Health Spain , Salamanca, Friday, May 06 of 2011, 14:28

Cientistas de Salamanca pesquisam melhoria na aderência em tratamentos dentais

Clínica Odontológica da Universidade de Salamanca realiza testes em laboratório com novos materiais e tecnologia laser para melhorar o tratamento ortodôntico e as obturações

José Pichel Andrés/DICYT Pesquisadores da Clínica Odontológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Salamanca estudam melhorias na aderência de distintos materiais em tratamentos dentais. Os cientistas realizam testes em laboratório com diferentes tipos de adesivos e os resultados são potencialmente aplicáveis, por exemplo, no campo da ortodontia, para a colocação de brackets; na odontologia conservadora, para as obturações; ou na odontologia restauradora, para colocar folheados e facetas.

 

O especialista da Clínica Odontológica Alberto Albaladejo, que coordena esta linha de pesquisa, explica que o objetivo é conseguir uma melhor aderência destes elementos nos diferentes substratos. Estes podem ser biológicos, como o esmalte, que é a parte mais superficial do dente, ou a dentina, que é o tecido que está debaixo do esmalte. Ademais, “também analisamos a adesão sobre substratos não biológicos, principalmente a cerâmica, já que é o material que se costuma utilizar para fazer uma restauração, como as facetas de porcelana”, explica em declarações a DiCYT. Nesta última parte também estaria o zircônio, cada vez mais utilizado por ser mais estético.

 

Geralmente estas pesquisas se realizam “in vitro”, apesar de também existirem estudos específicos “in vivo”. “O objetivo é reproduzir em laboratório o mais fielmente possível a potencial situação clínica que ocorrerá na boca. Tentamos colar sobre estes substratos biológicos e não biológicos materiais habituais na clínica, como as resinas das obturações”, afirma. Para tanto, trabalham com novos materiais adesivos, provando sua eficácia.

 

Cada um dos substratos (esmalte, dentina e cerâmicas) é diferente e apresenta problemas diferentes. “O mais fácil é o esmalte, porque é quase totalmente inorgânico e a adesão é simples”, indica o especialista. No entanto, “a dentina é mais difícil, já que tem uma alta porcentagem de componentes orgânicos, mas devemos encontrar a melhor maneira de fazê-lo”. O tipo de adesão pode ser química, mas esta equipe de pesquisa trabalha sobretudo com a adesão micromecânica, realizando testes em laboratório para comprovar se é eficaz ou não.

 

“É como ter um vaso quebrado em duas partes e unido com cola”, exemplifica. “Há duas maneiras de ver se a adesão das duas partes é boa: separando-as e vendo quanto demoram a descolar-se ou pressionando a cola para ver quanta pressão suporta antes que se quebre”, comenta. Uma máquina de grande precisão ajuda a simular e medir os resultados. No caso dos brackets, que são os quadradinhos metálicos colados no dente na ortodontia para alinhá-los, o objetivo é unir a superfície do dente e o bracket com um adesivo e, neste caso, medir que força é necessária para separá-los. Definitivamente, a simulação para comprovar se é útil um determinado adesivo, consiste em pressionar esta união ou tentar separá-la e, quanto mais força seja necessária para desfazer a união, mais eficaz será o material empregado.

 

Estes ensaios costumam ser complementados com análises de microscopia eletrônica de varredura, isto é, “após comprovar a força necessária para quebrar o adesivo, constatarei o lugar do rompimento, se o problema localizou-se no substrato, no adesivo ou no bracket”, afirma Alberto Albadalejo.

 

Provas com laser

 

De qualquer forma, a chave de tudo está em descobrir o modo de melhorar os processos de adesão, que são compostos por três passos: acondicionar o substrato, aplicar um imprimador de base e, finalmente, o adesivo em si. “Tentamos encurtar os passos para que clinicamente seja mais rápida a aplicação dos brackets ou de uma obturação”, afirma. Para tanto, os cientistas avaliam novos sistemas adesivos, incorporam novos materiais e provam novos sistemas, como o laser.

 

Uma das opções é aplicar os elementos utilizados na odontologia conservadora no caso dos brackets, já que as condições e as composições não variam muito e os materiais são mais baratos, mas se deve adequar a adesão e comprovar se podem ser igualmente eficazes.

 

Aplicar a tecnologia laser pode ser outra saída que os pesquisadores da Clínica Odontológica estão explorando com a colaboração do Centro de Lasers Ultracurtos Ultraintensos (CLPU) da Universidade de Salamanca. Os condicionadores empregados nas técnicas habituais (geralmente o ácido ortofosfórico e outros mais agressivos) criam buracos nos substratos que servem de engate para o adesivo, mas “para o substrato biológico é agressivo e para o não biológico é fraco”. Por isso “tentamos usar o laser, mas também estamos vendo a possibilidade de combinar as duas opções”.

 

No campo da odontologia restauradora, a equipe de Alberto Albadalejo está testando o óxido de alumínio aplicado em camadas muito finas, medidas em mícron, e precisamente “a dúvida é qual espessura utilizar sobre o zircônio, material mais utilizado atualmente, de modo que estamos comparando diferentes espessuras de óxido de alumínio para ver qual é a medida ideal”, afirma.