Ciencia España , Salamanca, Jueves, 16 de abril de 2015 a las 14:56
INESPO II

Óxido nítrico é essencial para germinação de sementes

Instituto Hispano-Luso de Investigações Agropecuárias (CIALE) da Universidade de Salamanca começa a obter resultados dentro de um projeto europeu que visa proporcionar aos agricultores sementes de maior qualidade

José Pichel Andrés/DICYT Uma equipa do Instituto Hispano-Luso de Investigações Agropecuárias (CIALE) da Universidade de Salamanca verificou que o óxido nítrico (NO), uma molécula que regula diversos processos vegetais, é chave para a germinação das sementes. A descoberta faz parte de um amplo projeto que visa melhorar a qualidade das sementes e que desenvolvem investigadores de vários países europeus.

 

“O objetivo é compreender o impacto das condições ambientais nos processos relacionados com as sementes”, explica a DiCYT Óscar Lorenzo, investigador no CIALE. Fatores como a seca, a temperatura ou o passar do tempo podem influenciar a germinação das sementes ou o vigor com o qual crescerá a plântula, de modo que os cientistas querem saber que moléculas estão relacionadas com todos estes aspectos.

 

Até agora, os especialistas da Universidade de Salamanca obtiveram os seus primeiros resultados com a planta Arabidopsis thaliana, que serve como modelo para a investigação vegetal, mas a ideia é aplicar estes conhecimentos em culturas de interesse para os agricultores, como o tomate, o girassol ou a cevada, com que já trabalham os seus colegas europeus.

 

Em estudos anteriores, o Grupo de Fisiologia e Sinalização Hormonal de Plantas do CIALE já tinha analisado os fatores de transcrição, que são proteínas reguladoras fundamentais no crescimento das plantas, mas agora identificou também dois fatores diretamente relacionados com processos essenciais para a semente: a germinação e o acúmulo de reservas de ácidos gordos. Experimentos têm demonstrado que ambos dependem do óxido nítrico, um gás que tem funções muito importantes em todos os seres vivos.

 

No primeiro processo, “o óxido nítrico modifica um aminoácido específico e essa alteração promove a degradação do fator de transcrição que mantém a dormência da semente, permitindo-a germinar”. Este processo é crucial porque as sementes têm de germinar em um momento preciso para a planta ser viável, geralmente relacionado com a época do ano, independentemente das condições ambientais, tais como temperatura ou humidade, serem as mais apropriadas.

 

No segundo caso, o óxido nítrico desempenha um papel essencial para a semente acumular os ácidos gordos como oleico ou linoleico. Essas reservas servem para “alimentar” a nova plântula quando começa a se desenvolver. Além disso, do ponto de vista do ser humano, este processo é muito importante porque dá um grande valor nutricional às sementes que consume, como as leguminosas, por exemplo.

 

Além de executar muitas funções em vegetais e animais, o óxido nítrico é um gás de efeito estufa, razão pela qual parte do interesse desta investigação é também verificar as consequências que pode ter sobre a biologia da semente que continue a aumentar a sua concentração na atmosfera.

 

Garantir culturas viáveis

 

Em todo o caso, o objetivo principal do projeto é analisar todas as chaves para que as companhias que distribuem sementes possam oferecer um melhor produto e “que o agricultor saiba que 100% das sementes vão germinar e que 100% das plântulas geradas vão ser viáveis e sãs”. Para isso, os cientistas analisam cada variedade do ponto de vista genético e molecular e estudam as funções de cada molécula e como estas vão reagir às hipotéticas situações de estresse como as que teoricamente causará a mudança do clima, como secas ou aumento da temperatura.

 

A equipa de Óscar Lorenzo, com a incorporação de Isabel Mateos e Inmaculada Sánchez, já esteve a trabalhar por dois anos neste projeto, chamado de EcoSeed-Impacts of Environmental Conditions on Seed Quality (EcoSeed, “impacto das condições ambientais sobre a qualidade das sementes”), uma pesquisa que faz parte do programa European Knowledge Based Bio-Economy (KBBE), que se desenvolverá até o final de 2016, com a participação da França, Reino Unido, Alemanha e Áustria. O CIALE é o único representante espanhol.

 

Além de obter estes resultados com a planta modelo, os investigadores de Salamanca recebem sementes de plantas de interesse agrícola, como girassol ou soja, que já foram tratadas por outros parceiros do projeto, por exemplo, por processos de envelhecimento, a fim de identificar os componentes moleculares e ver como se comportam.