Ciencia Portugal , Castelo Branco, Miércoles, 03 de junio de 2015 a las 12:25
INESPO II

Os sites dos partidos políticos não promovem a comunicação com os cidadãos

Um estudo realizado pela Universidade da Beira Interior analisa as páginas web dos partidos políticos portugueses, mais orientadas para a difusão de mensagens do que para a participação

José Pichel Andrés/DICYT Um projeto de investigação da Universidade da Beira Interior (UBI) tem examinado ao longo dos últimos três anos os websites dos partidos políticos portugueses para estudar a forma como eles se comunicam com os cidadãos por esta via. Os resultados indicam que a interação é muito limitada: os partidos políticos não querem perder o controlo da mensagem e usam a internet como uma ferramenta de difusão, mas não para ouvirem os seus potenciais eleitores.


O estudo, que começou em março de 2012 e concluiu recentemente, enfatiza que a maioria dos cidadãos acede aos sites à procura de informações atualizadas, mas alguns esperam poder estabelecer um diálogo por meio de ferramentas que, aparentemente, favorecem a interação nos próprios sites ou nas redes sociais. A realidade é que, geralmente, os partidos não participam das conversas online nem dos diálogos que, se acontecerem, não ocorrem entre os políticos e os comentaristas, mas apenas entre os segundos, resultando uma comunicação “horizontal”, de acordo com as conclusões às que chegou a equipa de Joaquim Paulo Serra, professor catedrático do Departamento de Comunicação e Artes e investigador no Laboratório de Comunicação e Conteúdos Online da UBI.


Na análise foram tomados como referência os sites dos cinco partidos políticos com representação parlamentar: Centro Democrático e Social-Partido Popular (CDS-PP), Partido Social Democrata (PSD), Partido Socialista (PS), Partido Comunista Português (PCP) e Bloco de Esquerda (BE). Os investigadores estudaram as suas páginas web e realizaram testes para verificar o grau de interação com os cidadãos, como enviar e-mails ou fazer comentários nas notícias da web o da página do Facebook de cada partido.


Além disso, dentro deste projeto, um inquérito revelou que apenas 20% dos portugueses visita os sites dos partidos políticos e que, de entre eles, só o faz regularmente uma porcentagem ainda menor. Mais de metade dos cidadãos garante que não acede por não estar interessado em política, quase 20%, porque escolhe informar-se através dos média e cerca de 5% porque acha que nas páginas dos partidos apenas vai encontrar propaganda.


A metodologia incluiu também entrevistas com os responsáveis pela comunicação dos partidos para conhecer as suas estratégias, especialmente em redes sociais como Facebook, Twitter, Flickr, Youtube ou Instagram, embora quase nenhum partido tem contas oficiais em todas essas plataformas. Para complementar esta informação com opiniões dos cidadãos, também se realizou um “focus group”, técnica que reúne várias pessoas para debaterem.


Os responsáveis pelo projeto concluíram que a presença dos partidos políticos portugueses na internet não contribui para a realização dos seus objetivos no domínio das relações públicas, que deveriam estabelecer e manter ligações benéficas; no entanto, o fornecimento de informação prevalece sobre a promoção de uma vida política mais participativa. Uma situação semelhante acontece em outros países.


Apesar de que “a web 2.0 criou um novo espaço público para o debate e a conversa de orientação política”, os investigadores deste projeto afirmam nas suas conclusões que “não depende da tecnologia que haja implicações para a esfera pública”. A participação que se permite nos sites dos partidos políticos é mais uma “simulação” com fins persuasivos e propagandísticos.