Ciencia España , Salamanca, Viernes, 20 de julio de 2012 a las 15:35

Pesquisa analisa as chaves genéticas da mastocitose

O centro de Investigação do Câncer de Salamanca e a Rede Espanhola de Mastócitos pretendem identificar novos fatores genéticos que permitam prever a evolução e gravidade da mastocitose sistêmica

PAD/JPA/DICYT O Centro de Investigação do Câncer (CIC) de Salamanca e a Rede Espanhola de Mastocitose (REMA), com sede em Toledo, iniciaram um projeto de pesquisa que pretende desentranhar as chaves genéticas de uma doença rara, a mastocitose sistêmica, que se caracteriza por um aumento anormal no número das células conhecidas como mastócitos. Esta patologia provoca lesões na pele e sua gravidade varia muito segundo os casos e tem evoluções muito dispares.  Assim, os pesquisadores querem encontrar as chaves genéticas que poderiam explicar a transição de uma mastocitose indolente a uma mastocitose grave.

Sob o título “Identificação de fatores genéticos preditivos de progressão clonal em mastocitoses sistêmicas” e com um financiamento de 76.400 euros para três anos proporcionada pela Fundação Ramón Areces, o projeto implica vários pesquisadores, sendo os principais Alberto Orgao, do CIC, e Luis Escribano, do REMA, como pesquisadores sênior. Luis Escribano é um dos maiores especialistas nesta doença no mundo.

 

A mastocitose é um doença classificada como rara, por sua incidência (na Espanha se conhecem 2.400 casos), e consiste em uma alteração dos mastócitos, células do sistema imunológico que nascem na medula óssea e se distribuem a áreas do corpo expostas ao exterior (pele, mucosas, aparelho digestivo) para atuar como barreira defensiva, conforme explicou a DiCYT o diretor do projeto Andrés García.

 

A mastocitose sistêmica desenvolve-se quando os mastócitos se acumulam de maneira anormal nos diferentes tecidos, provocando alterações sistêmicas que se manifestam em forma de urticária e manchas na pele nas formas mais leves ou indolentes, e afetam a órgãos internos com risco para a vida do doente nas manifestações mais graves. Inclusive a forma indolente cutânea é perigosa, já que se associa a choques anafiláticos graves de picadas de insetos.

 

“O tratamento normal é sintomático”, aliviando os incômodos, ainda que também seja possível usar quimioterapia”, comenta Andrés García. Este tratamento, mais agressivo e com fortes efeitos secundários, somente está indicado quando a doença afeta gravemente a esperança ou qualidade de vida do paciente.

 

Além da forma infantil, que provoca urticária pigmentosa em crianças, e que desaparece na puberdade em um grande número de casos, a forma adulta se divide em três grupos de pacientes de acordo com a forma detectada. Há casos que somente desenvolvem a forma leve, com manchas na pele, mas sem danos internos. Em outros pacientes não são produzidas alterações cutâneas, e detecta-se diretamente a forma grave. Por último, em um terceiro grupo de pacientes detecta-se uma evolução da forma dele a uma mastocitose sistêmica grave com afetação de órgãos internos. É sobre este terceiro tipo de doentes que o projeto se desenvolverá.

 

Objetivos do projeto

 

Estudos prévios do grupo identificaram uma alteração genética presente em 95% dos pacientes, uma mutação ativante do receptor c-kit. No entanto, esta alteração é comum à forma leve e grave da mastocitose. O objetivo perseguido pelo projeto é identificar possíveis alterações genéticas complementares, responsáveis pela evolução de uma mastocitose indolente a uma mastocitose sistêmica grave. Para tanto, estudaram o genoma completo de quatro a oito pacientes que sofreram esta evolução da doença através de técnicas de seqüenciamento genético massivo.

 

Uma vez identificadas as possíveis alterações, validam-se os resultados em um grupo independente de pelo menos 50 pacientes com formas indolentes e agressivas de mastocitose. A idéia é encontrar um marcador prognóstico que permita determinar se um doente com a forma indolente está suscetível a evoluir à forma mais agressiva da doença, permitindo um acompanhamento mais exaustivo, bem como decidir se um tratamento de quimioterapia, mais agressivo, é adequado.

 

Ademais, a longo prazo este trabalho também abre a possibilidade de encontrar novos alvos moleculares associados à doença e até agora desconhecidos, sobre os quais desenvolver novos medicamento para o tratamento da mastocitose.