Diversas instituições ibero-americanas dão inicio a criação de uma Agenda Cidadã sobre Ciência
CGP/DICYT A feira Ibero-Americana da Ciência, Tecnologia e Inovação, Empírika 2010, no dia 16 de novembro foi cenário de um ambicioso projeto que pretende implicar os cidadãos ibero-americanos na tomada de decisões sobre política científica. A iniciativa consiste em criar uma Agenda Cidadã similar a desenvolvida pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia (FECYT) no primeiro semestre do ano, no contexto da presidência da Espanha na União Européia, na qual 14 cientistas do continente estabeleceram 14 desafios a serem resolvidos pela ciência e tecnologia antes de 2030.
Lourdes Arana, diretora da FECYT, participou na jornada sobre Política Científica organizada por Empírika, na qual explicou em que consistiu o projeto que agora se pretende reproduzir no âmbito ibero-americano. “A Agenda é o ponto de encontro entre cientistas e inovadores, cidadãos e políticos”, enfatiza. Nesse sentido, uma comissão formada por vários especialistas de diversas disciplinas, da filosofia à didática da ciência, selecionou aos 14 cientistas europeus responsáveis por esboçar “com uma linguagem acessível e didática a toda população” os 14 desafios científicos.
Depois, promoveram a participação pública através da Internet e conseguiram votos de mais de 107.000 pessoas de 122 países. “Sentimos-nos orgulhosos por haver envolvido aos cidadãos, aproximando-os do exercício democrático, e de chegar a novos públicos através de novas formas e canais de relacionamento”, assegura Arana, que lembra que os temas que mais votos receberam foram, em primeiro lugar, a pesquisa para conseguir o armazenamento de energia elétrica e, em segundo, a medicina regenerativa e as terapias personalizadas.
Durante a jornada revelaram-se outros mecanismos de participação cidadã. Especialistas como Carlos Vogt, secretário de Educação Superior do Estado de São Paulo (Brasil), Cinthya Castro, presidente do Conselho Assessor de Divulgação, Comunicação e Relações Públicas do Sistema de Centros Públicos de Investigação Conaxyt (México), Miguel Ángel Quintanilla, catedrático de Lógica e Filosofia da Ciência da Universidade de Salamanca e diretor da Fundação 3CIn, ou León Olivé, matemático e filósofo da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM); participaram da jornada e depois fizeram parte de um encontro de trabalho para motivar a iniciativa da Agenda Cidadã ibero-americana.
Conhecimento como bem público
Em sua exposição, Carlos Vogt fundamentou-se no conhecimento como bem público e apresentou um dos projetos realizados, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univest), com a qual esperam melhorar o acesso à educação superior, ampliando a distribuição geográfica através do uso de novas tecnologias. “Em quatro anos esperamos contar com 60.000 estudantes”, indicou Vogt.
Outro especialista, León Olivé, enunciou suas teses sobre as políticas científicas e o aproveitamento social da ciência e da tecnologia. “As políticas de P&D devem estar integradas com as políticas públicas”, insistiu, precisando que “deve-se levar em consideração as diferenças entre o sistema de ciência e tecnologia e o sistema de inovação” na hora de seu desenho.