Ciencia Colombia , Cundinamarca, Martes, 08 de enero de 2008 a las 12:00

Pesquisadores colombianos utilizam armadilhas de luz para estudar o estado de conservação do jaguar

A eficácia desta nova técnica foi constatada já em vários países como Brasil, Argentina e Bolívia

YC/NOTICYT/DICYT A selva protegida do Parque Nacional Amacayacu, situada na região amazônica colombiana, hospeda silenciosos habitantes, tímidos e de sentidos aguçados. Que preferem qualquer coisa a “sorrir para a foto” revelando seus segredos. São animais como os javalis, jaguatiricas, cachorros selvagens e, claro, jaguares, mitológico animal amazônico elevado pelos indígenas Huitoto à categoria de Deus, como descreveu em seus escritos Fernando Urbina, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia. Agora, ver estes deuses, assim como qualquer deus, não é fácil, e menos ainda no caso do jaguar que, tal como os felinos, é especialmente difícil de ser visto, “porque vive em baixas densidades (pelo seu tamanho e requerimentos energéticos), é noturno, de hábitos desconhecidos, tímido e de sentidos bem aguçados, fazendo com que fuja dos humanos. De modo que vê-lo em uma selva como a Amazônia, é algo bastante complicado”, explicou a NOTICyT o biólogo Esteban Payán, candidato a doutor na University College London de Inglaterra.

 

Payán utilizou a técnica denominada de foto-armadilha, um sistema de câmeras fotográficas unidas a um sensor de infravermelhos depositado em uma caixa de acrílico, a qual pode ser presa a um cadeado e amarrada aos troncos das árvores, comentou o pesquisador.

 

“No momento em que o animal passa em frente à câmera, o sensor o detecta e a câmera dispara; as fotos ficam marcadas com a data e a hora da exposição”. Deste modo, segundo Payán, com a técnica podem se identificar a rotina dos animais, horários de atividade e densidade populacional, entre outros dados que confirmam a eficácia do uso desta ferramenta.

 

De fato, a técnica foi utilizada em países como Brasil, Argentina e Bolívia, e é a primeira vez que se utiliza na Colômbia. “A foto-armadilha goza de popularidade no estudo de animais de hábitos secretos e marcados, ou seja, com manchas de pele, que permitem identificá-los e contá-los individualmente”, indicou o pesquisador.

 

Também no México, graças à implantação da técnica no projeto Jaguar, o pesquisador Rodrigo Núñez da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), constatou a recuperação da população de jaguares e pumas da Reserva da Biosfera “Chamela- Cuixmala”, na costa do estado mexicano de Jalisco.

 

Felinos em câmera escondida

 

Para que as armadilhas sejam eficazes, especialmente para os felinos, as câmeras devem estar situadas em árvores sobre os caminhos, já que estes mamíferos preferem usar os caminhos e estradas em que transitam os humanos, otimizando assim a possibilidade de captura da imagem. A respeito de seu manuseio, “geralmente se colocam duas foto-armadilhas frente a frente para capturar os dois lados do animal identificando-o plenamente depois, já que as suas marcas são assimétricas, evitando assim a contagem dupla”, indicou Payán.

 

De qualquer maneira, para se alcançar dados fidedignos dos grandes felinos são necessários cerca de mil armadilhas - noites, ou seja, o número de noites pelo número de estações operando. Com este critério mede-se a eficácia do trabalho. Uma vez processados os resultados, estes revelam abundância e densidade populacional do mamífero.

 

Assim, graças à implantação da técnica e à análise dos dados, Payán assegurou que no Amazonas a média é de 3.3 jaguares por cada 100 quilômetros quadrados. O que implica que no Parque Nacional Amacayacu, que tem uma extensão de 293.500 hectares, e onde o biólogo realizou a sua pesquisa, existem aproximadamente 100 jaguares.

 

No entanto, de acordo com o pesquisador, seriam necessários cerca de 500 exemplares para garantir a sobrevivência da espécie, pelo menos nos próximos 200 anos. “O parque é uma grande ajuda, mas é muito pequeno e a única área protegida suficientemente grande e com potencial para conter bastantes jaguares em longo prazo, é o Parque Cahuinari-Rio Pure e talvez o Parque Chiribiquete. Mas é necessário avaliar as populações destas Áreas Protegidas”, precisou Payán.

 

Para avaliar precisamente os mamíferos destas áreas, a técnica da foto-armadilha se apresenta como uma excelente opção, não apenas porque daria a oportunidade de conhecer a vida secreta de muitos animais, de acordo com as análises apropriadas, estimar medidas como presença ou ausência em diferentes habitats, tamanho de populações e conservação das mesmas, mas também porque é “uma técnica não invasiva, que além do mais nos permitiria conhecer a efetividade dos Parques Naturais que têm a função de proteger estas espécies”, referiu o pesquisador.

 

A instalação destas armadilhas fotográficas foi feita no Projeto de Conservação de Jaguares da Wildlife Conservation Society e no Programa de Carnívoros e Gente da Zoological Society of London. “Uma vez identificados os exemplares, em cinco anos podemos analisar tendências em saúde dos mesmos, densidade e outros aspectos denominados monitoramento populacional”, sublinhou Esteban Payan.

 

Deste modo, os fugazes mamíferos do Parque, entre os quais também estão os cachorros de orelhas curtas e os jaguares negros, seguirão debaixo da lente das câmeras de Payán, com a esperança de contribuir, não somente para revelar os segredos do “Deus jaguar”, mas também para conservar a sua imponente estirpe.