Causas da eletrocussão de serpentes em torres elétricas é pesquisado
José Pichel Andrés/DICYT Algumas serpentes morrem eletrocutadas nas torres elétricas, o que representa um problema não só com relação à mortalidade da fauna, mas porque danifica as infra-estruturas e aumenta o risco de incêndios. O fenômeno acontece em boa parte da península ibérica e, para solucionar o problema, a empresa Iberdrola encomendou uma pesquisa à Universidade de Salamanca que começou a estudar o fenômeno com a cobra-de-escada (Rhinechis scalaris), a espécie mais propensa a subir pelas torres e provocar estes problemas.
Miguel Lizana Avia, pesquisador do Departamento de Biologia Animal e responsável pelo projeto por parte da Universidade de Salamanca, explica a DiCYT que a cobra-de-escada é um ofídio que costuma apresentar menos de um metro de comprimento e que normalmente sobe nas árvores porque dentro de sua dieta, composta normalmente de pequenos mamíferos, incluem-se também aves, seus filhotes e inclusive seus ovos. Por isso, a serpente está acostumada a subir nas árvores para caçar e supõe-se que sobe nas torres de eletricidade por sua semelhança com as primeiras.
Esta pesquisa é “quase única no mundo”, afirma o pesquisador, já que no momento não se sabe com certeza os mecanismos que regem o comportamento do ofídio. Por isso, os cientistas planejaram uma série de experimentos com os répteis para comprovar de que maneira ele se comportam na presença de uma torre deste tipo. Isto é, querem saber se necessita receber algum tipo de sinal ou se sobe de forma habitual a qualquer elemento vertical e, sobretudo, como instalar algum dispositivo que o impeça.
Neste sentido, a hipótese mais razoável para os cientistas seria que a cobra tivesse alguma atração química ou visual por suas presas e as buscasse nas torres, mas em muitos casos não foram localizados ninhos nas torres. Outra possível causa é que esse réptil suba nas torres ao confundir o calor que emitem com o calor de suas presas habituais, mas não parece provável já que nesta espécie não está comprovada a capacidade de visão em infravermelho. À margem das hipóteses relacionadas com a caça de presas, também poderia ser que suba nas torres em busca de calor para favorecer algum processo de termorregulação de seu próprio organismo.
Para encontrar uma resposta, os pesquisadores estão realizando experimentos para comprovar as características destes incidentes, descobrir o que atrai as serpentes nas torres elétricas e, a partir daí, verificar qual seria a estrutura mais efetiva para evitar estes incidentes.
13% de todos os incidentes
A maioria das eletrocussões destas cobras são produzidas no centro e no leste da península, sobre um tipo determinado de estrutura (a torre de MT, com rótula retangular) e em solos de cultivos abandonados, pastos ou imediações agrárias. A cobra-de-escada sobre entre 10 e 16 metros e normalmente morde elementos como os fusíveis, morrendo eletrocutadas, além de provocar cortes na rede que às vezes são bastante prolongados já que é difícil detectar qual foi o problema e repará-lo. O fato de que a maior parte destes incidentes aconteçam durante o verão, caracterizado por um longo período de seca, aumentando o risco de provocar incêndios.
O Departamento de Biodiversidade da Iberdrola realizou um seguimento dos incidentes ocasionados pela fauna em um período de 10 anos e assegura que os protagonizados por esta serpente são especialmente relevantes, uma vez que representam 13% do total de incidentes na rede de transmissão da companhia elétrica.