Health Spain , Valladolid, Monday, September 20 of 2010, 13:50

Pesquisa busca obter um método diagnóstico não-invasivo da córnea

IOBA de Valladolid e Instituto de Microeletrônica de Barcelona desenvolvem um dispositivo baseado em nanoeletrodos para medir a bioimpedância

Cristina G. Pedraz/DICYT A cirurgia e patologias relacionadas com a córnea são freqüentes entre a população. Neste sentido, a medida das propriedades funcionais da córnea é um aspecto clínico chave no qual atualmente existe uma lacuna quanto a tecnologia de diagnóstico não-invasiva. Com o objetivo de levar à prática clínica novos métodos diagnósticos, o Instituto de Oftalmobiologia Aplicada (IOBA) de Valladolid e o Instituto de Microeletrônica de Barcelona (IMB-CNM-CSIC) colaboram em um projeto de pesquisa do Ministério de Ciência e Inovação (Micinn) para a criação de um dispositivo capaz de diagnosticar in vivo alterações da córnea a partir da medida da bioimpedância, isto é, a resistência oferecida pelos tecidos à passagem da eletricidade.

 

Como detalhou a DiCYT Miguel José Maldonado, pesquisador da Unidade de Segmento Anterior e Cirurgia Refrativa do IOBA, trata-se de um trabalho pioneiro, já que as tecnologias anteriores “não tem nada a ver com a medida da impedância e por serem muito limitadas nunca chegaram à extensão clínica”.

 

O objetivo inicial do projeto é chegar a um diagnóstico por camadas para conseguir uma maior precisão. A córnea possui cinco camadas (epitélio, membrana de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio), algumas delas possuem uma função de barreira maior que outras e, por isso, a análise da bioimpedância pode proporcionar uma informação muito útil. “Avaliar a função barreira das distintas camadas da córnea é algo factível e é o que começamos a fazer”, precisa o especialista, que comenta que o projeto de pesquisa está constituído por duas partes.

 

Por um lado está a inovação tecnológica, coordenada por Rosa Villa no Instituto de Microeletrônica de Barcelona, um centro com experiência na pesquisa da medida de bioimpedância com micro e nanoeletrodos e que conta com a maior “Sala Branca” (ambiente onde se busca manter um estado de máxima pureza) do território espanhol para a realização de processos micro e nanotecnológicos. O dispositivo que está sendo desenvolvido está baseado “em micro/nanoeletrodos que, aplicados sobre a córnea, podem medir suas propriedades bioelétricas a partir das quais se pode deduzir o comportamento da mesma”, aponta Maldonado. Por outro lado está a parte médica, cujo objetivo é definir os requisitos do dispositivo e proporcionar informação oportuna para afinar os protótipos através de testes.

 

Resultados promissores

 

A pesquisa começou há aproximadamente dois anos. Neste período foi realizada a adaptação dos micro/nanoeletrodos para que possam ser realizadas medições inclusive na córnea de pequenos animais. Assim, o centro catalão desenha micro/nanoeletrodos enquanto o IOBA desenvolve alguns experimentos com animais de laboratório, aos que danificam uma das camadas da córnea para comprovar até que ponto a nova tecnologia diagnóstica é capaz de identificar o dano.

 

Como assegura o especialista, os resultados dos ensaios clínicos conduzidos até o momento são “extremamente alentadores” já que se conseguir detectar com grande eficácia o pequeno dano produzido. O seguinte passo será avançar no diagnóstico do dano seletivo em outras camadas uma vez que, inicialmente, os experimentos se centram somente na zona mais superficial. Por último, a pesquisa se concentrará na detecção do dano combinado em várias camadas. O dispositivo e método foram patenteados pela Universidade de Valladolid juntamente com o CSIC.

 

O pesquisador considera que, se finalmente se comprova a utilidade desta ferramenta diagnóstica, dentro de quatro ou cinco anos pode se tornar uma realidade na prática clínica.

 

Transplante de córnea

 

Com relação à utilidade representada pela ferramenta, quando concluída, Miguel José Maldonado explica o caso do transplante de córnea. Atualmente são empregados uma série de parâmetros morfológicos, como o aspecto ou claridade, para deduzir de maneira indireta a funcionalidade da córnea que será injetada. No entanto, com a pesquisa desenvolvida “prevê-se uma possível avaliação direta in vivo da funcionalidade da córnea de um doador e, de acordo com a saúde desta córnea, se pode predizer o sucesso do transplante”, afirma.

 

Da mesma maneira, a córnea é o órgão alvo de uma cirurgia tão freqüente como a refrativa, a que corrige miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia. “A pesquisa inteira está dirigida à obtenção de maiores informações no momento de examinar nossos pacientes e, deste modo, dirigir melhor os tratamentos, as indicações e contra-indicações para as intervenções cirúrgicas e, finalmente, conseguir uma melhor qualidade na assistência aos pacientes”, conclui.