Pesquisa busca determinar o efeito do ácido oléico na síndrome de Down
José Pichel Andrés/DICYT Cientistas do Instituto de Neurociências de Castilla y León (Incyl) iniciaram uma pesquisa para determinar a possível influência do ácido oléico em um modelo de síndrome de Down. O estudo, financiado pela Fundação Ramón Areces pelos próximos três anos, parte da idéia de que o ácido oléico promove diferenciação de neurônios, o que pode repercutir no desenvolvimento cerebral. Este desenvolvimento cerebral está alterado na síndrome de Down, que se caracteriza por um atraso mental, entre outros sintomas. A pesquisadora principal, Ana Velasco Criado, propõe-se a comprovar esta hipótese em cultivos celulares e camundongos.
Em pesquisas anteriores os cientistas deste mesmo laboratório do Incyl comprovaram que o ácido oléico é um fator neurotrófico em condições normais, isto é, que favorece o crescimento dos neurônios. Agora o propósito é verificar se este elemento pode influenciar também no caso da síndrome de Down.
“Na síndrome de Down ocorre um atraso no desenvolvimento cerebral em uma época específica antes do nascimento, trata-se de um atraso no amadurecimento do cérebro”, comenta a pesquisadora. Assim, este estudo propõe-se a “verificar se essa falta ou atraso no desenvolvimento pode estar relacionada com a ausência de determinados fatores e um deles pode ser o ácido oléico”. De qualquer forma, o ácido oléico está presente porque é sintetizado nas células, mas a chave está em descobrir em que medida favorece o seu desenvolvimento.
“Queremos ver se o ácido oléico pode ter algum efeito na diferenciação neuronal em nossos modelos de estudo”, a fase na qual os neurônio adquirem características específicas. Primeiro “trabalharemos com células derivadas de camundongos com trissomia do cromossomo 16” (Ts16), um modelo parecido ao da trissomia 21, que é a responsável pelo surgimento da síndrome de Down em humanos. “Existem diferentes modelos de camundongos transgênicos que possuem um gene ou vários com múltiplas cópias similares às da síndrome de Down. No caso do camundongos Ts16, estes tem uma parte do cromossomo 16 triplicada”, indica Ana Velasco, enquanto que na síndrome de Down verificamos três cópias do cromossomo 21.
A pesquisa será iniciada em cultivos in vitro com linhas celulares desenvolvidas por um laboratório chileno, mas seu objetivo é ser levada aos camundongos. “Escolhemos trabalhar com a síndrome de Down porque uma das características que apresenta é o atraso mental e este pode ser devido a um atraso no desenvolvimento do cérebro”, indica a cientista. O modelo animal ajudará a conhecer melhor estes processos porque “existe um momento do desenvolvimento embrionário dos camundongos Ts16 no qual é produzido um atraso no desenvolvimento do cérebro e esta época coincide com a etapa na que produz-se a síntese de ácido oléico em nossas condições de trabalho”, completa.
Paliar a patologia
A longo prazo, os resultados desta pesquisa podem ajudar a paliar algumas conseqüências da doença. “Não existe cura para a síndrome de Down porque é uma doença que depende dos genes, mas queremos estudar mecanismos que possam mitigar o atraso mental, ainda que ademais existam outras características desta patologia como os defeitos cardíacos e feições características”.
Na verdade, não existem duas pessoas com síndrome de Down que possuem a mesma deficiência. Apesar de que já se haja pesquisado muito, “o estudo do desenvolvimento do cérebro pode ajudar a conhecer melhor a doença”, assinala Ana Velasco, quem trabalhará com o apoio de outras três pessoas para formar um dos poucos grupos dedicados à pesquisa da síndrome de Down na Espanha.