Ciencia Portugal , Aveiro, Martes, 23 de junio de 2015 a las 13:41
INESPO II

Um novo método transforma resíduos industriais em cimento

Investigadores da Universidade de Aveiro desenvolvem um sistema para reduzir a pegada ecológica de uma das indústrias com mais emissões de CO2 do mundo

José Pichel Andrés/DICYT Um grupo do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos da Universidade de Aveiro (CICECO-UA) desenvolveu um novo tipo de cimento a partir de resíduos industriais. Este novo sistema, que pelo momento foi testado apenas experimentalmente, requer menos energia no seu fabrico e utiliza exclusivamente resíduos, de modo que a sua implementação reduziria o impacto ambiental da indústria do cimento.

 

Os resíduos industriais utilizados neste estudo provêm de uma empresa local de pasta de papel e celulose. Para o desenvolvimento da investigação, os cientistas partiram de três resíduos: lama calcária, lama biológica e cinzas volantes, que se geram no circuito de recuperação química da estação de tratamento de águas residuais e na central termoelétrica da fábrica. Os cimentos produzidos são de dois tipos: cimento Portland, ou cimento comercial, e cimento belite, ou de baixa energia.

 

Ao comparar o cimento Portland produzido por este novo método com o cimento convencional que a indústria produz atualmente, os investigadores verificaram que “possui as mesmas caraterísticas de durabilidade e propriedades físicas, mas com uma vantagem muito significativa, a redução da temperatura máxima de cozimento”, explica em declarações à DiCYT Leire Hernando Buruberri, investigadora espanhola que faz parte deste grupo, liderado por João Labrincha.

 

A indústria utiliza uma temperatura de 1450 graus Celsius, enquanto para este novo cimento é suficiente atingir 1390, uma redução que resulta numa poupança considerável de energia. Assim, “reduz substancialmente a fatura elétrica do setor e também o impacto ambiental”.

 

Por outro lado, o cimento de baixa energia precisa de mais tempo para atingir as propriedades desejadas no cimento comum em termos de resistência, mas o seu processo de cozimento também se produz a 1350 graus e igualmente reduz as emissões de dióxido de carbono pela diminuição do componente calcário na mistura de matérias-primas. Em resumo, o novo processo diminui o impacto ambiental e a pegada ecológica desta indústria, que é responsável por 7% das emissões globais de CO2. Além disso, “destaca-se também que estes cimentos sejam produzidos exclusivamente a partir de resíduos industriais, sem a introdução de matérias-primas naturais não-renováveis, como argilas ou calcários”, salienta a investigadora.

 

O processo de fabrico é simples: os resíduos industriais são misturados e submetidos a uma temperatura de 1350-1390 graus centígrados; a seguir, são arrefecidos a temperatura ambiente. Nesta primeira etapa, produz-se a componente principal do cimento, responsável pelas suas propriedades, que posteriormente será moída e misturada com gesso para obter o produto final.

 

De acordo com os investigadores do CICECO, os resultados são tão prometedores que, após a realização desses experimentos de laboratório, já se poderia dar o salto para a indústria. Para produzir uma tonelada de cimento por este novo método, são necessárias 16 toneladas de resíduos industriais.