Laboratório de análises genéticas medirá a predisposição a padecer de doenças hereditárias
RAG/DICYT As pessoas com antecedentes familiares em determinadas doenças podem estar predispostas a padecê-las. Para averiguar a possibilidade de que isto aconteça é possível realizar análises genéticas para, em caso de risco, administrar um tratamento à pessoa propensa. O projeto AC-Gen Reading Life, desenvolvido por Alberto Acedo e Adrián Ferrero, de León (La Bañeza), contempla a análise de 33 doenças mediante a técnica de seqüênciamento massivo. A idéia do laboratório, que se materializará em breve, obteve a máxima distinção do programa de empreendedores Genoma Espanha.
Grande parte das doenças mais comuns na população, como o câncer, podem ser hereditárias. Nelas há uma série de genes envolvidos, que de acordo com sua forma fazem com que a pessoa tenha alta, média ou baixa predisposição a padecer desta patologia. Atualmente somente se realizam análises das de alta predisposição, “sobretudo pelo gasto de tempo e pessoal que o processo tem”. No entanto, graças ao seqüênciamento massivo, pode-se ler todos os genes que a literatura relacionou com uma determinada doença, de modo a fornecer um serviço mais completo de cada patologia, explicou a DiCYT Alberto Acedo.
“O DNA de cada uma de nossas células é uma grande biblioteca onde está descrito o manual da vida, em uma linguagem que hoje podemos ler e interpretar. Sob este pretexto, concebemos nosso serviço de análise genética como uma sala de leitura, da qual extraímos e analisamos a informação molecular mais relevante relacionada com as principais doenças complexas de origem hereditária, facilitando o diagnóstico, prevenção e profilaxia das mesmas”, expôs o responsável, que agrega que a finalidade da idéia é melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas afetadas e de sua família.
Três grupos
O projeto prevê a criação de 33 conjuntos de análises, um para cada doença. As patologias estarão divididas em três grupos. No primeiro serão englobados nove tipos de câncer; no segundo, oito cardiopatias; e, no terceiro, dezesseis doenças distintas, que abarcam campos tão diversos como a oftalmologia ou a neurologia.
As patologias foram escolhidas em função de sua prevalência, do conhecimento delas ou de seu impacto social, entre outros critérios. “O que a análise fornecerá é um valor de risco a essa pessoa da possibilidade que tem, com relação à população normal, de padecer deste tipo de doença”, afirma o pesquisador do Centro Superior de Investigações Científicas (CSIC).
Espera-se, ademais, que em janeiro de 2012 seja possível realizar esta iniciativa, incluída no Grupo de Oncologia Biotecyl, e que conta com apoios de sistemas de saúde pública, empresas privadas e associações científicas e de doentes.
Procedimento de análise
O procedimento habitual, fixado por lei, pelo qual se realizam este tipo de análises depende de que uma pessoa procure seu médico para avisá-lo de que existe um antecedente familiar de uma destas doenças. Se o médico considera conveniente, uma unidade especialista em genética avaliará o caso e, com esse resultado, o médico decidirá se efetuará a análise em laboratório.
Com a análise em mãos, esse doutor decidirá qual é a medida mais oportuna para o paciente. “Em alguns casos, verá que basta um acompanhamento periódico ou um tratamento, mas em outros poderá tomar medidas cirúrgicas. Por exemplo, em uma pessoa que tem um elevado risco de padecer de uma doença como o câncer de mama, talvez decida ser necessário retirar um peito”, define.
Acedo esclarece que em nenhum caso uma pessoa poderá procurar diretamente o laboratório, sempre é o próprio medico quem deve remeter a análise, tanto se pertencente ao sistema público de saúde, quanto ao sistema privado.