Science Spain , Ávila, Friday, November 20 of 2009, 13:19

Catedrático de Ávila cria um instrumento que permite medir emoções em nível grupal

O Sociograph tem, dentre outras, aplicações no âmbito da política e da Psicologia

Marta Martín Gil/DICYT Imagine, apenas por um momento, que está pronunciando uma conferência, e que pode saber, a cada segundo do seu discurso, de que forma o público está reagindo às suas palavras: o que lhes está interessando mais; se estão se aborrecendo; se algum dos temas tocados entusiasma o público, etc. Isto, que em princípio parece ficção científica, pode ser real graças à tecnologia desenvolvida em Ávila por José Luis Martinez Herrador, catedrático de Psicologia Evolutiva da Faculdade de Educação e Turismo da Universidade de Salamanca. 

 

Ele, apoiado por vários professores do seu departamento, é o criador do Sociograph, um aparelho cujo principal objetivo é medir o nível de emoções de um grupo. “Não analisa a pessoa como tal”, esclarece Martínez Herrador, “mas estuda a forma em que um grupo reage a determinados estímulos”. O Sociograph, que foi apresentado na XI Conferência Espanhola e I Encontro Íbero-americano de Biometria, em Salamanca, tem uma grande quantidade de aplicações, tal como ressalta o seu próprio criador. “Os seus possíveis usos são muito variados, e vão desde a educação, a comunicação audiovisual, passando inevitavelmente pela publicidade, pelo direito ou pela política”, enumera Martínez Herrador. Segundo o catedrático, “graças ao aparelho uma pessoa pode visualizar num dado momento o que está ocorrendo e como as pessoas estão reagindo”


Medição psicológica

Para que seja possível, o aparelho toma uma série de medidas psicossociológicas, que mais tarde a mesma máquina analisa de forma automática. “Assim extrai tudo o que há de comum nas reações de cada grupo”, conclui o catedrático de Ávila. E para tomar tais medidas psicossociológicas, o Sociograph utiliza eletrodos de contato, o que a princípio obriga a todos os membros do grupo a permanecer quietos durante o tempo que dure o estudo.

 

É por essa razão que Martínez Herrador coloca a possibilidade (ainda que com um custo econômico mais elevado) de tomar essas medições por biotelemetría. “Neste caso, seria colocado em cada pessoa um sensor conectado ao emissor”, começa a explicar, “haveria também um aparelho para captar as emoções, e assim a pessoa poderia estar livre, em qualquer contexto”. Isto, do ponto de vista do catedrático, seria muito útil em meetings políticos, talvez um dos campos onde o Sociograph poderia obter os melhores resultados.


Estudos científicos

De fato, atualmente, o Sociograph (que foi já utilizado pela Universidade de Málaga) encontra-se na Universidade de Barcelona, onde o departamento de Psicologia Social o aplica no estudo de grupos e liderança. Algo em que, evidentemente, o Sociograph pode lhes ser bastante útil já que, tal como ressalta Martínez Herrador, é uma ferramenta única na hora de aferir o líder de um grupo pelo simples fato de averiguar a quem é prestada maior atenção.

 

Este é apenas um exemplo das muitas aplicações que pode ter a tecnologia desenvolvida em Ávila, na qual se demonstrou bastante interessado o psicólogo norte americano Albert Bandura, como reconhece o catedrático da instituição. O especialista explica que se trata de um instrumento que, embora seja bastante válido na hora de trabalhar com lideranças, é igualmente válido no campo da publicidade, ao averiguar quais anúncios interessam mais ou menos a potenciais clientes. De fato, logo que o Sociograph ficou pronto, Martínez Herrador realizou um estudo com a ajuda de um coletivo de doze alunos da Faculdade de Psicologia de Salamanca com os quais colaborou para comprovar diversas teorias científicas que, de outro modo, seriam difíceis de corroborar.
 

 

Experiências concretas
 
A medição de emoções permite realizar numerosas e diferentes experiências, como foi o caso da realizada na Faculdade de Psicologia, onde os alunos se prestaram a visualizar uma seqüência de anúncios, para demonstrar o impacto que teriam neles. Neste primeiro estudo, Martínez Herrador observou, após sincronizar perfeitamente os resultados analíticos que oferece o Socigraph e as imagens dos anúncios, como, por exemplo, o nível de atenção aumentava consideravelmente ao presenciar uma imagem familiar, num anúncio de bonecos infantis, ou como decrescia com um anúncio linear de cartões de crédito. Nesse estudo também se incluíam estímulos positivos (como uma mulher nua) e negativos (uma mão ensangüentada) e, embora em ambos os casos o nível de atenção tenha aumentado consideravelmente, o estímulo positivo influenciou mais o grupo como tal. “Mas o Sociograph permite também medir o nível de trabalho do cérebro”, refere Martínez Herrador. De fato, no estudo dos estudantes de Salamanca, foram incluídos estímulos neutros e outros que implicavam determinado exercício intelectual, como partes de um teste de inteligência. “Neste caso o nível de atenção do grupo aumentou, como se todas as mentes estivessem tentando resolver um problema comum”, sublinha.