sono, e fatores estritamente psicológicos, como a pressão a que são submetidos os indivíduos.

O bom estado dos desportistas costarriquenses

 

Em geral, o estudo mostrou que os desportistas costarriquenses apresentam um estado de estresse-recuperação favorável sem muitas diferenças por idade, anos de dedicação a sua atividade ou lugar específico em campo, no caso dos jogadores de futebol. Isto é, “ainda que exista uma alta demanda sobre eles como desportistas que são, os espaços destinados à recuperação e as estratégias de combate ao estresse são suficientemente eficazes para que eles mantenham um perfil positivo”, comenta o pesquisador. Ao final deste trabalho, as pontuações de recuperação superaram os níveis de estresse tanto em relação à atividade desportiva por si só como em relação à vida cotidiana. Sem dúvida, os resultados do Mundial de Futebol parecem corroborar estas conclusões.

Braulio Sánchez destaca que “o desportista também é uma pessoa” e, consequentemente, tem uma dimensão pessoal, com eventos sociais ou econômicos que apresentam relevância no rendimento desportivo. “O desportista é um ser integral e sempre deverá ser avaliado sob esta perspectiva”, assegura.

A opinião do desportista

Esta linha de pesquisa ajuda a entender que a opinião do sujeito é válida e deve ser levada em consideração. “Muitas vezes os indicadores bioquímicos ou fisiológicos mostram que tudo está bem, mas talvez haja alguma outra situação que esteja afetando o rendimento desportivo”, aponta o especialista. Definitivamente, propõe “em termos muito práticos, não somente ter presente o controle e o manejo da carga de treinamento pelos métodos da biologia”.

Da publicação também participa o pesquisador espanhol Julio Calleja González, da Universidade do País Vasco, especialista na área da fisiologia do exercício e, em particular, na recuperação, que tem uma relação estreita com os cientistas costarriquenses. De fato, não é o único estudo que as duas partes realizaram conjuntamente.

Próximo objetivo: os Jogos Centro-Americanos e do Caribe

Esta linha de pesquisa não para por aqui. O próximo objetivo dos cientistas está centrado nas seleções costarriquenses que vão participar dos Jogos Centro-Americanos e do Caribe que acontecerão em Veracruz (México) de 14 a 30 de novembro de 2014. “Estes resultados podem ajudar a dirigir o processo de treinamento e, se for necessário, a estabelecer mecanismos interdisciplinares que favoreçam os processos de recuperação”, afirma Braulio Sánchez.

 

Referência bibliográfica  

 

Sánchez Ureña, Braulio; Ureña Bonilla, Pedro; Calleja González, Julio. Subjective levels of stress-recovery in athletes Costarican high performance. Cuadernos de Psicología del Deporte, vol. 14, 1, 103-108.