Estuda-se a adição de antioxidantes procedentes da indústria agroalimentar na dieta do gado ovino
CGP/DICYT Pesquisadores da Área de Produção Animal do Campus de Palencia da Universidade de Valladolid trabalham, há cinco anos, na melhoria da qualidade nutricional, funcional e tecnológica dos produtos do gado ovino (leite e borrego) da raça churra. Até agora a equipe científica orientada pela doutora Teresa Manso determinou que o uso de óleos na alimentação deste gado durante o início da lactação permite aumentar o conteúdo de alguns ácidos graxos com efeitos benéfico para a saúde humana no leite e na carne. O próximo passo dos pesquisadores será estudar a adição na dieta de compostos procedentes da indústria agroalimentar com possível efeito antioxidantes.
Como detalhou a DiCYT Teresa Manso, os testes realizados até agora “permitem estabelecer como a suplementação com gorduras de origem vegetal, óleos e sementes de oleaginosas ricas em ácidos graxos poliinsaturados, aumenta o conteúdo de ácidos graxos deste tipo, em ácido linoléico conjugado e melhoram a relação de ácidos omega 3 e omega 6 no leite e na carne”, ácidos graxos benéficos para o organismo.
Neste sentido, a equipe científica conseguiu produzir leite de ovelha e carne de borrego com um perfil de ácidos graxos mais saudáveis. No entanto, agrega Manso, “o aumento no grau de instauração da gordura dos cordeiros a faz também mais suscetível à oxidação e a mudanças nas características organolépticas, de processamento e de conservação da carne”.
Uma das estratégias utilizadas normalmente para melhorar a conservação e prevenir a oxidação da carne é a utilização de antioxidantes nas rações do gado. “Em muitas ocasiões, utiliza-se antioxidantes de síntese cujo uso está bastante restringido em alguns países, e cuja eficácia é bastante limitada em alguns casos”, afirma a especialista, que enfatiza que existe um “grande interesse” por desenvolver antioxidantes de origem natural com possível utilização na alimentação animal.
Subprodutos da indústria agroalimentar
O grupo de pesquisadores do Campus de Palencia realizará um novo trabalho focado no estudo do efeito da incorporação de novas matérias primas, procedentes da indústria agroalimentar de Castela e Leão, nas rações do gado ovino, “com possível efeito antioxidantes sobre a composição do leite e da carne de borrego”. O objetivo final será, igualmente, “melhorar sua qualidade nutritiva, funcional e sua conservação e, portanto, sua vida útil”.
O uso de alguns subprodutos da indústria agroalimentar na alimentação de ruminantes apresenta um interesse duplo, “de um lado, permitirá aproveitar produtos que de outro modo seriam apenas resíduos, com a importância que este tema apresenta do ponto de vista ambiental e, de outro lado, reduzirá o custo das rações”, destaca Manso. Este novo trabalho será financiado através de um projeto concedido dentro do Plano Nacional de Pesquisa e do Conselho de Educação.
Do mesmo modo, através do convênio firmado recentemente com a Assembléia de Palencia, será promovido também o desenvolvimento de estratégias de alimentação do gado ovino leiteiro da raça churra. O objetivo final do trabalho é integrar a informação obtida e elaborar conclusões que permitam realizar recomendações concretas para otimizar os sistemas de alimentação do grado ovino leiteiro de Castela e Leão. Para tanto, durante cinco meses será realizado um novo experimento com 48 ovelhas da raça churra da fazenda que a Assembléia de Palencia possui em Allende del Río.