Cientistas de vários países analisarão em um livro os problemas da água na Ibero-américa
José Pichel Andrés/DICYT Um livro reunirá em breve contribuições de cientistas de vários países sobre os problemas da Ibero-américa relacionados com a água. O livro incluirá vários artigos científicos e será editado provavelmente no próximo mês de novembro pela Sociedade Ibero-americana de Física e Química Ambiental, cujo secretário executivo é Juan Gallardo Lancho, pesquisador do Instituto de Recursos Naturais e Agrobiologia de Salamanca (Irnasa, centro do CSIC). Gallardo, que é o encarregado de coordenar e coletar os trabalho, explicou a DiCYT alguns problemas chave relacionados com a água.
“O déficit de água será o segundo problema ambiental do futuro, depois da superpopulação”, afirma, já que a água é necessária para ingestão, irrigação e desenvolvimento de processos industriais, mas se trata de um recurso escasso. Entre outros assuntos, o livro abordará a relação entre água, solos e plantas, na linha de análise do meio ambiente de outras publicações da Sociedade Ibero-americana de Física e Química Ambiental.
“A água é muito importante para alguns países Ibero-americanos, mas o caso mais grave de todos é o do México”, afirma o cientistas do Irnasa. “Em grande parte é um país árido, com exceção da parte do Sul, Chiapas e um pouco mais”, explica. Na maioria de seu território predominam águas contaminadas e “sua população é excessiva para a quantidade de água que possui o país”, comenta. Inclusive, parece que a contaminação da água foi uma das causas da desaparição da civilização Maia.
O norte do Chile é outra zona Ibero-americana com grandes problemas de escassez de água, mas neste caso o problema não é grave porque há pouca população e, de fato, nem mesmo seria possível o desenvolvimento de grandes populações devido justamente à carência de água.
A Sociedade Ibero-americana de Física e Química Ambiental é uma rede de 1.500 cientistas de mais de 20 países e desde 2006 edita uma série de publicações relacionadas com o meio ambiente. A primeira delas foi um volume triplo denominado “Meio Ambiente na Ibero-américa. Visão a partir da Física e da Química no início do século XXI”.
A partir daquela “grande obra de referência sobre os problemas ambientais da Ibero-américa”, foram publicados livros que reúnem artigos científicos sobre temas mais específicos, já que se considerou “interessante continuar publicando trabalhos relativos a assuntos atuais”, explica Gallardo, que nos últimos anos fomentou essas obras como presidente da Sociedade Ibero-americana e que agora continua coordenando-as do cargo de secretário executivo.
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“A captura do carbono em ecossistemas terrestres Ibero-americanos” (2007), “A contaminação na Ibero-américa. Xenobióticos e metais pesados” (2008), “Emissões de gases de efeito estufa em ecossistemas Ibero-americanos” (2009), “Contaminação, descontaminação e restauração ambiental na Ibero-américa” (2010) e “Matéria orgânica edáfica e captura de carbono em sistemas Ibero-americanos” (2011) são outras obras editadas em Salamanca para analisar os problemas ambientais Ibero-americanos.
Os cientistas de cada país contribuem com seus trabalhos sobre os problemas a serem tratados, neste caso a água, e uma vez recebido o material selecionam-se alguns por critérios científicos. Geralmente, cerca de 12 a 14 artigos compõem cada livro, buscando abranger os aspectos mais importantes do assunto tratado. No próximo, pretende-se atender os diferentes problemas sobre a água e as diferentes regiões Ibero-americanas: tropical úmida, tropical semi-árida, árida, etc. “Ao final ficamos com os trabalhos mais interessantes e cada país apresenta os problemas que possui e sua forma de resolvê-los”, enfatiza Gallardo.