CICESE/DICYT Um problema atual em doenças como o câncer é que se têm a amostras muito parecidas e é quase impossível diferenciar células saudáveis de cancerígenas. O estudo das propriedades de diversos tecidos humanos e sua incidência com a luz, por exemplo testar qual tipo de laser penetra mais em um tecido, comprova que é possível usar a luz, lasers e fibras óticas em biomedicina, tornando possíveis as microcirurgias por um lado e, por outro, ajudando a entender fenômenos complexos de certas doenças.
Para Veneranda Garcés, membro do Sistema Nacional de Pesquisadores Nível I, pesquisadora do Departamento de Ótica do Centro de Pesquisa Científica e de Educação Superior de Ensenada (CICESE) e especialista em física de lasers e ótica não-lineal, é importante que a origem destes problemas seja estudada, diagnosticada e tratada a nível molecular e genético. Está convencida do empurrão futuro que dará a ótica nas ciências da vida. Seus estudos de doutorado, em Paris, e pós-doutorado, na Escócia, permitiram-lhe trabalhar na construção de dispositivos de luz laser e suas aplicações em super-condutores, assim como desenvolver lasers mais sofisticados que usam as propriedades não-lineais dos materiais para fazer pulsos muito curtos. Com microscópios e lasers testou técnicas que ajudavam a entender, por exemplo, a funcionalidade entre células ou detectar prováveis diferenças entre células cancerosas e saudáveis. Realizou uma grande variedade de experimentos em células e neurônios e trabalhou no crescimento e manipulação de neurônios usando raios laser.
Sua ampla experiência em pesquisas aplicadas à biomedicina, biofísica molecular e bioengenheria genética; o desenvolvimento de lasers, assim como interatuar com médicos e pacientes, observando problemas de saúde em clínicas e levando-lhes para seu estudo em laboratório, regressando à clínica para a provável aplicação de técnicas, permitiu-lhe ampliar suas fronteiras em aplicações em biomedicina, e convenceu-lhe de que é possível que físicos ajudem a médicos, biólogos e químicos a entender fenômenos complexos.
Veneranda Garcés, que é pesquisadora do Departamento de Ótica desde janeiro de 2009, comentou que “vir ao CICESE foi uma oportunidade para contribuir a formar grandes grupos multidisciplinares. Em Ensenada temos biólogos, físicos, está o Centro de Nanociências da UNAM, a UABC, e nós mesmos colegas do centro, podemos somar esforços para contribuir com a resolução de problemas complexos”.
“Necessitamos estudar as partes mais pequeninas da biologia porque quando vemos ao ser humano como um todo é difícil discernir onde está o dano, o início de uma doença. As novas tendências estão na nanociência e nanotecnologia; é preciso estudar a nível genético, molecular, para entender como sucedem as coisas a este nível e depois entender o desenvolvimento de doenças tão graves como o câncer de mama, que é um dos meus maiores interesses de pesquisa e no qual estou aplicando o que aprendi em outros países. Acredito que no México é possível criar grupos multidisciplinares que contribuam à solução de problemas complexos”, assegurou a pesquisadora, que atualmente colabora com José Luis Stephano, da Faculdade de Ciências da UABC; Roberto Machorro, do Centro de Nanociências e Nanotecnologia da UNAM e, claro, colegas do CICESE, de ótica e aqüicultura: Eugenio Méndez, Kevin O’Donnell, Pilar Sánchez, Beatriz Cordero, entre outros.
Seus estudos no CICESE estão concentrados no desenvolvimento de um sistema multifuncional de biofotônica utilizando a técnica de microespectroscopia Raman, ademais das técnicas de microscopia ótica, com as quais médicos, biólogos, químicos e físicos trabalham juntos em problemas, por exemplo, relacionados com a origem do câncer. Cabe explicar que a biofotônica é o desenvolvimento de novas técnicas de pesquisa em engenharia biomédica, por exemplo, a microespectroscopia Raman, que permite saber quais são os componentes químicos das células e assim determinar se estas encontram-se em um período de decadência, se necessitam mais oxigênio e podem ser encontradas diferenças entre células saudáveis e doentes.
Outra pesquisa que realiza Veneranda está relacionada com o aproveitamento de certos componentes das microalgas para a produção de biocombustíveis e sua provável modificação genética para a sobrevivência destes organismos em zonas salinas ou áridas. “Com José Luis Stephano, estamos modificando estas microalgas geneticamente para ver se podem sobreviver em campos salinos ou salobros, como algumas áreas de San Quintín. O risco de um pesquisador é fazer o que ninguém está fazendo. Estou procurando formar um sistema de microscopia com diferentes técnicas. Quero criar um banco biofotônico com três técnicas, as quais me ajudarão a fazer coisas que não estão sendo feitas em outras partes do mundo – a que nível identificaremos as propriedades das microalgas...? Dependerá de nós”, advertiu Veneranda.