Pesquisadores de Valladolid constatam no Ártico que o Raman-LIBS pode identificar matéria orgânica
YG/DICYT O catedrático da Universidade de Valladolid, Fernando Rull, junto a outros dois pesquisadores desta cidade, António Sansano e Pabli Sobrón, participaram durante o mês de agosto da expedição AMASE 2008 ao Ártico, com o objetivo de experimentar o espectrômetro Raman-Libs, que participará da próxima missão européia a Marte, "ExoMars", em 2013. Os ensaios permitiram constatar que o instrumento é capaz de identificar material orgânico depositado sobre as rochas, algo de "tremenda importância", segundo Rull, já que o objetivo final da missão espacial será detectar a possível presença de vida no planeta vermelho.
Durante as duas semanas da expedição, foram simuladas operações que, espera-se, ocorrerão em Marte. Deste modo, explicou Rull a DiCYT, o Raman-LIBS trabalhou em contato com o braço robótico de um veículo Rover de nova geração que está sendo desenvolvido pela Agência Espacial Norte Americana (NASA), tarefa similar a que desenvolverá na missão Exomars, quando também será acoplado ao braço robótico de outro veículo.
O espectrômetro será capaz de analisar a composição dos minerais a um centímetro e meio de distância. Por um lado, através do Raman, oferecerá informações sobre a composição elemental dos minerais, enquanto que o LIBS (Laser induced breakdown spectroscopy) complementará estes dados com informações geoquímicas do material. De fato, um dos resultados mais importantes destes ensaios é a constatação de que o instrumento é capaz de identificar material orgânico, uma das principais missões que terá quando estiver na superfície marciana.
Análise à escala microscópica
O instrumento, que está sendo desenhado pela Unidade Associada Universidade de Valladolid-Centro e Astrobiologia, analisará os minerais da superfície marciana a uma escala microscópica, algo "muito importante, uma vez que se poderão identificar as fases puras", precisou o pesquisador, que acrescentou que o braço robótico sobre o qual se instale o espectrômetro deverá ter "uma enorme precisão para poder situar o cabeçal do Raman em frente ao mineral".
A principal missão em Exomars será fundamentalmente buscar cenários onde existam minerais alterados pela água, já que as formas de vida conhecidas estão, de uma forma ou de outra, associadas a este líquido. A função do espectrômetro será analisar as amostras selecionadas pelos cientistas da missão para, em último caso, comprovar se existem restos de vida em Marte.
O protótipo terá que passar, no próximo dia 15 de setembro, por uma revisão do desenho prévio, que já fora realizado para, em fevereiro do próximo ano, passar por uma revisão definitiva que, "se tudo der certo", resultará que o espectrômetro possa começar a ser construído em escala industrial.
A expedição ao Ártico, entretanto, onde participaram 18 cientistas americanos e 7 europeus, serviu também para que os pesquisadores de Valladolid experimentassem outro instrumento que estão desenvolvendo. Trata-se de um Raman remoto, que permite analisar o mineral à distância. Em concreto, no Ártico fizeram-se ensaios que permitiram analisar a composição do gelo de vários icebergs, a uma distância de 120 metros, algo que até então não se tinha conseguido, pois a distância máxima que se havia experimentado foi a cerca de 60 metros.