Cristina G. Pedraz/DICYT Há apenas dois meses, três pesquisadores do Grupo de Engenharia Biomédica da Universidade de Valladolid receberam o primeiro prêmio do concurso “Campus Emprende” pelo projeto empresarial dirigido ao desenvolvimento e comercialização de ferramentas para a detecção de doenças de grande impacto social, como o Alzheimer, a apnéia do sono ou as lesões oftalmoscópicas associadas à retinopatia diabética.
Daniel Álvarez, José Víctor Marcos e Roberto Hornero continuam na atualidade amadurecendo seu plano de empresa, através do qual pretendem dar saída aos resultados da pesquisa que o grupo realiza há anos. Concretamente, prevêem comercializar várias linhas de produto relacionadas às diferentes linhas de pesquisa nas quais trabalham, como a detecção de patologias neurodegenerativas, uma das principais. “Trata-se de analisar registros de eletroencefalograma e magnetoencefalograma para ajudar no diagnóstico de doenças como o Alzheimer”, precisa Daniel Álvarez, que lembra que os médicos especialistas ainda não dispõem de um procedimento que permita obter uma resposta suficientemente prematura para submeter o paciente a um tratamento efetivo.
“Muitas vezes o Alzheimer é diagnosticado porque são descartadas outras patologias, mas não existe um diagnóstico chave, só se pode saber com clareza uma vez que o paciente falece e faz-se a análise por necrópsia cerebral”, assegura o engenheiro. Procura-se, dessa forma, oferecer-se um diagnóstico confiável e precoce para dar início à terapia o quanto antes, algo muito importante para evitar a evolução da doença.
Sinais de retinopatia
Por outro lado, os pesquisadores levarão ao mercado seus resultados em um processado de imagens de fundo de olho para a detecção automática de sinais da retinopatia diabética, a primeira causa de cegueira na população. As cifras revelam que, após 20 anos de doença, o total dos pacientes de diabetes tipo I e 80% dos doentes tipo II sofrem de retinopatia, apesar de que um diagnóstico precoce e tratamento adequado evitaria em 90% os casos de cegueiras. O processado de imagens de fundo de olho procura identificar automaticamente os sinais da retinopatia diabética, tais como hemorragias ou vasos sanguíneos anormais.
Atualmente o diagnóstico é realizado a partir da história clínica e o estudo das imagens de fundo de olho do paciente, e o maior inconveniente se encontra “no número de imagens que o médico deve analisar para fazer um diagnóstico prematuro”. “Se todas as imagens de fundo necessárias para detectar o mais cedo possível a doença fossem feitas, o médico teria uma avalanche de imagens”, aponta José Víctor Marcos.
O objetivo dos engenheiros de Valladolid é desenvolver um sistema intermediário que consiga separar as imagens susceptíveis de envio ao especialista, reduzindo, assim, sua carga de trabalho. De qualquer modo, o produto que comercializarão é o software que desenvolvem para analisar estes sinais e que pode ser implantado nos dispositivos médicos que são utilizados para registrar-se os diferentes sinais, o que seria de grande ajuda para o médico. O grupo conta com uma bolsa de serviços avaliada em 9.000 euros para dar início ao projeto empresarial, criado no marco do projeto T-CUE.
Novo método diagnóstico da apnéia do sono
Uma das mais novas linhas do grupo centraliza-se no desenvolvimento de um software para melhorar o diagnóstico da apnéia obstrutiva do sono, uma doença que afeta a capacidade de respirar ao dormir. Frente à polissonografia noturna, método diagnóstico tradicional que gera alguns problemas, os pesquisadores propõem um sistema “automático” baseado somente no sinal de saturação de oxigênio.
A denominada “oximetria de pulso” é um teste simples que consiste na medição não-invasiva do oxigênio transportado pela hemoglobina. Devido ao bombeamento do coração, a medida de saturação do oxigênio não é algo contínuo, mas que se realiza baseado no pulso do paciente, razão pela qual os equipamentos de oximetria sempre informam tanto a saturação do oxigênio no sangue como a freqüência cardíaca. O teste pode ser realizado “no domicílio do próprio paciente”, ao invés de ser feito no hospital, o que permitiria “eliminar listas de espera e reduzir custos, complexidade e trabalho do especialista”.