Social Sciences Spain , Salamanca, Friday, July 30 of 2010, 12:02

Pesquisa determina a diversidade genética da população em função dos sobrenomes

Cientistas da Universidade de Salamanca estudaram o caso da zona de Fuentes Carrionas, em Palencia, durante um século

AO/JPA/DICYT Cientistas da área de Antropologia Física da Universidade de Salamanca realizaram uma pesquisa sobre a diversidade genética da população com base na evolução dos sobrenomes durante um século, em uma área geográfica determinada. Concretamente, o estudo foi realizado a partir dos dados dos habitantes de 10 núcleos populacionais situados na zona de Fuentes Carrionas, ao norte da província de Palencia, entre os anos 1880 e 1980. Assim, os sobrenomes foram selecionados como alelos, cada uma das formas alternativas que um gene pode ter, e ainda que este não seja um método perfeito, oferece informação acerca da estrutura e mobilidade genética.

 

“A utilização dos sobrenomes como alelos nos permite obter resultados sobre a diversidade da população”, explica María José Blanco Villegas, responsável pela pesquisa, que foi publicada na revista científica Human Biology. A escolha de Fuentes Carrionas, na montanha de Palencia, deve-se ao fato de que é uma população muito isolada e de pequeno tamanho, o que permite reconstruir a história recente e um melhor controle das variáveis estudadas, segundo comentou em declarações a DiCYT.

 

“O estudo foi realizado a partir dos livros paroquiais destes municípios, nos quais foi possível obter a informação dos matrimônios celebrados. Este dado é muito importante, já que pode ser considerado a iniciação dos indivíduos à função reprodutora”, explicou Roberto Rodríguez Diaz, outro pesquisador que escreveu o artigo. “Posteriormente, uma vez selecionados os sobrenomes e a localização em cada povoado, realizamos as reconstruções familiares agregando os falecimentos e nascimentos; criando uma espécie de árvore genealógica da população”, afirma.

 

Entre os resultados obtidos neste estudo, destacam-se dois aspectos. O primeiro é a pequena mobilidade da população, dedicada principalmente à agricultura e também marcada pelos acidentes geográficos desta zona de montanha. Por outro lado, a construção dos pântanos na zona e a melhora das comunicações apenas provocaram alterações demográficas. No entanto, os movimentos migratórios iniciados na década de 1960 geraram uma emigração da população a zonas mais industrializadas, diminuindo assim o número de 3.000 habitantes em 1.880, a pouco mais de 2.000 depois de 100 anos.

 

“Estas populações são perfeitas para este tipo de estudo”, assegura Roberto Rodríguez, “é possível conhecer amplamente todos os acontecimentos históricos da zona, de modo que se converte em um laboratório de campo perfeito”, aponta. A partir da obtenção destes dados, o objetivo do estudo é expandi-lo épocas anteriores nas que as populações tiveram uma forma similar.

 

Conseqüências genéticas

 

“Nas populações em que se verificam este tipo de condições, a atuação dos fenômenos micro-evolutivos é muito provável e muito impactante”, afirma María José Blanco Villegas. Isso é, os efeitos da consangüinidade podem ser muito acusados, em forma de derivações genéticas e de mutações. Com os resultados deste estudo, “podemos afirmar que no passado estas pequenas comunidades humanas estavam submetidas à atuação destes pequenos fenômenos micro-evolutivos, com as ponderações que envolvem os trabalhos com sobrenomes e não alelos”. Em qualquer caso, a possibilidade de que estas populações fechadas desenvolvam características genéticas que as diferenciem é “infinitamente superior que em comunidades grandes”, já que se soma a atuação de vários fenômenos evolutivos.

 

De outro lado, existe um modelo demográfico que indica que quanto mais distantes estão as populações geograficamente, também estão geneticamente. Contudo, nestes casos, com grandes acidentes geográficos, populações que estão muito próximas, mas separadas por acidentes geográficos pronunciados próprios de montanha “estão mais distantes geneticamente do que deveriam”, em uma zona montanhosa como esta em que apenas se pode descer 1.000 metros de atitude. Os núcleos estudados foram: Alba de Cardaños, Camporedondo de Alba, Cardaño de Abajo, Cardaño de Arriba, La Lastra, Otero de Guardo, Triollo, Valcobero, Vidrieros e Valsurbio.

 

“Atualmente”, comenta María José Blanco, “estamos planejando um estudo da mesma natureza, mas a um nível muito maior”. Utilizando a mesma aproximação metodológica, “realizaremos um estudo de toda Espanha para observar as distintas barreiras genéticas apresentadas, sejam de origem geográfica, cultural ou de outro tipo”. Esse estudo terá como fonte a base de dados de sobrenomes do Instituto Nacional de Estatística.