Bioplásticos produzidos a partir de fibras de madeira para uso em embalagens e peças de veículos
Cristina G. Pedraz/DICYT As embalagens representam a maior parte do uso de plásticos na Europa, entre 30 e 50%, especificamente. Por isso, a recuperação e reciclagem de embalagens foram regulamentadas por uma Diretiva da União Européia baseada na economia de material e na reutilização do plástico, entre outros aspectos. Conseqüentemente, existe uma crescente pressão entre os fabricantes de embalagens para o desenvolvimento de novos materiais mais amigáveis ao meio ambiente, seja por sua recuperação, reciclagem ou biodegradação.
Neste contexto foi iniciado em julho de 2008 o projeto Forbioplast, uma iniciativa de 16 sócios de nove países (Noruega, Bélgica, Alemanha, Romênia, Grécia, Hungria, Itália, Lituânia e Espanha), financiada pelo VII Programa Marco da União Européia. Seu objetivo final é “obter produtos elaborados com materiais biodegradáveis procedentes de recursos florestais”, como explica Cecila Sanz, pesquisadora da Área de Biomassa da Cartif, o único centro tecnológico espanhol que participa do projeto.
Nos últimos anos, a produção de plásticos derivados de subprodutos florestais aumentou por se tratar de uma fonte abundante, renovável e de baixo custo. Assim, a idéia dos pesquisadores é valorizar recursos florestais para fabricar novas espumas e compostos plásticos. Prevê-se a substituição das fibras derivadas do vidro utilizadas na fabricação de interiores e exteriores de veículos por fibras derivadas da madeira, e aproveitar estes materiais biodegradáveis nos setores de embalagens e no agrícola.
“O projeto surgiu da necessidade desses novos materiais demandados pela sociedade. Trata-se de desenvolver um produto procedente de um recurso renovável, como os plásticos elaborados a partir da madeira, para que seu impacto no meio ambiente seja mínimo”, detalha Cecilia Sanz, que indica que a Cartif tem ampla experiência em biomassas florestais e no aproveitamento energético de subprodutos da biomassa.
Deste modo, o centro tecnológico de Valladolid trabalhou nas primeiras etapas do projeto relativas ao estudo de mercado e à inclusão das fibras de madeira nas matrizes poliméricas. “De um amplo espectro de materiais realizou-se uma seleção das fibras de madeiras que atendiam melhor os requerimentos técnicos determinados pelos produtos que se pretendiam desenvolver. Existem muitas fibras e diversas características, desse modo, é necessário realizar um trabalho de pesquisa a respeito e, sobretudo, da melhoria dos tratamentos relacionados à integração das fibras aos plásticos e às mesclas”, explica a especialista.
Vantagens do bioplástico
Além de sua biodegradabilidade, o bioplástico feito a partir de fibras de madeira tem como vantagem em relação a outros produtos sua origem florestal. “A matéria prima de origem é fundamental, porque os plásticos convencionais provêm do petróleo”, afirma a pesquisadora, que indica que se espera que estes novos materiais se prestem, também, as mesmas finalidades dos produtos utilizados habitualmente. Por outro lado, espera-se que os plásticos desenvolvidos possam ser processados de uma maneira economicamente rentável, “para que não representem aos fabricantes nenhuma mudança em relação aos processos habituais”.
Além da Cartif, no projeto participa como sócio espanhol a Universidade de Almería, que se focou no tema da biodegradabilidade das fibras. “Nosso trabalho foi dirigido mais à inclusão das fibras na matriz plástica, e o da Universidade à biodegradabilidade das fibras, o que logo influirá na biodegradabilidade dos materiais finais”, resume Cecilia Sanz. Passadas essas fases iniciais do projeto baseadas na seleção e desenvolvimento dos materiais e na definição dos produtos finais, o trabalho se centrou no processamento industrial. Durante este tempo foram organizadas reuniões periódicas para atualizar os avanços alcançados. O segundo encontro ocorreu nas instalações do centro tecnológico Cartif, localizadas no Parque Tecnológico Boecillo, em janeiro de 2009.
As pequenas e médias empresas serão as beneficiárias
Através do projeto, que está em seu último ano, espera-se que as pequenas e médias empresas participantes se beneficiem da comercialização dos novos produtos. De fato, como afirma a pesquisadora, a convocatória do VII Projeto Marco a qual pertence o projeto tem como fim o apoio de universidades e centros de pesquisa às pequenas e médias empresas com necessidades cientifico - tecnológicas. No entanto, ainda que as pequenas e médias empresas sejam as beneficiárias dos resultados finais, a informação gerada no projeto é compartilhada por todos os sócios.
Este último ano de trabalho incidirá no produto final, já que a comercialização dos mesmos não faz parte do projeto e terá que ser realizada por outras vias. O centro tecnológico de Valladolid colaborará nesta parte final, na qual também se tratará de abrir novas vias de trabalho para iniciar outro tipo de projetos que impliquem a continuação do atual. O projeto contou com um Conselho Assessor Industrial composto por grandes empresas em ações pertinentes às necessidades da indústria européia e em ajudar a identificar outros possíveis campos de aplicação dos resultados obtidos.