Cristina G. Pedraz/DICYT A matéria escura é, na cosmologia, aquela cuja existência não pode ser detectada de forma direta pelos meios técnicos atuais (por não emitir, nem absorver, suficiente radiação eletromagnética), mas que se faz evidente através de seus efeitos gravitacionais sobre outros corpos celestes. É, portanto, uma hipótese que serve para encaixar o modelo cosmológico mais aceito, baseado na Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Da Faculdade de Ciências da Universidade de Valladolid, o doutorando Julio Jesús Fernández pretende inovar o modelo padrão, buscando alternativas que obviem a existência da matéria escura.
Como detalhou a DiCYT, trata-se basicamente de realizar “um estudo da alternativa existente na cosmologia à energia escura, isso é, quais tipos de módulos matemáticos podem ser construídos sem necessidade de recorrer-se a uma substância que até o momento não foi comprovada, nem reproduzida em laboratório para ter total certeza de que existe”.
Fernández explica que o modelo aceito foca-se, de forma geral, em três hipóteses. A primeira é a aceitação de que a Relatividade Geral é a teoria “matematicamente correta tanto a nível macroscópico, quanto a nível cosmológico, para explicar os efeitos da gravidade”. É uma suposição com a qual temos que trabalhar, porque não existe outra teoria, mas é uma conjetura pensar que a escalas tão grandes a gravidade continuará funcionando como funciona”, agrega.
A segunda hipótese está baseada no chamado princípio cosmológico, pelo qual “as observações que podemos fazer do universo não dependem nem da direção, nem do ponto de observação”. “Todas as observações astronômicas estão referenciadas no planeta Terra, que é nosso único campo de observação, e pensar que aqui é possível observar independentemente do ponto de observação e da direção é algo que se postula e que condiciona todo o modelo”. Por último, como estas hipóteses “restringem” o modelo matemático, é necessário introduzir componentes como a energia escura para que o modelo mais aceito se “enquadre”.
“Estamos na primeira fase do projeto. Até o momento temos um esboço das linhas que queremos desenvolver porque o trabalho que realizamos está apoiado nas pesquisas de outros grupos científicos que deixaram alternativas, e estamos tentando ver até que ponto essas alternativas podem, por sua vez, ser incorporadas em um modelo alternativo mais matemático”. No entanto, uma das premissas principais é a de que a pesquisa “manter-se-á sempre no contexto físico da observação”, ou, em outras palavras, na “comprovação” das observações, o que representa a parte mais complicada do projeto.
Prêmio na Reunião de Jovens Pesquisadores
Julio Jesús Fernández começou seu doutorado há dois anos e meio em temas importantes relacionados com a física quântica, direcionando seu trabalho à cosmologia há apenas um ano. Para a realização da tese tem o apoio do professor do Departamento de Matemática Aplicada Fernando Pascual Sánchez, bem como dos professores do Departamento de Física Teórica, Atômica e Ótica, José Manuel Izquierdo, Mariano Santander e Mariano del Olmo.
Durante a V Reunião de Jovens Pesquisadores celebrada anualmente no Centro de Relações com a Ibero-América da Universidade de Valladolid, localizado nas Casas do Tratado de Tordesilhas, o pesquisador obteve um dos prêmios do primeiro concurso de pôsteres, ao qual se apresentaram 25 trabalhos no total. O encontro reúne alunos de mestrado, doutorado e pesquisadores da instituição acadêmica de Valladolid, bem como outros procedentes do outro lado do Atlântico, que atualmente desenvolvem sua atividade na Universidade de Valladolid.