Ciencia Portugal , Aveiro, Lunes, 15 de junio de 2015 a las 19:58
INESPO II

Projeto tenta preservar a Mata Nacional do Buçaco

Investigadores da Universidade de Aveiro desenvolvem o projeto Life+ BRIGHT para conservar a riqueza natural de uma área única, onde se destacam os adernos

José Pichel Andrés/DICYT A Universidade de Aveiro trabalha no projeto Life+ BRIGHT, promovido pela Fundação Mata do Buçaco, que visa preservar a riqueza natural da Mata Nacional do Buçaco, um local singular junto da serra do mesmo nome, na Região Centro de Portugal. Os investigadores estão especialmente preocupados com o controlo das espécies invasoras vegetais, que ameaçam um enclave singular dominado pelos adernos, um arbusto que ai adquire caraterísticas únicas.


A Mata Nacional do Buçaco possui uma riqueza extraordinária “não só em termos de património natural, mas também cultural, histórico, religioso, arquitetónico e militar, entre outros”, afirma em declarações à DiCYT Carlos Fonseca, investigador da Universidade de Aveiro. Em todo o caso, para os cientistas é especialmente valiosa a sua riqueza natural.


Em termos de fauna, esta Mata Nacional é refúgio de mais de 150 espécies de vertebrados e uns 1200 invertebrados, incluindo espécies raras, protegidas e endemismos da Península Ibérica que “são difíceis de ver em outros lugares”. No entanto, destaca-se especialmente a sua flora, que possui “uma coleção dendrológica de referência a nível europeu” e conserva “relíquias florestais que mantêm as características da vegetação da região antes da ocupação humana”.


Entre os seus vários habitats naturais, salienta-se o adernal, um ecossistema dominado pelo aderno (Phillyrea latifolia) “tão raro que até há pouco tempo era desconhecido”. Embora seja uma espécie relativamente comum e é descrito como um arbusto, na Mata do Buçaco “atinge 15 metros de altura e forma um bosque denso de particulares caraterísticas”, explica o especialista.


Uma ampla equipa do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro realiza trabalhos de investigação nesta área desde 2003, incluindo a caraterização exaustiva da fauna e da flora e as suas interações, um inventário de cogumelos, estudos de gestão florestal e atividades sobre a comunicação da ciência e da tecnologia.


Nesta fase, o projeto Life+ BRIGHT visa proteger este espaço natural, especialmente o adernal, por dois caminhos: controlo de espécies exóticas invasoras e promoção de espécies nativas de flora e fauna. “O foco do projeto tem caráter demonstrativo, vai servir como um campo de experimentação para novas técnicas de controlo das espécies invasoras e é pioneiro na participação da sociedade civil num projeto de conservação tão ambicioso”, assegura Carlos Fonseca.


As principais e mais problemáticas espécies invasoras são Acacia melanoxylon, Acacia dealbata, Pittosporum undulatum e Ailanthus altissima. Quanto às herbáceas, destaca-se Tradescantia fluminensis e, mais recentemente, Phytolacca americana. O problema é que “competem agressivamente com as espécies nativas por recursos naturais tais como o solo, a água ou a luz”. Crescem muito mais rápido do que as autóctones, causando graves desequilíbrios e até fazem desaparecer espécies de fauna e flora.


Atualmente, os cientistas aceitam que erradicar as espécies invasoras é quase impossível e por isso tentam técnicas de controlo que vão desde o arranque manual das plantas para a aplicação pontual e individualizada de produtos herbicidas.


Participação social


No quarto ano desta iniciativa, os investigadores sentem-se satisfeitos por terem atingido os objetivos de conservação e por terem implicado a sociedade. Na sua opinião, só é preciso definir mais claramente as estratégias de financiamento para o período pós-projeto, de modo a manter o trabalho em andamento.
Além do problema das espécies exóticas, a Mata Nacional do Buçaco está ameaçada por alguma ação de vandalismo ou negligência por parte de alguns visitantes, que se tentará impedir. Ao mesmo tempo, um outro problema são os restos lenhosos que ainda permanecem na floresta desde que passou o ciclone Gong em janeiro de 2013.


Finalmente, o projeto Life+ BRIGHT propõe-se sensibilizar o público e promover a divulgação científica com iniciativas onde, além da Universidade de Aveiro, também participam a Fundação Mata do Buçaco e a Câmara Municipal da Mealhada. Mesmo fora deste projeto, a Universidade e a Fundação desenvolvem a educação para a sustentabilidade.