Ciencia España , Salamanca, Martes, 27 de septiembre de 2011 a las 14:02

Viagem a 800.000 anos atrás pode revelar como evolui o clima

Cientistas espanhóis, com a participação de Salamanca, estudam o Mar de Alborão como referência para conhecer as mudanças climáticas globais ocorridas de forma natural

José Pichel Andrés/DICYT Joan Grimalt é diretor do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA), centro do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e um dos especialistas em clima mais destacados da Espanha. No decorrer desta semana esteve presente em Salamanca para participar no congresso sobre mudanças climáticas que reuniu dezenas de especialistas de todo o mundo. Um dos projetos mais importantes de Grimalt atualmente conta com a colaboração da Universidade de Salamanca: estudar a evolução do clima no Mar de Alborão, situado entre a Espanha e Marrocos, nos últimos 800.000 anos.

 

Este detalhado estudo da evolução climática “será referência mundial porque retorna a 800.000 anos atrás em alta resolução” e porque “o Mar de Alborão está em uma região muito estratégica”, afirma em declarações a DiCYT. Não existe nenhum registro tão detalhado, em linguagem científica, “em tão alta resolução”, sobre o clima de épocas tão distantes e “quando se revele será uma contribuição muito valiosa para revelar como variou o clima na Terra”, assegura.

 

Isto se deve a fato de que o Mar de Alborão e toda península Ibérica “recebem a influência dos processos climáticos produzidos tanto na Antártida quanto no Ártico”. Grimalt afirma que não se trata de supervalorizar a importância da península Ibérica, mas de que “todos viram nos últimos anos que o material marinho coletado em torno da província é fundamental para conhecer a dinâmica geral dos oceanos pelo menos nos últimos três milhões de anos”, precisamente por receber a influencia das águas antárticas e árticas.

 

A coleta de material marinho se dá por enormes tubos introduzidos no leito marinho para recolher sedimentos acumulados durantes milhares de anos e que oferecem aos cientistas as pistas necessárias para averiguar como foi o clima no passado.

 

As pistas analisadas por Joan Grimalt são orgânicas. Por exemplo, existe uma espécie de alga chamada “Emiliania huxleyi” que “de acordo com a temperatura da água na qual vive fabrica compostos diferentes, o que é como ter um ‘paleotermômetro’”, afirma. “Querem adaptar-se à temperatura da água em que vivem e para tanto sofrem estas mudanças, que para nós são uma ferramenta fundamental para reconstruir a temperatura das águas”, indica.

 

Trabalhar com o mesmo material

 

O Grupo de Geociências Oceânicas do Departamento de Geologia da Universidade de Salamanca tem uma linha de pesquisa semelhante e por isso colabora com Joan Grimalt no projeto do Mar de Alborão e em outros, mas usa métodos diferentes. “Eles pesquisam micro-fósseis e eu moléculas orgânicas, a metodologia é diferente, mas trabalhamos com o mesmo material, o que é importante porque tentamos reconstruir o que aconteceu e quantas mais medições tenhamos, mas certos estaremos das conclusões”, afirma.

 

O estudo da matéria orgânica realizado pelo diretor do IDAEA pode estar baseado nas algas ou em outros elementos, como as folhas das árvores que vão do continente ao mar. “Também conhecemos moléculas orgânicas que nos indicam a intensidade dos ventos ou dos fluxos de água profunda nos mares”, agrega. Tudo isso acaba se convertendo em sedimentos marinhos e contém informação do clima. “Conhecemos diversas moléculas que nos indicam como mudou a temperatura do mar no passado, e isto é um elemento chave para fazer modelos, porque a temperatura superficial do mar está em uma interfase entre atmosfera e oceano, o que é precisamente o que move o clima, a interação entre atmosfera e oceano”, comenta.

 

O objetivo de compreender as mudanças naturais do clima

 

O congresso “Climate changes, bioevents and geochronology in the Atlantic and Mediterranean over the last 23 Myr” (Mudanças Climáticas e geocronologia no Atlântico e no Mediterrâneo nos últimos 23 milhões de anos) termina hoje após reunir em Salamanca 150 especialistas de todo o mundo. “Nestas jornadas foram encontrados resultados muito interessantes para compreender melhor como funciona o clima na Terra de forma natural”, afirma Joan Grimalt.

 

“Ainda não conhecemos exatamente as causas que contribuíram para a evolução do clima no passado, mas averiguá-las é um elemento fundamental para compreender o que acontece agora devido à ação do CO2 e saber quais influências reais podem ter os homens no clima”, afirma.

 

“É certo que o incremento de CO2 está produzindo um certo aquecimento, mas há outras variações que devem ser conhecidas para saber onde chegará este aquecimento”, afirma o especialista. Por essa razão “estas jornadas são muito úteis para avançar no conhecimento de por quê o clima mudou no passado e quais aspectos influenciaram esta mudança”.