Ciencia Portugal , Aveiro, Martes, 26 de mayo de 2015 a las 19:46
INESPO II

Projeto destinado a dar a conhecer e proteger as árvores monumentais de Portugal

Ainda que Portugal seja um país particularmente rico em árvores monumentais e que a sua legislação esteja muito avançada, é necessário identificar e divulgar este património natural, segundo a Universidade de Aveiro

José Pichel Andrés/DICYT As árvores monumentais distinguem-se de outras da mesma espécie pelo seu porte particular, idade avançada ou pela curiosidade do seu desenho, atingindo um valor natural, histórico, cultural ou paisagístico especialmente elevado. Assim, pelas suas caraterísticas, tais como a altura da árvore, o diâmetro do seu tronco, a sua copa ou pelo facto de terem “testemunhado” acontecimentos históricos importantes ou terem, ainda, “protagonizado” mitos e lendas, fazem com que algumas árvores sejam classificadas de interesse público e, portanto, sejam protegidas pela lei.

 

Portugal é um país particularmente rico em árvores monumentais e possui a mais antiga legislação europeia sobre este assunto. O seu território, que está aberto para o Atlântico, mas também é influenciado pelo clima mediterrânico, encerra uma grande diversidade geológica e de paisagens, o que, aliado à sua história de expansão ultramarina, favoreceram a introdução de espécies exóticas, oriundas de outros continentes.

 

Apesar de todas essas condições favoráveis, “ainda há muito trabalho a fazer em termos de identificação, divulgação e proteção deste grande património natural”, afirma, em declarações, à DiCYT Raquel Pires Lopes, uma estudante de doutoramento do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, que está a desenvolver um projeto intitulado ‘Arvoredo classificado de interesse público em Portugal continental’.

 

Até agora, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já classificou 470 exemplares individuais como árvores monumentais e 82 conjuntos de árvores, em Portugal continental, num registo disponível para consulta pública (http://www.icnf.pt/portal/florestas/ArvoresPesquisa). Contudo, “infelizmente, a proteção não é uma garantia de preservação, já que, às vezes, muitas árvores são votadas ao abandono ou sofrem atos de vandalismo ou negligência por desconhecimento, como se constata nas redes sociais ou nos próprios lugares”, comenta a especialista.


“As árvores monumentais de Portugal ainda não são suficientemente conhecidas”, assegura, e “a falta de conhecimento é uma barreira para a sua proteção”; portanto, “é preciso investir na sua divulgação e formalizar novas propostas de classificação de árvores e conjuntos de árvores”, para o qual é essencial um papel ativo da sociedade civil.

 

Deste modo, o projeto de investigação tem como objetivo estudar a informação existente e dar um impulso ao conhecimento das árvores monumentais, através da implementação de iniciativas como roteiros botânicos. Este é um estudo pioneiro a nível nacional que começará com o envio de questionários aos municípios da Região Centro de Portugal, para determinar o grau de sensibilização dos funcionários e da população em geral e tentar melhorá-lo. “Só cidadãos informados podem salvaguardar este património”, afirma a especialista.

 

Embora o projeto esteja nas fases iniciais, já produziu alguns resultados, como por exemplo, no estudo comparativo da legislação nacional com a europeia. A lei portuguesa relativa à proteção de árvores monumentais, além de ser pioneira na Europa, também se encontra bem fundamentada, sendo abrangente e completa, quando comparada com a de outros países europeus. “Portugal define os critérios de classificação, especifica a necessidade de sinalizar os exemplares protegidos e determina as infrações a aplicar em caso de ações contra este património”, enfatiza. Pelo contrário, noutros países a legislação é vaga e omissa, sendo os países do sul da Europa os que apresentam maior desenvolvimento neste campo.

 

A título individual, Raquel Pires Lopes lançou, em 2014, uma iniciativa na rede social Instagram com a etiqueta #followmytree, que tem servido para divulgar imagens de mais de 400 árvores diferentes (https://instagram.com/followmytree/). Desde então, todos os dias uma nova árvore é apresentada, tanto pela sua vertente estética como científica, numa autêntica iniciativa de ciência participativa que não deixa de crescer, com o objetivo de contribuir para a divulgação e a proteção das árvores.

 

Verdadeiras joias naturais


Portugal possui a árvore mais alta da Europa, um eucalipto (Eucalyptus diversicolor Müller), com 72 metros de altura, localizado na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra. Também se destaca o ‘Pinheiro de Tibães’ de Braga, que com os seus 47 metros de altura e 4,11 de diâmetro é o maior pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton) de Portugal e, provavelmente, do mundo.

 

Pelo diâmetro do seu tronco, é particularmente notável o castanheiro de Tresminas (Castanea sativa Miller), em Vila Pouca de Aguiar, com 14,50 metros e 500 anos de idade; igualmente impressionante são os 11 metros de largura do ‘Eucalipto de Contige’ (Eucalyptus globus Labill), localizado no concelho de Sátão.

 

O carvalho (Quercus robur L.) mais antigo da Península Ibérica fica em Póvoa do Lanhoso, mas os seus 700 anos não são nada, quando comparados com várias oliveiras (Olea europaea L. var. europaea) espalhadas por todo o território português com idades superiors a 1000 e 2000 anos. A mais antiga delas encontra-se em Santa Iria de Azoia e tem 2850 anos.