Ciencia España , Salamanca, Martes, 15 de mayo de 2012 a las 15:36

Salamanca faz parte de um grande projeto europeu que pesquisa a melhoria da qualidade de sementes

Centro Hispano-Luso de Investigações Agrárias (Ciale) é o único sócio espanhol desta iniciativa que reúne cinco países

José Pichel Andrés/DICYT Cientistas do Centro Hispano-Luso de Investigações Agrárias (Ciale), da Universidade de Salamanca, participam em um grande projeto europeu que acaba de ser aprovado e que durante os próximos quatro anos estudará a qualidade das sementes de diversas espécies vegetais. A idéia e comprovar de que modo as condições ambientais podem influir em aspectos como a germinação, a fim de conseguir sementes melhores. Da iniciativa participam cientistas da Austria, Reino Unido, Alemanha e França. O Ciale é o único representante espanhol.

 

Os pesquisadores de Salamanca entraram no projeto como especialistas na sinalização hormonal das sementes, de modo que focam-se em saber “como, através dos distintos hormônios, regula-se a formação da semente até sua germinação”, explica Óscar Lorenzo, cientista do Ciale que orienta o grupo espanhol.

 

Particularmente, sua linha de pesquisa foca-se no estudo dos hormônios vegetais que regulam a germinação. Uma delas denomina-se ácido abscísico (ABA) e, além de regular a expressão dos fatores transcricionais para fazer com que a planta seja capaz de defender-se de agressões externas, é fundamental na dormência das sementes, isso é, na inibição da germinação. Desse modo, um dos objetivos do projeto é “estudar os mecanismos destes hormônios e melhorá-los do ponto de vista dos estresses”. Isto quer dizer que frente a condições adversas para as plantas na forma de seca, salinidade, falta de nutrientes ou qualquer outra condição de estresse estes hormônios são chaves para que uma semente evolua ou não.

 

Mercados genéticos

 

Definitivamente, os cientistas pretendem analisar os genes, as proteínas e os metabolismos das sementes para analisar como se regulam em função do estresse que sofrem. Se os marcadores genéticos chaves forem encontrados, no futuro uma simples análise de sementes permitirá saber se são viáveis em um determinado período de tempo. Assim, uma empresa do setor poderia decidir quando comercializar exatamente algumas sementes em função de suas expectativas de germinação.

 

“Buscaremos variedades que tenham maior potencial germinativo e um posterior desenvolvimento da planta mais promissor”, afirma o cientista. “Se no momento de germinar a planta já teve problemas, é provável que seja mais frágil e tentaremos encontrar espécies fortes”, afirma.

 

O grupo de Óscar Lorenzo trabalha com a Arabidopsis thaliana, uma planta fácil de manejar utilizada como modelo em muitas pesquisas. No entanto, seus sócios europeus incorporaram ao projeto mais de 20 espécies de interesse para a agricultura, como os cereais, a ervilha, o tomate ou a couve. “Cada grupo incorporou as propostas que mais lhe interessam, por exemplo, os franceses estão interessados na cevada porque tem aplicações na produção da cerveja”, comenta o pesquisador.

 

De fato, há várias empresas interessadas no projeto, sobretudo nas sementes dos cereais, já que estão interessadas em que se mantenham viáveis por mais tempo.

 

Os alemães se encarregam da pesquisa genética, enquanto a Universidade de Warwick, que possui uma grande infra-estrutura de estufas, será encarregada de induzir as condições de estresse nas sementes que depois serão estudadas pelos demais grupos. Assim, todos os cientistas do projeto trabalharão com o mesmo material.

 

Sob o título EcoSeed-Impacts of Environmental Conditions on Seed Quality, esta pesquisa faz parte do programa EuropeanKnowledge Based Bio-Economy (KBBE), que aportará nos próximos anos três milhões de euros para seu desenvolvimento. Desta quantidade, 250.000 euros serão investidos na parte da pesquisa correspondente ao Ciale.

 

Os outros sócios

 

A importância do projeto é evidente ao ver a lista de sócios. Destaca-se o Real Jardim Botânico de Kew (Royal Botanic Gardens, Kew), que abriga um gigantesco banco de germoplasma com mais de um milhão de sementes. Pelo Reino Unido também participam a Universidade de Leeds e a de Warwick. Da Alemanha será fundamental a contribuição do Leibniz-Institut für Pflanzengenetik und Kulturpflanzenforschung (IPK), bem como do Max Planck Gesellschaft zur Pfanzengenetik und Kulturpflanzzenforschung. A França é o país com mais participação: Universidade Pierre et Marie Curie (París 6), Institut National de la Recherche Agronomique, o Commissariat à l'énergie atomique et aux énergies alternatives (CEA), e a empresa Limagrain Europe. Com a Espanha, representada pela Universidade de Salamanca, a Austria é o único país com somente uma instituição implicada, a Universidade de Innsbruck.