Health Spain , Salamanca, Tuesday, November 13 of 2012, 15:29

Cientistas avançam na busca de tratamentos para a síndrome de Down

A presidente da Sociedade Espanhola de Neurociências visita Salamanca e participa em uma jornada que serviu para apresentar trabalhos de jovens pesquisadores do Incyl

JPA/DICYT O Instituto de Neurociências de Castela e Leão (Incyl) viveu uma singular jornada de divulgação científica com a visita da presidente da Sociedade Espanhola de Neurociências (SENC), Mara Dierssen, que ofereceu um seminário sobre os últimos avanços em síndrome de Down e uma segunda palestra destinada a jovens pesquisadores na qual contou suas experiências pessoais como cientista. No entanto, os jovens pesquisadores também foram protagonistas, ao ter a oportunidade de mostrar os trabalhos de pesquisa que estão realizando nos distintos laboratórios do Incyl através de uma exposição de 40 pôsteres.

 

Mara Dierssen, pesquisadora do Centro de Regulação Genômica de Barcelona, dedica-se a estudar os genes cuja alteração origina problemas de tipo cognitivo e explicou os promissores avanços conquistados na síndrome de Down, campo no qual é especialista. “Nos últimos 10 anos houve um crescimento exponencial na pesquisa da síndrome de Down por razões fundamentais. A primeira é que conseguimos modelos experimentais animais que permitiram avançar muito, sobretudo modelos de rato geneticamente modificados. A segunda é que estamos entrando em algo que nunca imaginamos, que é a terapia, porque começam a surgir testes clínicos e ferramentas farmacológicas muito promissoras no que se refere à melhoria da cognição em pessoas com síndrome de Down”, afirmou em declarações a DiCYT.

 

Isto aconteceu porque neste momento “entendemos melhor os mecanismos neurobiológicos que estão por trás da alteração cognitiva”, afirma, e isso se deve a muitos anos de pesquisa.

 

Sua equipe tenta entender também a adaptabilidade do cérebro, “o que chamamos plasticidade neuronal”, que permite que um organismo possa adaptar-se e aprender com a experiência. “Para que a aprendizagem por experiência seja possível é necessária uma série de mudanças não apenas funcionais, mas também estruturais no cérebro, e nos focamos nestes mecanismos, tanto na formação de novos neurônios em determinadas regiões cerebrais do animal adulto, quanto na mudança arquitetural produzida nos sistemas de comunicação do neurônio, a árvore dendrítica e as espinhas dendríticas”, indica.

 

Especificamente, determinam quais genes são os mais importantes para estes processos, mas também tentam averiguar se normalizando a superexposição destes genes é possível estabelecer tratamentos mais úteis aos humanos.

 

Apoio à pesquisa de ponta

 

Como presidente da SENC, afirma que “a Neurociência espanhola tem um nível muito bom”, mas considera que é necessário que se apóiem iniciativas conjuntas. Isso é, pede “às pessoas que tomam decisões políticas” a interdisciplinaridade que já existe em outros ramos da pesquisa biomédica porque, em sua opinião, este campo “requer muito intercâmbio de conhecimento entre diferentes níveis”, como já está sendo feito em ramos como as doenças cardiovasculares, que são estudadas a nível molecular, celular, fisiológico, etc. “Precisamos de um apoio claro, porque o potencial dos pesquisadores que temos na Espanha nos pode situar em uma posição de ponta nesta disciplina”, indica.

 

Parte desse potencial está nos jovens pesquisadores, para os quais Mara Dierssen preparou uma conferência especial, mais pessoal que acadêmica. “Falarei a partir do outro lado da Ciência, tentando compartilhar minha experiência, as ilusões e frustrações, coisas que gostaria que alguém me tivesse contado quando comecei a pesquisar”, afirmou antes de começar. De acordo com a presidente da SENC, todos os que se dedicam à Ciência se deparam “com os mesmos problemas, ilusões e oportunidades”.

 

Mensagem otimista para os jovens pesquisadores

 

Apesar de tudo, não considera que os estudantes ou bolsistas de hoje encontrem mais dificuldades que as gerações anteriores, inclusive com a atual situação econômica. “Quando comecei também havia crise e nos primeiros anos trabalhei sem receber nada”, comenta.

 

Neste aspecto, não duvida em utilizar a Ciência que domina para encontrar explicações. “No cérebro humano tudo funciona por comparação. Quando se sai de um período muito bom, qualquer redução desse estado de bem estar é vivida de forma dramática, mas, por outro lado, quando se vem de uma situação ruim, uma pequena melhora já parece maravilhosa”, declara. Em todos os casos, “agora existe mais mobilidade, as pessoas podem ir a outros países”.