Health Portugal , Oporto, Thursday, April 11 of 2019, 11:44

Raparigas são as mais afetadas por sintomas depressivos na adolescência

De acordo com a investigação, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos de idade

UP/DICYT A tese de doutoramento de Cláudia Bulhões, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), detetou uma acentuada prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos, duas vezes mais elevada do que nos rapazes da mesma idade.

 

De acordo com a investigação, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos de idade, enquanto nos rapazes os mesmos sintomas afetam 7,6%. Já aos 17 anos, a prevalência de sintomas depressivos foi de 17,1% nas raparigas e 5,3% nos rapazes.

 

Segundo a investigadora da FMUP, “estes sintomas depressivos não acontecem de uma forma episódica, isto é, eles vão ter implicações ao longo da adolescência. Os adolescentes que tinham sintomas depressivos aos 13, a maioria apresentava também sintomas depressivos aos 17 e acabava por ter repercussões aos 21 anos”.

 

Os participantes com níveis mais elevados de sintomas depressivos na adolescência apresentaram piores resultados sociais e de saúde no início da vida adulta. Os sintomas depressivos afetaram sobretudo rapazes com história familiar de depressão e raparigas com hábitos tabágicos e cuja menarca (primeiro ciclo menstrual) surgiu numa idade mais precoce.

 

Os resultados enfatizam a importância do reconhecimento dos sinais e sintomas de depressão, principalmente no início da adolescência. “É importante criar uma ferramenta que nos auxilie na avaliação desta questão, de uma forma estruturada, ao nível das nossa consultas, identificando estes adolescentes numa fase inicial de desenvolvimento do quadro, para que, realmente, possamos desenvolver estratégias no tratamento ou orientação”, sustentou a investigadora.

 

No estudo, “Depressive Symptoms in Adolescents”, participaram 2492 pessoas, avaliados aos 13,17 e 21 anos de idade. Foram considerados todos os adolescentes nascidos em 1990, que frequentavam escolas públicas e privadas da cidade do Porto.