AMR/DICYT A estabilidade é uma medida da atividade biológica dos resíduos usados como fertilizantes, a qual indústria e pesquisadores tentam controlar. E “não é desejável”, indica Daniel Blanco, pesquisador da Universidade de León. Isso porque, quanto mais atividade biológica, mais instáveis são estes resíduos e, portanto, mais difíceis são de controlar. O grupo ao que pertence analisou as metodologias utilizadas atualmente na medição desta variável para melhorar os sistemas de controle do adubo natural. Se existe uma atividade biológica intensa no adubo, os materiais podem chegar a fermentar-se e apodrecer.
O que os pesquisadores do grupo de Engenharia Química e Ambiental do Instituto de Recursos Naturais da ULE pretendem é obter estabilizantes para que se fermentem mais lentamente. No entanto, para alcançar esta meta, é necessário que antes se estabeleça uma metodologia confiável da estabilidade. O problema é que não existem standards aos que se possa recorrer.
Neste sentido, o grupo da Universidade de León começou a analisar os compostos com respirometria. Nesta técnica “o resíduo sólido é forçado a respirar em condições aeróbias”, indica o especialista a DiCYT. É preciso levar em conta que quanto mais oxigênio é consumido pelos organismos presentes no material, mais instável ele é. Esta operação é similar ao procedimento realizado com as águas residuais com a ação de demanda de oxigênio.
Por outro lado, um estudo com a técnica de espectroscopia, mais nova neste campo, foi iniciado. Os pesquisadores conseguiram com esta metodologia as ligações químicas da matriz orgânica. “Agora nos falta interpretar estes dados”. Isso ocorre porque a técnica, denominada FT-IR, ainda não ofereceu resultados conclusivos à comunidade científica neste campo.
Esta aproximação e os experimentos de respirometria foram comparados para avaliação. O objetivo era encontrar diferentes indicadores nos espectros e poder, assim, avançar à interpretação. Esta meta seria alcançada através da análise do espectro infra-vermelho, num dos extremos da gama. “Desta maneira discriminaremos os dados relevantes dos não relevantes”, explica Blanco.
Resultados positivos
O objetivo último dos pesquisadores foi conseguir com que a respirometria FT-IR servisse como ferramenta na avaliação dos resíduos que serão usados na compostagem. Os pesquisadores da Universidade de León começaram com os resíduos pecuários úmidos, que oferecem resultados iniciais mais reveladores na comprovação de qual é a melhor metodologia. Neste sentido, o trabalho demonstra que a respirometria FT-IR é adequada para o estudo da estabilidade do adubo natural, mas eles querem ir mais longe. “Até agora sabemos que pode oferecer uma medida qualificativa da estabilidade, mas queremos chegar a valores quantitativos”, afirma.
Apesar do trabalho ter sido realizado com purinas ou esterco liquefeito, os cientistas pretendem também comprovar a eficácia deste sistema de estudo a seco (como, por exemplo, esterco com palha). Ademais, no futuro querem ampliar o estudo aos próprios processos de compostagem e aos efeitos do adubo natural sobre o terreno agrícola, especialmente em cultivos energéticos como os de colza, choupo ou girassol, utilizados na produção de biodiesel ou biomassa.
Atualmente, o adubo natural é muito utilizado em vários países da Europa, principalmente na Alemanha. Além disso, associa-se à agricultura ecológica, já que são usados materiais naturais para fertilizar o terreno, no lugar de adubos de origem industrial. Na Espanha, lembra Daniel Blanco, “existe um potencial de crescimento importante”. O trabalho de pesquisa foi apresentado nas jornadas da Rede Espanhola de Compostagem, celebradas recentemente em Palencia.