Ciencia España , Salamanca, Viernes, 20 de marzo de 2015 a las 18:07
INESPO II

Podcast, ferramenta para educação e promoção da leitura

A Universidade Pontifícia de Salamanca (UPSA) está a trabalhar no desenvolvimento de um clube de leitura virtual e sonoro que visa contribuir para a melhoria da expressão oral no sistema educacional

José Pichel Andrés/DICYT Aurora Pérez Maíllo e Chelo Sánchez Serrano, professoras da Faculdade de Comunicação da UPSA e membros da equipa de investigação “Media and Audiovisual Culture”, trabalham há anos nas possibilidades dos podcasts ―ficheiros de áudio que os usuários podem descarregar da Internet―, tanto para a popularização da rádio entre os mais jovens como para o ensino. Nesta linha, o seu projeto mais recente é a criação de um modelo de clube de leitura virtual e sonoro, onde os podcasts sejam a principal ferramenta de comunicação entre os usuários.

 

A iniciativa, chamada de “Livros no ar” (Libros en el Aire, LEA, por sua sigla em espanhol) está a ser desenvolvida ao longo do presente ano letivo 2014-2015 no Clube Universitário de Inovação (CUI), onde os alunos da UPSA desenvolvem distintos trabalhos de investigação. “Há clubes de leitura que têm como referência um site ou uma página no Facebook, mas o valor adicional de LEA é o seu carácter sonoro, pois parte das emoções que o leitor de um livro quer exprimir podem-se transmitir melhor com a voz” diz Marcos Barajas, aluno da Faculdade de Comunicação que trabalha neste projeto junto com as suas colegas Sheila Llorente e Ana Fernández del Campo.

 

Na verdade, LEA já trabalhou como clube de leitura nos últimos três anos na Faculdade de Comunicação. Cada participante pôde gravar nos estúdios de rádio recomendações literárias e pô-las à disposição dos outros. O objetivo era melhorar a expressão oral e as habilidades comunicativas, além de favorecer o podcasting e fortalecer os laços da comunidade universitária.

 

No entanto, a idéia agora é avançar mais um passo para criar um modelo a ser aproveitado por qualquer outro grupo, sem necessidade de ter um estúdio de gravação ou de rádio onde gravar. Isto é, o projeto pretende criar uma plataforma na Internet que sirva como referência para que escolas, universidades, bibliotecas ou qualquer grupo de pessoas interessadas na leitura possa utilizá-la para desenvolver o seu próprio clube de leitura sonoro onde carregar e descarregar os podcasts com recomendações literárias, uma espécie de blog ou rede social de leitura que se vai definir nos próximos meses, partindo da premissa de ser fácil de usar.

 

O conteúdo de cada peça sonora seria totalmente livre, mas os responsáveis de LEA apelam à criatividade para ir além da crítica literária convencional: os participantes podem ler uma parte do livro, continuar a história, estabelecer um diálogo, recriar o conteúdo com música e efeitos sonoros ou qualquer outra fórmula que incentive a leitura.

 

Esp@cioPodc@st

 

Este projeto é herdeiro do trabalho de Aurora Pérez y Chelo Sánchez à frente do grupo de investigação, quem na edição anterior do Clube Universitário de Inovação desenvolveram Esp@cioPodc@st (‘espaço podcast’), uma ideia para melhorar a expressão oral de crianças de 6-11 anos. Com a participação de estudantes da Faculdade de Informática e com as opiniões de professores de ensino primário, elaboraram uma plataforma web com exercícios de aquecimento, desenvolvidos sob a forma de leitura expressiva, entoação e pronúncia, e exercícios finais tais como imaginar uma história partindo de três palavras ou fazer uma entrevista.

 

Em Esp@cioPodc@st os alunos acedem a um ecrã inicial que imita um estúdio de rádio, onde eles podem gravar no seu computador ou dispositivo móvel; depois, os professores acedem do seu próprio dispositivo para corrigir os exercícios. Além disso, todos podem fazer críticas construtivas aos seus colegas. O primeiro protótipo, no qual colaboraram também os alunos Guillermo García, José Manuel Álvarez e Víctor Santamaría, foi testado por uma vintena de crianças que contribuiram a redefinir o seu design e usabilidade.

 

Desenvolver habilidades orais

 

Toda esta linha de investigação é especialmente importante porque no âmbito escolar “a oralidade não se desenvolve suficientemente”, afirma Chelo Sánchez, o que produz não só carências na expressão oral, mas mesmo na capacidade de escuta. Inserir este aspecto “permite desenvolver habilidades para se expressar e aumenta também a capacidade de concentração, escuta e compreensão”, assevera.

 

Aliás, é importante “educar para o uso crítico dos meios de comunicação”, comenta Aurora Pérez. Neste sentido, a rádio é um meio excelente como ferramenta de ensino porque “incentiva a imaginação” através da voz e dos sons. “Passamos o dia todo a escrever, mas não a falar", agrega a professora, especialmente nas escolas.

 

Em geral, a ideia deste grupo de investigação é que as novas tecnologias podem ajudar para a rádio chegar aos novos públicos, os jovens, que se identificam menos com este meio por terem crescido em um mundo dominado pelos ecrãs. No entanto, “do ponto de vista tecnológico, é muito simples fazer um podcast, enviá-lo e partilhá-lo nas redes sociais” e pode-se aproveitar esta vantagem para introduzir uma nova dimensão na sua relação com os meios e o ensino.