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Science Spain
Valladolid, Tuesday, July 17 of 2012, 14:21

Pesquisadores da Universidade de Valladolid medem a radiação solar ultravioleta em Malta

O laboratório de Atmosfera e Energia instalou ali dispositivos e sensores a partir dos quais obterá dados mais exatos sobre os perigos de exposição ao sol
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CGP/DICYT Os pesquisadores do Laboratório de Atmosfera e Energia da Universidade de Valladolid, Argimiro de Miguel e Julia Bilbao, colaboram com o Instituto de Energia Sustentável da Universidade de Malta em um projeto de pesquisa para medir a radiação solar ultravioleta (UV) neste país mediterrâneo. Através do trabalho, financiado pelo antigo Ministério de Ciência e Inovação (atual Ministério de Economia e Competitividade) sob o título Campanha de medidas de radiação solar, ozônio e aerossóis na região Mediterrânea, serão realizadas as primeiras medidas de radiação solar UV-A, UV-B e eritematosa em Malta. 

 

Conforme detalha a DiCYT Julia Bilbao, atualmente as medições de que dispõe o país foram deduzidas a partir de modelos, enquanto que com o apoio da Universidade de Valladolid “uma informação semelhante será deduzida, mas a partir de medidas reais”. “Neste momento, Malta não tem medições de radiação UV-B (causadora de queimaduras na pele) e se pretende deduzir destas medidas a radiação solar ultravioleta eritematosa, isso é, a responsável pelo eritema no ser humano, e a partir deste valor medir o que chamamos de índice ultravioleta (UVI) que é, como seu nome indica, um número que informa ao usuário o nível de exposição eritematosa ao que está submetido em um lugar e momento determinado”, explica.

 

De fato, os dados experimentais de UV-A, UV-B, eritematosa e índice UVI ajudarão a avaliar a verdadeira exposição de Malta à radiação solar ultravioleta. “Demoramos mais de um mês para realizar as medidas e descobrimos que, ainda que também estejamos na área mediterrânea, possuímos mais nebulosidade ao menos nestas épocas do ano”. Um dos objetivos do projeto, afirma o pesquisador, é esse, “comparar as medidas de Malta com as de outros lugares”.

 

Metodologia

 

Os dados que estão sendo registrados serão validados com dois modelos radioativos, com a idéia de obter valores históricos do índice UVI na região Mediterrânea. Esta tarefa será complementada com dados de outros países como, por exemplo, a Itália. A caracterização local dos níveis de UV nesta campanha será um primeiro passo para avaliar os fatores que afetam seu impacto sobre os seres humanos.

 

Por outro lado, os instrumentos das duas universidades fornecerão dados da radiação total (componentes direta e difusa), radiação UV (em diversas classes espectrais como UV-B, UV-A e eritematose), coluna de ozônio, carga de aerossóis e água precipitável. Desta maneira, obter-se-á uma caracterização completa da atmosfera no período de estudo.

 

Por outro lado, também será detectado o efeito dos aerossóis desérticos procedentes do Sahara sobre a radiação ultravioleta com medidas fotométricas e de satélites. Conforme explica a pesquisadora, “veremos a incidência de Malta, que está muito mais próxima do deserto, quando existe vento em uma direção determinada e pode estar submetida à chegada de aerossóis procedentes do deserto, de modo que constataremos sua incidência nas magnitudes mensuradas”, enfatiza.

 

Dez anos de colaboração

 

Estamos em contato com Malta através do programa Erasmus há aproximadamente dez anos, recentemente tivemos a idéia de realizar medidas desta magnitude da radiação solar ultravioleta, já que somos especialistas na matéria. Assim surgiu a idéia e para realizá-la pedimos um projeto ao Micinn e com base nele estamos desenvolvendo a campanha de medidas.

 

A colaboração entre Malta e a Universidade de Valladolid originou-se há dez anos com o intercâmbio de professores e alunos sob o Programa Erasmus. Desde então, aproximadamente 30 alunos da Universidade de Valladolid realizaram projetos de pesquisa no Instituto de Energia Sustentável. Esta colaboração resultou em um número elevado de publicações científicas enquadradas em diferentes aspectos da energia solar, energia do vento, energia em edificação, bombas de calor e contaminação atmosférica causada pelo transporte. Do mesmo modo, o professor Charles Yousif, do Instituto de Energia Sustentável da Universidade de Malta, com o qual se colabora, está desenvolvendo atualmente sua tese doutoral na Universidade de Valladolid.

 

Por outro lado, o Grupo de Pesquisa em Atmosfera e Energia da Universidade de Valladolid foca suas pesquisas na medida, modelização e avaliação da radiação solar UV e dos recursos solares. Participou em diferentes campanhas de medidas de campo dentro de projetos de pesquisa nacionais e europeus. Seus trabalhos e publicações focam-se na influência dos elementos atmosféricos, ozônio, nuvens e aerossóis nos níveis de UV-B e UV eritematosa recebidos na superfície terrestre e em estabelecer o impacto da UV sobre os ecossistemas e a saúde.

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