Agencia ID/DICYT Os resíduos da indústria mineira durante vários anos foram amontoados sobre a vegetação da zona florestal, com o tempo árvores e plantas deixaram lugar ao cascalho, até que pesquisadores da Universidade Autônoma do Estado de Hidalgo (UAEH) decidiram reutilizar este material que beneficiará à comunidade e contribuirá a melhoria do meio ambiente.
O que primeiro que se fez com o resíduo originário da zona de Tecozautla e Santa Rosalía, no estado de Hidalgo foi caracterizar-lo físico, químico e mineralogicamente, textura e cor, com a finalidade de encontrar uma alternativa de uso.
Ao identificar suas propriedades, os doutores Juan Hernández Ávila e Eleazar Salinas Rodríguez da área de Ciências da Terra e Materiais de dita instituição pensaram na possibilidade de usar-lo na indústria de cimento, para melhoramento do solo nos cultivos de abacate e viveiros, além de sua aplicação da indústria da cerâmica.
Após analisar as amostras no laboratório, os especialistas descobriram que o material poderia servir como substituto a sílice na elaboração do cimento, e apresentaram a proposta à empresa Apasco, que confirmou a possibilidade de elaborar-se argamassa branca devido às propriedades do material.
Posteriormente, se dirigiram aos produtores de abacate, que também confirmaram que a pedreira hidalguense, por seu alto conteúdo em silício retentor de umidade, resulta benéfica para o cultivo do fruto.
Também lhe foi dado um uso nos viveiros para realização de processos de hidroponia, devido à quantidade de umidade que pode reter este material não-metálico.
Ao ser um material rico em silício, potássio e cálcio em altas quantidades, os pesquisadores asseguraram que este material pode ser utilizado como substituto do feldspato (grupo de minerais) na elaboração da cerâmica. “Para a indústria do cimento seu emprego é direto a partir de sua retirada da zona florestal; no caso dos cultivos é necessário moer-la e incorporar-la ao solo, e na cerâmica tem-se que triturar e deixar a pedra em 53 micras” detalharam.
No caso da indústria de cerâmica diversos estudos foram aplicados ao material, por exemplo, o teste do queimado onde se verifica a temperatura à qual resiste antes de fundir. Também foi comprovado que o material não é tóxico.
A população da região beneficiou-se com a pesquisa da UAEH, pois, a partir da proposta universitária, receberam a visita de várias empresas a fim de apresentar o material de reuso, e agora o grupo já confirma uma nova empresa e os resíduos industriais já representam ganhos econômicos.
Esta pesquisa na zona de Santa Rosa e Tecozautla do município de Mineral del Monte está concluída. Atualmente os cientistas procuram terminar a caracterização de 18 tonalidades diferentes da pedreira do município de Huichapan e dar-lhe um novo uso a este material que antes era considerado lixo.
A pesquisa foi apresentada no Congresso TMS (The Minerals Metal & Material Society) 2009 na cidade de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos no ano passado com grande impacto e foi apoiada pela UAEH, a Associação de pedreiras de Huichapan, o Instituto Nacional de Pesquisas Nucleares e o Centro de Tecnologia Avançada A: C: do estado de Querétaro.
Por outro lado, a equipe científica realizará uma pesquisa a fim de reutilizar os resíduos da indústria mineral metalúrgica, gerados a partir da extração de ouro e prata, para fabricação de blocos, ladrilhos, telhas e vidro, mitigando os impactos ambientais gerados por estes resíduos e contribuindo à economia da região.
Este projeto é apoiado pelos Fundos Mistos do governo do estado de Hidalgo e pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.