Resultados de um estudo sobre deficiência de vitamina D no México são apresentados
AC/INSP/DICYT Com o propósito de alertar os responsáveis sobre o problema de saúde pública que representa para nosso país a deficiência e insuficiência de vitamina D, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) realizou o seminário Vitamina D no México: primeira evidência de uma epidemia desconhecida, no auditório Miguel E. Bustamante da Secretaria de Saúde.
Juan Rivera Dommarco, diretor do Centro de Investigação em Nutrição e Saúde (CINyS) do INSP, advertiu sobre a deficiência da vitamina D nas crianças, que pode retardar seu crescimento, provocar deformidades no esqueleto e aumentar o risco de sofrer fraturas do quadril na vida adulta, enquanto nos adultos pode precipitar a osteopenia e a osteoporose, causar osteomalacia e debilidade muscular, além de incrementar os riscos de fraturas. Recentemente vinculou-se a deficiência de vitamina D ao aumento do risco de desenvolver distintas doenças crônicas.
De acordo com o Dr. Rivera, a partir da diminuição do raquitismo dos anos trinta do século passado, o tema da vitamina D foi esquecido entre os profissionais da saúde pública e privada, ao considerar que os problemas resultantes da deficiência desta vitamina tinham sido superados. Recentemente, no entanto, documentou-se o retorno do raquitismo em crianças das zonas urbanas com baixa exposição solar em países desenvolvidos.
Apesar de se acreditar que nos países ou regiões com alta exposição à luz solar, como o México, a deficiência de vitamina D não poderia ser um problema de saúde pública, “documentou-se prevalências elevadas de deficiência ainda em climas ensolarados nos quais, não obstante, a população não têm grande exposição solar. As prevalências mais altas da deficiência se encontram em pessoas de pele escura que vivem em latitudes nórdicas e em indivíduos com obesidade”, afirmou.
O Dr. Juan Rivera Dommarco concluiu sua participação falando do estudo realizado pelo INSP para saber o nível de deficiência da vitamina D na população mexicana, com base nas amostras de soro da ENSANUT 2006. De acordo com o diretor do CINyS, os resultados deste estudo permitirão elaborar um diagnóstico do estado da vitamina D na população mexicana, indispensável para o desenho de políticas públicas de nutrição e saúde que abordem este importante problema de saúde pública.
De outro lado, o Dr. Juan Alfredo Tamayo Orozco, assessor do Secretário de Saúde, falou das propriedades da vitamina D3 para a regulação metabólica do balanço mineral do corpo e do metabolismo ósseo. O metabolismo mineral, explica, refere-se aos processos envolvidos na conservação de um balanço metabólico neutro dos minerais, assegurando a todo tempo a disponibilidade de cálcio, fósforo e magnésio (dentre outros minerais) ao longo da vida.
Em sua intervenção, o Dr. Mario Efraín Flores Aldana, chefe do Departamento de Epidemiologia Nutricional do CINyS, apresentou os resultados do estudo denominado “Concentrações séricas de vitamina D em crianças, adolescentes e adultos mexicanos. ENSANUT 2006”, cujo objetivo foi conhecer o estado da vitamina D em crianças, adolescentes e adultos no México.
De acordo com o pesquisador, a amostra utilizada representa 8 milhões de crianças mexicanas, 504.059 adolescentes e 1.083.374 adultos. Segundo o estudo, 1 de cada 2 crianças pré-escolares e 1 de cada 4 em idade escolar apresentaram insuficiência ou deficiência moderada da vitamina D, com uma prevalência de deficiência severa de vitamina D menor que 1%. O problema nas crianças, afirmou o pesquisador, é mais comum em áreas urbanas que no âmbito rural.
Em relação aos adolescentes, 31,13% apresentaram insuficiência ou deficiência; quanto aos adultos, foram encontradas diferenças significativas entre as concentrações séricas de acordo com a região que habitam. De acordo com os resultados do estudo, 30,1% da amostra total apresentaram deficiência ou insuficiência de vitamina. No caso específico dos adultos, 1 de cada 3 apresentou esta deficiência nutricional.
Após indicar que nem a lactância materna exclusiva, nem uma dieta balanceada e variada podem proporcionar por si mesmas quantidade suficiente de vitamina D para cobrir as recomendações diárias, o Dr. Flores Aldana concluiu sua exposição recomendando o uso de suplemento de vitamina D a partir da idade pré-escolar e a exposição moderada ao sol, evitando as horas de pico e protegendo a vista, sempre que não existam riscos para a saúde, como antecedentes familiares de câncer.
Funções da vitamina D
Por sua parte, o Dr. Simón Barquera, diretor de Epidemiologia da Nutrição do CINyS, falou das funções desempenhadas em nosso organismo pela Vitamina D, como a metabolização do cálcio e fósforo, a produção de insulina, a regulação da pressão arterial, o desenvolvimento neuronal, a força muscular e a resposta imunológica.
Dentre os prováveis fatores de risco para a deficiência e insuficiência de vitamina D no México, o Dr. Barquera indicou o estilo de vida de interiores (recreativo e laboral), a pouca exposição à luz solar (incluindo quando é evitada voluntariamente), a contaminação ambiental, as escassas fontes dietéticas de vitamina D e o pouco uso de suplementos de vitamina D.
O pesquisador do INSP finalizou o evento propondo uma série de ações necessárias para enfrentar este problema, dentre as quais está a necessidade de avaliar o suplemento de vitamina D em grupos de riscos, a fortificação de alimentos, a valorização de efeitos fisiológicos dos níveis de vitamina D relacionados com a saúde e a avaliação da facilidade e efetividade (dose-resposta) da exposição à luz solar quando não existem riscos. Afirmou que é necessário desenvolver mais pesquisa, de modo que uma prioridade será consolidar grupos nacionais interessados no problema, trabalhar intersetorialmente e promover a difusão da importância do tema, com a finalidade de obter apoio financeiro para estas atividades.