Ciencia Portugal , Aveiro, Martes, 28 de enero de 2014 a las 10:44

Rolha inteligente da UA garante (ou desmente) a qualidade do vinho

Investigação de Ricardo Gonçalves, aluno de Doutoramento do Departamento de Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Informática

UA/DICYT Aparentemente parece uma vulgar rolha de cortiça. Mas desenganem-se os olhos. Desenvolvida na Universidade de Aveiro (UA), esta rolha do futuro vai permitir, através de um normal telemóvel ou computador, receber informações sobre o vinho que o pequeno cilindro de cortiça protege. Nome da bebida, números de série, do lote e da produção e a origem da bebida são apenas alguns dos dados a que o consumidor poderá ter acesso com um simples clique no telemóvel.

 

O segredo da rolha pensada especialmente para vinhos e espumantes reside no interior onde, envolvida pela cortiça, há um circuito eletrónico e uma minúscula antena que emite a informação aos consumidores. O projeto da UA pretende contornar as fraudes a que os rótulos das garrafas podem estar sujeitos e assegura que o consumidor compra exatamente aquilo que quer beber.

 

“A rolha tem inserido uma antena que integra um chip RFID [identificação por radiofrequência], o mesmo que é utilizado, por exemplo, nos acessos a transportes públicos, gestão de acesso a edifícios ou nos sistemas de portagens das autoestradas”, explica Ricardo Gonçalves. O aluno de Doutoramento do Departamento de Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da UA, e inventor da rolha, garante que o sistema, com um número de identificação único para cada rolha, “permite identificar as garrafas através da rolha sem depender de rótulos que podem ser removidos e adulterados”. Pelo contrário, “se o RFID for modificado isso é detetável”.

 

Para obter o número de identificação da rolha e as restantes informações sobre o líquido em causa é preciso um leitor RFID compatível. “Existem diversos leitores à venda no mercado. Para o consumidor comum as soluções mais interessantes são leitores pequenos que conseguem interagir com os RFIDs e enviar a informação por bluetooth para um computador ou smartphone/tablet”, explica o jovem investigador. Mas a ideia é que, brevemente, os dados possam também ser acedidos através de um vulgar smartphone ou tablet sem necessidade de outro equipamento externo, tirando partido das tecnologias de NFC (comunicação de curta distância) que vêm sendo integradas nestes dispositivos.

 

A próxima inovação a inserir na rolha já vem a caminho. Ricardo Gonçalves prepara-se para juntar à eletrónica instalada na cortiça um sensor de temperatura através do qual “vai ser possível criar um histórico das temperaturas a que a bebida esteve sujeita dentro da garrafa”. Uma informação que, juntamente com as que são já possíveis de obter, estarão instantaneamente ao alcance do consumidor munido de um leitor RFID. Se se pensar na influência que as temperaturas têm sobre a qualidade do vinho, os consumidores serão poupados, futuramente, a más surpresas depois de aberta a garrafa, especialmente aquelas cujo preço deveria garantir sempre um produto de excelência.

 

O sistema desenvolvido por Ricardo Gonçalves vai, naturalmente, encarecer a rolha. “Mas dada a disseminação dos sistemas RFID esta tecnologia tornou-se bastante acessível, pelo que o aumento do custo é mínimo”, garante. De qualquer forma, aponta, “este aumento não se deverá refletir no custo dos produtos para o consumidor final”.

 

O trabalho de doutoramento de Ricardo Gonçalves contou com a orientação de Nuno Borges Carvalho, investigador do IT, e com a colaboração de Roberto Magueta, investigador no mesmo instituto da academia de Aveiro.